Para Siempre Bolaños – por Gabriel Ogata Nogueira

O ano de 2014 será tenebrosamente marcado por grandes perdas no mundo do entretenimento e das artes: Robin Williams, Luciano do Valle, Gabo, Suassuna, João Ubaldo Ribeiro, dentre vários outros. Mas talvez essas perdas sejam menos significativas que a de hoje (28/11/14), de Roberto Gomes Bolaños, vulgo Chaves e Chapolin, dr. Chapatin e Chespirito

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O ano de 2014 será tenebrosamente marcado por grandes perdas no mundo do entretenimento e das artes: Robin Williams, Luciano do Valle, Gabo, Suassuna, João Ubaldo Ribeiro, dentre vários outros. Mas talvez essas perdas sejam menos significativas que a de hoje (28/11/14), de Roberto Gomes Bolaños, vulgo Chaves e Chapolin, dr. Chapatin e Chespirito.

O engenheiro frustrado (ainda bem!) foi o grande mentor dos personagens, roteirizando e produzindo programas iniciais. Pode-se dizer que a escolha para o elenco foi certeira, ou alguém imaginava um moleque mimado com cara de sério, uma menina travessa sem que lhes faltasse um dentes, um senhor preguiçoso com roupas asseadas, um cobrador implacável magro e um professor de baixa estatura? Mas é claro que não.

Gravações sem grandes pretensões, com orçamentos mínimos nos anos 70 em pleno México, puderam atrair tanta a atenção dos brasileiros, com piadas manjadas, sem apelo sexual e/ou humilhante, trajes cafonas e situações lineares simples? Atrair audiência e se transformar em uma grande marca ainda que abusasse de efeitos especiais chulos e nítidos? Estão aí bons exemplos que algumas perguntas são desnecessárias porque já contém as respostas.

A inocência foi a grande mensagem de Bolaños ao fazer humor, em situações de apuros e aflições enfrentadas por uma sociedade de classe média baixa, desde a simples vila da Boa Vizinhança, ou quando um herói todo atrapalhado e sem nenhum grande poder era necessário para combater o mal. E esse mal estava presente tanto na forma contemporânea quanto na história (os memoráveis Pirata Alma Negra e Rachacuca/Quase-nada).

É fato que todas as faixas etárias estarão em luto com o falecimento de Humberto, mas as gerações nascida a partir dos anos 2000 não terão o ‘mesmo gosto amargo’ comparado às anteriores. O humor aprendido por eles é na base da chacota, de denegrir o próximo, de rir (muito mais) da desgraça alheia, fazer questão ou sentir prazer em sabotar o outro.

Rir não é necessariamente o foco ao assistir os episódios: Transmitir valores e conscientizar também foi um feito do programa. E quem não chorou com o episódio em que Chaves foi injustamente acusado de roubo ou quando todos foram a Acapulco? As sábias frases de Seu Madruga ainda surtem efeito entre os mais nostálgicos – ‘As pessoas boas devem amar seus inimigos’ é a melhor de todas.

As mensagens de luto e agradecimento já dão uma idéia de sua grandiosa obra, sendo que até portais de canais concorrentes divulgaram a notícia. Muito obrigado por fazer rir milhares de adultos e crianças. Seus múltiplos personagens farão muitos rirem aí no outro plano.

por Gabriel C. Ogata Nogueira

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