Carne bovina aumentou no final de 2019. Crédito FMVZ USP

O ano de 2019 terminou com uma sensação amarga para quem gosta de comer carne. A vontade de assar picanha, a maminha, ou seja, tudo para churrasco, ficou apenas na imaginação de milhares de brasileiros. Isso porque o preço do alimento disparou, impulsionado pela alta no consumo de países asiáticos, especialmente a China.

Para 2020, há uma expectativa: o preço da carne vai subir ou descer? O churrasco, enfim, vai voltar a reinar nos finais de semana do brasileiro ou se tornará uma lenda antiga ao relembrar refeições ocorridas aos domingos ou num sábado ensolarado à beira da piscina?

Especialistas e economistas ainda não encontraram um denominador comum ao analisar o futuro da carne no Brasil.

Ao G1, o analista de mercado Leandro Bovo explica que o mercado da carne bovina, a principal consumida no país, passou 4 anos sem alta de preços ao mesmo tempo que os custos de produção não paravam de subir.

“Alguma correção de preços era esperada. Em termos de inflação, o impacto maior já aconteceu, e, a partir de agora, não será mais tão relevante. Porém, o desconforto com o aumento dos preços, mesmo que menor, ainda estará presente”, afirmou o sócio-diretor da Radar Investimentos.

“Eu não acredito que as carnes serão as vilãs da inflação em 2020. O que tinha que vir, já foi. Agora, acredito que haverá uma melhora da economia e a variação de preços será absorvida durante o ano. Diferente de 2019, quando todo o impacto veio em 45 dias”, diz o analista Alcides Torres, também ao G1.

Atualmente, a inflação no Brasil está comportada em relação a anos anteriores: o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Getulio Vargas, por exemplo, acumula alta de 2,9% em 2019 e 3,51% nos últimos 12 meses.

No Índice de Preços ao Consumidor do Município de São Paulo, a carne bovina acumula alta de 1,76% em 2019 até outubro. Em 2015, no mesmo período, a inflação da carne era de 10,74%. Ou seja: a situação é complicada, mas já foi pior.

Especialistas ouvidos pelo site britânico da BBC afirmam, no entanto, que a carne deve continuar encarecendo o plano alimentar das famílias brasileira.

André Braz, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor e analista de inflação da Fundação Getulio Vargas (FGV), prevê que a carne permaneça em patamares mais altos até pelo menos o primeiro trimestre do ano que vem, e vá perdendo fôlego ao longo do ano.

Ainda assim, acredita que o preço do alimento deve continuar salgado. “O fato é que, por enquanto, a carne vai continuar mais cara. O que o consumidor pode fazer, para fugir um pouco, é comprar menos, não para que o preço volte o que era, mas para evitar novos aumentos que não são necessários”, completa.