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Você saberia o que fazer se alguém caísse desacordado ao seu lado?

No Dia Mundial da Reanimação, especialista explica como reconhecer uma possível parada cardíaca, acionar o socorro, iniciar a RCP e usar um DEA enquanto a equipe de emergência não chega

Mulher inclinada sobre homem deitado em gramado, mão na testa e rosto próximo à boca

Uma pessoa cai ao seu lado, não responde quando é chamada e parece não respirar normalmente. Para quem presencia a cena, os primeiros segundos podem ser marcados por dúvida e medo de agir. Em uma situação de parada cardíaca, porém, reconhecer o problema e iniciar o atendimento pode fazer diferença até a chegada do socorro especializado.

O tema ganha destaque em 16 de outubro, data em que é celebrado o Dia Mundial da Reanimação, iniciativa internacional voltada à conscientização sobre a importância da ressuscitação cardiopulmonar, a RCP, e do acesso à desfibrilação precoce. As diretrizes internacionais de reanimação atualizadas em 2025 reforçam a participação de pessoas que presenciam uma emergência como um dos primeiros elos da cadeia de sobrevivência.

Segundo Rodrigo Feijó, Consultor de Produtos da MA Hospitalar, um dos principais obstáculos é acreditar que somente profissionais de saúde podem fazer alguma coisa: “Quem presencia uma emergência não precisa estabelecer um diagnóstico médico. O que precisa fazer é reconhecer sinais de alerta, pedir ajuda rapidamente e seguir orientações simples. Em uma suspeita de parada cardíaca, ficar parado esperando a chegada do atendimento pode significar perder minutos importantes”, explica.

Como reconhecer uma possível parada cardíaca

Para uma pessoa sem formação em saúde, a avaliação deve ser simples. Se um adulto estiver inconsciente, não responder quando chamado e não apresentar respiração normal, a recomendação atual é considerar a possibilidade de parada cardíaca. Respirações muito espaçadas, irregulares ou semelhantes a suspiros também não devem ser confundidas com uma respiração normal.

Não é necessário que uma pessoa leiga tente localizar o pulso antes de agir. As diretrizes de 2025 destacam que essa verificação pode ser difícil até mesmo para pessoas treinadas e, quando realizada de forma inadequada, pode atrasar o início das compressões torácicas.

O primeiro passo é verificar se o ambiente é seguro, tentar obter uma resposta da vítima e observar sua respiração. Diante de ausência de resposta e de respiração normal, o serviço de emergência deve ser acionado imediatamente.

No Brasil, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência pode ser chamado gratuitamente pelo número 192. A central também pode fornecer orientações enquanto o atendimento é deslocado até o local.

Compressões devem começar sem demora

Depois de acionar o serviço de emergência, a orientação para pessoas que presenciam uma parada cardíaca em um adulto é começar as compressões torácicas.

As mãos devem ser posicionadas no centro do peito, com a vítima deitada sobre uma superfície firme sempre que isso puder ser feito com segurança. As recomendações indicam frequência de 100 a 120 compressões por minuto e profundidade de pelo menos 5 centímetros em um adulto, evitando ultrapassar aproximadamente 6 centímetros. Também é importante permitir que o tórax retorne à posição original entre uma compressão e outra e reduzir ao máximo as interrupções.

Quem não possui treinamento pode concentrar a resposta nas compressões torácicas e nas orientações fornecidas pelo serviço de emergência. Pessoas treinadas podem associar as ventilações conforme a técnica aprendida.

“O receio de fazer algo errado ainda faz muita gente não iniciar a RCP. Mas, diante de uma pessoa inconsciente e sem respiração normal, o objetivo é manter alguma circulação de sangue enquanto o atendimento especializado não chega. A capacitação prévia ajuda muito porque transforma uma situação de pânico em uma sequência de ações conhecidas”, completa Rodrigo Feijó.

Se houver um DEA próximo, ele deve ser buscado

Enquanto uma pessoa realiza as compressões e a outra aciona o atendimento de emergência, alguém deve procurar um DEA, caso o equipamento esteja disponível no local. O aparelho analisa o ritmo cardíaco e determina se existe indicação de choque. Ao ser ligado, fornece instruções para posicionamento dos eletrodos e condução do atendimento.

A RCP deve continuar enquanto o equipamento é preparado, com interrupções somente quando forem solicitadas para a análise do ritmo ou eventual aplicação do choque. As diretrizes reforçam que a desfibrilação precoce, associada a compressões de boa qualidade, está entre as intervenções mais importantes diante de determinados ritmos de parada cardíaca.

Um desfibrilador disponível, identificado e em condições adequadas de funcionamento tem utilidade prática apenas quando as pessoas próximas sabem onde encontrá-lo e estão preparadas para iniciar a resposta. Por isso, além da presença de equipamentos, treinamentos periódicos e protocolos claros ajudam empresas, instituições e espaços de circulação de pessoas a reduzir a insegurança diante de uma emergência.

Preparação começa antes da emergência

O Dia Mundial da Reanimação funciona como um lembrete de que primeiros socorros não devem ser conhecidos apenas por profissionais da saúde. Saber reconhecer uma possível parada cardíaca, chamar o 192, iniciar compressões e localizar um DEA são ações que podem ser aprendidas previamente. Em uma situação real, a orientação permanece simples: se a pessoa não responde e não respira normalmente, peça ajuda, acione o atendimento de emergência e comece a agir.

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