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COMO A TECNOLOGIA ESTÁ EMPODERANDO MULHERES

São diversas as desigualdades existentes no mercado de trabalho e uma das mais evidentes está ligada à questão de gênero. Salários mais baixos para as mulheres, homens ocupando os cargos mais altos e divisão de tarefas. Ao longo dos anos, esse cenário vem mudando. Nas últimas décadas, cada vez mais as mulheres estão se profissionalizando e ganhando mais espaço, inclusive em aplicativos de economia compartilhada. Algumas startups, novas empresas inovadoras de tecnologia, são responsáveis por essa transformação histórica.

O maior aplicativo para contratação de serviços da América Latina, o GetNinjas, possui números animadores em relação às mulheres. Segundo pesquisas realizadas por eles com uma base de 3 mil profissionais, em 2018, 56% dos profissionais cadastrados na plataforma são mulheres, dentre essas 42% ganham cerca de 1 a 3 salários mínimos por conta da plataforma. O estudo também apontou que elas realizam mais serviços que os homens. Cadastrada no Getninjas desde 2015, Manuela Marques é arquiteta e diz que conheceu a plataforma numa pesquisa sobre sites em que poderia anunciar seu trabalho. “A demanda faz com que a gente busque melhorar e se profissionalizar cada vez mais”, comenta a paulistana.

A startup brasileira especializada em cursos on-line que auxiliam no desenvolvimento de habilidades profissionais, eduK, faz parte da profissionalização de diversas mulheres que se especializam e descobrem novas habilidades na plataforma, com o objetivo de empreender e viver do próprio negócio. Essa aproximação com público feminino no geral, faz com que 90% das inscrições na plataforma sejam feitas por elas.

O mercado de beleza, área majoritariamente feminina, foi outro setor tradicional da economia impactado pela tecnologia. O aplicativo Singu, que conecta clientes a profissionais de beleza e bem-estar para serviços delivery, é responsável por empoderar mulheres ao permitir que elas multipliquem sua renda em até 3 vezes. São cerca de 2.300 profissionais cadastradas na plataforma, a manicure Débora da Costa é uma delas, que começou a atender pela Singu após um caso de machismo sofrido na empresa em que trabalhava. “Eu encaminhava meus currículos e vendia brigadeiros quando uma amiga me apresentou a Singu. No ínicio, mal tinha dinheiro para o transporte e material. No segundo mês de trabalho já fiz um acordo e paguei todas as contas atrasadas”.

Na Dog Hero não é diferente. Na plataforma que conecta donos de cães a anfitriões com o objetivo de encontrar um lar para o pet, no Brasil, 80% dos cadastrados no aplicativo são mulheres, um total aproximado de 14.000. Considerada a anfitriã que mais faturou no mês de fevereiro, Sandra Moura, ganhou aproximadamente 7 mil reais cuidando diariamente de no máximo três cães. “Antes trabalhava com confeitaria, mas com a Dog Hero reconquistei minha cidadania como profissional e estou 100% satisfeita”.

influu, ecossistema de profissionalização de influenciadores, também possui a maioria de cadastros femininos. “O empoderamento feminino começa com a complementaridade entre os homens e mulheres. Deve sempre haver um equilíbrio entre ambos. Acredito que todos devem ser tratados igualmente, com as mesmas oportunidades e salários”, comenta Talita Lombardi, COO da influu.