1. ‘Vacina’ para frear a evolução do Parkinson está em fase 2 de estudo. Os cientistas estão desenvolvendo um anticorpo contra a alfa-sinucleina, pois há uma hipótese de que essa substância se acumula na região degenerada do cérebro, onde há redução da dopamina, que é uma característica do Parkinson. “A ideia de que essa ‘vacina’ conteria a evolução da doença em seu início se baseou em estudos feitos em bancos de cérebro mundiais e também numa teoria que defende que o Parkinson começa no intestino, onde provoca constipação, e depois segue para o cérebro, levando à perda do olfato e afetando os sonhos. Há casos em que esses sintomas podem aparecer até 20 anos antes do diagnóstico e quando eles são identificados precocemente têm quase 80% de chances da pessoa desenvolver a doença. Daí a importância de surgir uma medicação preventiva”, esclarece a neurologista Sara Casagrande.

2. Nova medicação para Parkinson tem efeito benéfico duplo. “Prevista para chegar ao Brasil no segundo semestre, a safinamida age em duas frentes: aumentando a dopamina, que é o neurotransmissor envolvido no controle dos movimentos; e bloqueando o glutamato, o que ajudaria a não piorar ou até mesmo melhorar as chamadas discinesias, movimentos involuntários do corpo, do rosto e da boca que aparecem após o uso da levodopa, que é uma das principais medicações para Parkinson”, esclarece a doutora Sara Casagrande.

3. Toxina botulínica controla salivação excessiva no Parkinson. “Um estudo comprovou a eficácia e segurança ao aplicar a substância nas glândulas salivares para combater o problema, que traz incômodo social, aumenta os riscos de broncoaspiração, que pode levar à pneumonia de repetição, e a micro engasgos, inclusive durante o sono, prejudicando o descanso e a qualidade de vida do paciente”, diz a neurologista Sara Casagrande, que é especialista em toxina botulínica neurológica.

4. Dieta mediterrânea pode reduzir chances de ter Parkinson. “Esse estudo estampa a atual capa do mais importante periódico do mundo sobre a doença, o Movement Disorders, da Sociedade Internacional de Transtornos e Parkinson e Movimento. A explicação é que uma alimentação rica em gorduras boas, como o ômega 3, com ação anti-inflamatória e antioxidante, teria efeito protetor do cérebro”, resume a doutora Sara Casagrande.

5. Brasil já tem novos estimuladores cerebrais direcionais para tratar Parkinson. “A vantagem está em permitir que o médico redirecione a energia para frente, para trás ou para os lados e garanta que o estímulo seja dado na região cerebral envolvida com o movimento involuntário, sem o risco de atingir áreas vizinhas e causar efeitos indesejados, como a piora da fala, que já é naturalmente alterada pelo Parkinson”, compara a neurologista Sara Casagrande, especialista em estimulação cerebral profunda.

6. FDA aprova levodopa inalatória para Parkinson. “Semelhante à ‘bombinha’ de asma, ele faz efeito em apenas 10 minutos e resolve um dos problemas que muito compromete a vida do paciente, que é a diminuição da ação da levadopa oral antes da hora de tomar a próxima dose. Com isso, você consegue aliviar rapidamente alguns sintomas do off, muitas vezes imprevisíveis, como o freezing (congelamento) ao andar ou mudar de direção, os tremores involuntários, a rigidez muscular e o bloqueio no momento que o paciente estiver realizando alguma tarefa motora”, exemplifica a neurologista Sara Casagrande.

Sugestão para entrevista:

DRA. SARA CASAGRANDE, NEUROLOGISTA DO HOSPITAL DAS CLÍNICAS E TITULAR DA ACADEMIA BRASILEIRA DE NEUROLOGIA

Mais informações:
Neurologista especialista em Distúrbios do Movimento, Estimulação Cerebral Profunda (DBS), Toxina Botulínica Neurológica pelo HC/FMUSP e especialista em Cefaléias pela EPM-Unifesp. Titulo de Clínica Medica pela Sociedade Brasileira de Clínica Medica (2014), Título de Neurologia pela Associação Brasileira de Neurologia, Membro Titular da Associação Brasileira de Neurologia (ABN), Membro da Sociedade Brasileira de Cefaléia (SBC),Membro da International Parkinson and Movement Disorder Society (MDS) e Membro da International Neurotoxin Association (INA).