Brincar é a melhor alternativa para o desenvolvimento social, emocional e cognitivo das crianças

 

Com as aulas suspensas por todo o país devido à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), muitos pais têm buscado orientações e atividades para entreter os filhos, que agora passam os dias em casa, sem abrir mão das rotinas de estudo e trabalho. Para Mônica Lange, psicóloga do Grupo São Francisco – que faz parte do Sistema Hapvida -, o primeiro passo neste período é que os pais esclareçam para as crianças que, apesar do tempo livre, esse não é um período comum de férias.

“Trata-se de um momento oportuno para, além da diversão, estreitar os laços entre pais e filhos através de um diálogo sincero e construtivo. A criança precisa entender que não está em férias, assim como assimilar os protocolos de prevenção da doença”, orienta a especialista.

Por isso, é fundamental manter a rotina diária, como os horários para sono, estudo, alimentação e banho. “O que muda na programação são as horas de brincadeiras, que serão maiores neste período”, afirma Mônica.

Segundo ela, o brincar é a melhor alternativa para o desenvolvimento social, emocional e cognitivo dos pequenos e os adultos podem e devem participar desse universo. “O momento lúdico propicia uma interação proveitosa tanto para os pais quanto para os filhos. O adulto pode auxiliar a criança a lidar com algumas emoções, assim como estimulá-la ao propor problemas que demandam soluções”, explica.

Incluir as crianças nas tarefas do lar é uma maneira de desenvolver senso de responsabilidade, como manter a casa limpa e arrumada.

Além disso, a psicóloga do Grupo São Francisco diz que os pais não precisam fugir das telas (TV, tablet ou celular) como forma de distração durante o isolamento social. “Seu uso só precisa ser dosado, para garantir equilíbrio”, garante. “Brincadeiras antigas e exercícios de organização da rotina também são boas opções para fazer a meninada se movimentar”, completa.

Estudos em casa

Algumas escolas têm enviado conteúdos e atividades pedagógicas para serem realizadas durante a quarentena. Mônica Lange diz que é possível se adequar a essa nova realidade e que as palavras-chaves são: rotina e organização.

“Para manter a agenda diária, o ideal é que as crianças estudem e façam as atividades propostas no mesmo período em que frequentam a escola. Se ia pela manhã, devem estudar nesse horário, por exemplo”, frisa. “Também vale limitar os horários, pois as crianças não conseguem se concentrar por muito tempo. O mais importante é criar um ambiente organizado e propício para o aprendizado, desde que siga leve e divertido”, reforça.

Contudo, Mônica alerta que estudar em casa não é sinônimo de relaxamento. “Os pais devem ficar atentos para não ceder às sensações de relaxamento que o ambiente domiciliar traz. Se a criança se mostrar indisposta, insista.”

Diversão garantida

Para gastar a energia dos pequenos e ainda estimular a imaginação, a psicóloga do Grupo São Francisco indica uma série de atividades, como: patinação de meia, guerra de papel, dançar, criar brinquedo de sucata, desenhar, escrever cartinhas. Já para os maiores o quebra-cabeça, colecionar figurinhas, jogos de adivinhação, sessão de cinema em casa, caça ao tesouro e cuidar de plantas podem ser boas opções.

Confira as dicas de atividades educativas:

De 1 a 3 anos: contação de história; atividades de consciência motora, como engatinhar por debaixo das cadeiras da sala e escalar obstáculos; identificar cores.

De 4 a 6 anos: bingo de letras e números até 15; quebra-cabeça; jogo da memória; desenhos e pinturas; patinação de meia; guerra de bolinhas de papel e de almofadas; dançar; e cozinhar.

De 7 a 9 anos: mímica; jogos de tabuleiro; artesanato; experiências científicas, como um relógio de sol, por exemplo; cozinhar.

“As gincanas também são ótimas para integração, já que toda família pode participar. Opções não faltam, pode ser um esporte, dobradura, corrida de saco, entre outras”, finaliza.

Mônica Lange, psicóloga do Grupo São Francisco