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Inadimplência no crédito rural bate recorde e acende alerta para financiamento da nova safra

Indicador do Banco Central atingiu o maior nível da série em agosto; especialista recomenda avaliar fluxo de caixa, custos e garantias antes de contratar.

Inadimplência no crédito rural bate recorde e acende alerta para financiamento da nova safra

A inadimplência da carteira de crédito rural com recursos direcionados para pessoas físicas chegou a 9,69% em agosto de 2026, o maior valor da série mensal do Banco Central iniciada em março de 2011. Em julho, o indicador estava em 8,79%; em agosto de 2025, era de 5,23%.

A alta em 12 meses foi de 4,46 pontos percentuais. O indicador representa a parcela da carteira com pelo menos uma prestação atrasada há mais de 90 dias, e não a proporção de todos os produtores rurais com dívidas vencidas. Os dados constam da série SGS 21148 do Banco Central.

Para Romário Alves, CEO da Sonhagro, rede especializada em crédito rural, o cenário aumenta a importância de organizar as finanças da propriedade antes de buscar recursos para a safra 2026/27.

Na avaliação do executivo, capacidade de pagamento, garantias e histórico financeiro ganham peso na análise das instituições. Isso não significa que produtores com as contas em dia deixarão de obter financiamento, mas pode tornar a procura por crédito na última hora mais difícil.

Composição do financiamento

Nos dois primeiros meses da safra 2026/27, em julho e agosto, produtores enquadrados no Pronamp e demais produtores da agricultura empresarial contrataram R$ 65,7 bilhões em crédito rural, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, com base no Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor).

As Cédulas de Produto Rural (CPRs) responderam por R$ 32,4 bilhões, ou 49,2% do total. As operações convencionais de custeio somaram R$ 23 bilhões, equivalentes a 34,9%. O balanço está disponível no site do ministério.

O que avaliar antes de contratar

Alves recomenda comparar prazo, custo, garantias e adequação do instrumento à atividade financiada. A análise deve considerar quando a propriedade precisará gastar para produzir e em que momentos terá entrada de receita.

Para quem já tem compromissos anteriores, a reorganização das dívidas e a contratação de um novo financiamento precisam ser avaliadas em conjunto. O especialista destaca a importância de calcular quanto da receita futura está comprometida antes de assumir outra obrigação.

O crédito continua sendo uma ferramenta importante para a produção, mas o planejamento deve partir da capacidade de pagamento e das necessidades reais da propriedade. As condições de acesso dependem de cada operação e da análise da instituição financeira.

Fonte: Sonhagro, em material enviado à redação; Banco Central e Ministério da Agricultura e Pecuária — referência pública.

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