Todo mundo já quis ter um Lego. Seja na infância ou na vida adulta, esses brinquedos são uma febre que conquista pessoas de todas as idades. A Lego Foundation, no entanto, entidade criada pela empresa dinamarquesa, alerta para os benefícios, especificamente psicológicos, que essas pecinhas têm nas vidas das crianças.

Já faz tempo que deixamos de ver os melhores jogos de Lego como meras peças de encaixar. As diversas séries de pecinhas da empresa oferecem às crianças inúmeros mundos com os quais elas podem interagir.

Porém, muito mais do que interação com algo já existente, os brinquedos da Lego oferecem uma possibilidade quase infinita, que é o uso da imaginação. Esses jogos mexem com um sistema inato e imaginativo que toda criança possui, que está pronto e ávido para ser estimulado.

De acordo com especialistas, brincar com Lego desperta a geração de ideias. Apesar de muitas vezes esses produtos terem um “roteiro” de criação pré-estabelecido, não é preciso segui-lo. Os pequenos podem usar sua imaginação para criar formas e criaturas que em seus mundos próprios fazem sentido.

Além disso, estima-se que um brinquedo simples da Lego seja capaz de ajudar no desenvolvimento da inteligência emocional. Eles podem servir como uma psicoterapia, visto que auxiliam os pequenos a externalizar completamente suas emoções.

Lego: mediador no diálogo entre adultos e crianças

As crianças dos cinco ou seis anos para cima começam a racionalizar um pouco mais sobre as suas frustrações e suas emoções em geral. Não é à toa que muitos brinquedos da Lego sejam desenvolvidos para uma faixa etária mais ou menos condizente com essa.

A fase dos cinco aos sete anos costuma ser desafiadora para os pais. Os pequenos e toda a família se veem frente a problemas naturais e normais de questionamento emocional. As crianças estão explodindo de ideias, de perguntas, de hipóteses. Quando iniciam suas primeiras relações sociais longe dos pais, a tendência é que tudo isso vire uma explosão de sentimentos.

Nesse sentido, ter brinquedos de Lego em casa pode ser fundamental. Isso porque as crianças pequenas não sabem muito bem como externalizar o que sentem. Os pais, por outro lado, costumam não saber ouvir o que os filhos têm a lhes dizer. Um Lego surge nessas horas, portanto, como um mediador.

Por meio das construções e da forma como as crianças lidam com os Legos os pais conseguem entender um pouco mais sobre as mentes dos filhos. Essa externalização precisa ser acompanhada muito de perto, pois só assim é possível entender o que os pequenos querem dizer.

Segundo especialistas, aprender a analisar os resultados das brincadeiras dos filhos é a forma mais fácil de abrir espaços de diálogo entre crianças e adultos.

Benefícios psicológicos que uma criança pode ter ao brincar com Lego

As pesquisas comprovam que há muita dificuldade de comunicação entre adultos e crianças. Isso se deve a muitos fatores, e um dos principais é os pais não saberem iniciar uma conversa com os filhos. Esses mesmos estudos apontam, no entanto, que o lúdico e  que as brincadeiras são formas eficazes de entender o que os filhos querem dizer.

Veja abaixo alguns benefícios psicológicos de brincar com lego na infância:

  • Quebra de muros invisíveis: quando uma criança brinca com um Lego, por exemplo, ela derruba várias barreiras invisíveis e inconscientes. Pode ser que tenha dificuldade em gerir as próprias emoções. Talvez não consiga se expor em público, seja fisicamente ou verbalmente. Mas é no jogo, na visualização das próprias emoções no brinquedo, que as crianças começam a evoluir nesse sentido.
  • Desenvolvimento de raciocínio rápido: a resolução de problemas e o desenvolvimento de um raciocínio rápido são outros dois bons benefícios de brincar com Lego na infância. Como normalmente os Legos precisam ser montados de uma forma bastante específica, isso acaba sendo um grande desafio para muitas crianças.
  • Coloca no “papel” o mundo das ideias: o mundo das ideias, o abstrato, pode ser facilmente transmitido pelas crianças quando elas estão brincando. Quando elas visualizam suas próprias ideias, conseguem entender melhor a si mesmas. Aprendem, também, a tomar atitudes mais rapidamente.

É impossível pensarmos em Lego e não chegarmos a muitos benefícios desses brinquedos para as crianças. Não é à toa que a Lego Foundation desenvolveu um projeto-piloto para levar pecinhas com Braille à crianças com deficiência visual em todo o mundo.