MARÇO AZUL ESCURO: PESQUISAS AVANÇAM E FACILITAM ENTENDIMENTO SOBRE CÂNCER COLORRETAL

Hábitos alimentares são apenas um dos fatores de risco; prevenção e diagnóstico precoce são as melhores estratégias para combater a doença

O mês de março é colorido com azul escuro para chamar a atenção da sociedade sobre o câncer colorretal, 3º mais comum no Brasil e 2º em nível de mortalidade. As pesquisas sobre a doença têm avançado e permitido um tratamento cada vez mais eficaz e um entendimento melhor quanto a fatores de risco e de prevenção. Por isso, nesse período, intensifica-se o acesso à informação e conscientização.

Estimativa do Instituto Nacional do Câncer de 2020 aponta que 40.990 novos casos de câncer colorretal devem ser registrados, sendo 20.520 homens e 20.470 mulheres. Por outro lado, a incidência vem diminuindo em países desenvolvidos devido ao rastreio e tratamento de pólipos (lesões), com uma taxa de declínio anual de quase 2% nestes países, indicando o caminho a ser seguido.

Por trás desses números e dados estão aspectos do dia a dia das pessoas que, muitas vezes, passam despercebidos. Os hábitos alimentares, por exemplo, têm grande impacto, sendo considerados um fator de risco.

“O consumo excessivo de carne vermelha e seus derivados processados parecem estar associados com o aumento da incidência do câncer colorretal, especialmente no lado esquerdo. O processo de preparação em altas temperaturas promove a geração de hidrocarbonetos poliaromáticos e outros carcinógenos. O recomendado é o consumo de carne vermelha magra, 1 a 2 vezes na semana”, pontua o médico do CEONC, doutor Bruno Kunz Bereza, especialista em cancerologia cirúrgica com ênfase em cirurgia minimamente invasiva, com foco na área gastrointestinal.

O tabagismo e o consumo de álcool – mesmo de doses menores a 1 drinque por dia – também aumentam o risco de câncer de intestino. Outros fatores de risco são: obesidade em adultos jovens e de meia idade, diabetes mellitus, doenças que fazem inflamação do intestino grosso, sedentarismo, idade, familiares com história de câncer colorretal, entre outros.

“São fatores de proteção: suplemento de folato, cálcio, fibras, consumo de alho, anti-inflamatórios, hábitos saudáveis de alimentação e rotina de exercícios”, complementa o médico, doutor Bruno Kunz Bereza.

Estudos publicados recentemente apontam a suplementação de vitamina D como fator protetor. Segundo doutor Bruno, duas evidências, apesar de fracas, surgiram.

“Percebeu-se que pacientes operados de câncer de cólon, que receberam vitamina D após o tratamento, apresentaram menor chance de recidiva e menor velocidade de crescimento de tumores. Foi evidenciado que a vitamina D pode ter um efeito de inativação de alguns genes ou mutações que poderiam levar a alguns tipos de câncer”, destaca Bereza.

As análises ainda não conseguiram identificar a dose exata de vitamina D e quais pacientes se beneficiam, mas já sinalizam um possível avanço.

A comunidade médica segue debruçada em progredir nas pesquisas que possam resultar em tratamentos cada vez mais eficazes. É unânime, porém, que prevenção e diagnóstico precoce são hoje a melhor estratégia para combater o câncer colorretal.

“Em países em que se foi levado a sério o rastreamento e prevenção por meio de retirada de lesões pré-cancerígenas através da colonoscopia, houve uma acentuada redução na mortalidade. Os Estados Unidos são exemplo, nesse sentido. Apesar do número total ter crescido lá (devido ao envelhecimento e aumento populacional), a proporção de mortes é cada vez menor”, explica o médico.

Doença, sinais e sintomas

As células normais do intestino grosso crescem e depois se dividem para formar novas células quando necessário, funcionam com um ciclo de vida celular normal. Elas também morrem quando velhas ou danificadas. As células cancerígenas produzem novas células que não são necessárias e não morrem rapidamente quando velhas ou danificadas. Com o tempo, as células cancerígenas formam um nódulo chamado tumor. “O câncer colorretal, portanto, é um tumor originado no intestino grosso, que possui capacidade de enviar células para outros locais (metástases)”, destaca o médico, doutor Bruno Kunz Bereza.

Os sintomas mais frequentemente associados ao câncer do intestino são: sangue nas fezes; alteração do hábito intestinal (diarreia e prisão de ventre alternados); dor ou desconforto abdominal; fraqueza e anemia; perda de peso sem causa aparente; alteração na forma das fezes (fezes muito finas e compridas) e massa (tumoração) abdominal. Esses sinais e sintomas também estão presentes em problemas comuns (não câncer) e devem ser investigados para o diagnóstico correto e tratamento específico. A orientação é para sempre procurar um médico, que dará o encaminhamento necessário.

Tratamento

O tratamento do câncer colorretal consiste primordialmente em cirurgia. Envolve, porém, tratamento quimioterápico em muitos casos. Segundo o médico, doutor Bruno Kunz Bereza, cânceres de algumas localizações do intestino grosso respondem a radioterapia. O tratamento depende principalmente do tamanho, localização e extensão do tumor.

Publicidade:
Anterior IMPOSTO DE RENDA 2020: ESPECIALISTA DÁ DICAS E TRATA DE NOVAS REGRAS VIGENTES
Próxima NOVO CORONAVÍRUS E POSSÍVEIS IMPLICAÇÕES NAS RELAÇÕES DE TRABALHO