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Após o diagnóstico de autismo, quais são os próximos passos? Entenda como funciona a jornada terapêutica

Com 1,1 milhão de crianças e adolescentes de até 19 anos com diagnóstico de TEA no Brasil, segundo o IBGE, especialistas destacam a importância da avaliação individualizada, do planejamento terapêutico e da orientação às famílias

mãos de adulto e de criança apoiadas com um coração de peças de quebra-cabeça coloridas sobre tábuas de madeira claras

São Paulo, outubro de 2026 – Receber o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode trazer alívio por esclarecer dúvidas sobre o desenvolvimento da criança, mas também levantar questionamentos sobre os próximos passos. Quais terapias procurar? Como definir as prioridades do tratamento? E de que maneira a família pode participar desse processo? A jornada terapêutica começa com o acolhimento e a compreensão das necessidades individuais da criança, etapas que orientam a construção de um plano de cuidados.

A dimensão dessa demanda aparece nos dados do Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento identificou 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico declarado de autismo no país, o equivalente a 1,2% da população. Entre crianças e adolescentes de até 19 anos, o número chegou a aproximadamente 1,1 milhão, com maior proporção de diagnósticos na faixa dos 5 aos 9 anos, na qual o percentual foi de 2,6%. Nesse cenário, compreender o percurso após a confirmação do TEA é importante para que as famílias encontrem informações e saibam como buscar acompanhamento adequado.

Segundo Ronaldo Ranieri, diretor da CompletaMente, rede especializada no atendimento multidisciplinar de crianças e adolescentes com TEA e outros atrasos no neurodesenvolvimento, o primeiro passo é compreender que o diagnóstico não determina sozinho quais intervenções serão necessárias.

“Cada criança tem características, habilidades, interesses e necessidades próprias. Por isso, o atendimento precisa começar com uma escuta cuidadosa da família e uma avaliação que permita entender como ela se comunica, interage, aprende e realiza as atividades do cotidiano. É a partir desse conhecimento que conseguimos estabelecer prioridades e construir um plano terapêutico coerente com a realidade daquela criança”, afirma.

Conforme as orientações do Ministério da Saúde, o cuidado deve considerar diferentes dimensões do desenvolvimento e resultar em um Projeto Terapêutico Singular (PTS), elaborado com a participação da equipe de saúde, da pessoa atendida e de seus familiares. Na prática, esse processo envolve conhecer o histórico da criança, identificar habilidades já desenvolvidas e aspectos que demandam apoio, além de definir objetivos que possam ser acompanhados ao longo do tempo. A escolha das intervenções e a frequência dos atendimentos devem considerar as necessidades individuais, sem pressupor que todas as crianças com TEA precisem seguir o mesmo percurso.

Dependendo da avaliação, o acompanhamento pode reunir especialidades como Psicologia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, Psicopedagogia e outras áreas, conforme as necessidades identificadas. Mais do que oferecer diferentes terapias, o desafio é fazer com que os profissionais compartilhem informações e alinhem objetivos. Na CompletaMente, a discussão dos casos entre os integrantes da equipe busca conectar as estratégias utilizadas nos atendimentos e acompanhar a evolução da criança em diferentes contextos.

“Não basta estabelecer objetivos isolados para cada especialidade. Precisamos entender como os aprendizados se relacionam e de que maneira podem contribuir para a comunicação, a autonomia e a participação da criança nas situações do dia a dia. O plano terapêutico deve ser acompanhado e revisto conforme os avanços, as dificuldades observadas e as novas necessidades que surgem durante o desenvolvimento”, explica Ranieri.

A família também tem papel importante nessa trajetória. A orientação parental ajuda pais e responsáveis a compreenderem os objetivos do tratamento, compartilharem informações sobre o comportamento da criança fora da clínica e incorporarem estratégias à rotina, respeitando as possibilidades de cada contexto. Isso não significa transferir aos familiares a responsabilidade pelas intervenções, mas oferecer suporte para participarem das decisões e acompanharem o desenvolvimento dos filhos. O cuidado com as dúvidas, as expectativas e o bem-estar dos próprios responsáveis também faz parte desse acolhimento.

Para Ranieri, a informação e o diálogo ajudam a tornar o início do acompanhamento menos incerto. “O diagnóstico pode trazer muitas perguntas, e a família não precisa ter todas as respostas de imediato. O importante é construir esse caminho com profissionais que escutem os responsáveis, respeitem as particularidades da criança e expliquem os objetivos de cada etapa. O acompanhamento não se resume às sessões: ele envolve observar o desenvolvimento ao longo do tempo e ajustar as estratégias sempre que necessário”, conclui.

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