Seguindo a sina de gênios que nos deixam, essa semana o escritor mexicano Carlos Fuentes faleceu aos 83 anos. Ao invés de falar porque ele foi um exímio escritor, nada melhor do que comentar um de seus feitos: O Espelho Enterrado.

O subtítulo Reflexões Sobre a Espanha e o Novo Mundo já dá o tom do ensaio: como se formou a porção ibérica do Velho Mundo, que culturas foram determinantes naquela região, o que o ‘descobridor’ Cortéz e o defensor Las Casas encontraram e propuseram. Importante citar que o livro originou-se da série de tv homônima coordenada pelo próprio autor.

Quase todas as informações históricas sobre a América que preenchem os livros didáticos e documentários via Natgeo ou Discovery são encabeçados por europeus. A organização da metrópole espanhola é ignorada a ponto de o leitor-telespectador pensar o descobrimento como um acidente, não-planejado na rota de Colombo até a Ásia. O livro de Fuentes procura relatar e descrever justamente tais lados obscuros do evento.

Um dos fatos relevantes para a organização da Espanha antes mesmo da empreitada colonialista foi a convivência pacífica, por quase 600 anos, entre cristãos, muçulmanos e judeus, contribuindo para o desenvolvimento cultural, social e econômico do então reino.

Dentre outras revelações que o livro de 2001 traz (ou seja, 10 anos antes do Guia Politicamente Incorreto…) destaque para as influências da cultura indígena asteca e maia nas esculturas da Europa (Vida e Morte no Mundo Indígena), os homens que lideraram a independência (Simon Bolívar e José de San Martin) e opiniões diversas sobre o futuro do continente latino-americano.

Interessante a reflexão sobre o sentimento de insurreição que a todo instante aflora no latino-americano, resultado do processo de independência no século XIX e testado nos movimentos revolucionários no século XX.

Uma boa pedida para os amantes das artes, já que Fuentes relaciona alguns feitos às gravuras de pintores (re)conhecidos do continente, a exemplo de Diego Rivera e José Clemente Orozco. Áqueles que temem as formatações rígidas para fontes históricas, podem fazer a leitura sem medo de se entediar ou se perder.

fonte: http://autoparapessoas.wordpress.com

[author] [author_image timthumb=’on’]http://www.guairanews.com/wp-content/uploads/2012/04/gabrielogata.jpg[/author_image] [author_info]Gabriel Carlos Ogata Nogueira é graduado em História pela Unimep (2008), pós-graduado em História do Brasil e da América no Cenário Geopolítico Contemporâneo pela Unifran (2011) e formando em Geografia pela Unifran (2012). Professor nas escolas Centro Educacional Ana Lelis Santana e Escola de Educação Básica e Educação Profissional Irum Curumim.[/author_info] [/author]