Ter uma alimentação equilibrada garante uma vida mais saudável. Esse é um entendimento unânime na comunidade médica. O tema é tão relevante que fez com que o dia 29 de maio ficasse marcado como Dia Mundial da Saúde Digestiva, com o objetivo de mobilizar e orientar a população sobre a importância da prevenção e diagnóstico precoce de doenças do aparelho digestivo.

Na área oncológica, a alimentação é vista como uma ferramenta extremamente importante na prevenção, se somando a outros hábitos saudáveis essenciais, como a prática de exercícios físicos. Estudos, porém, tentam descobrir se alguns tipos específicos de dietas podem auxiliar no combate ao câncer quando já diagnosticado. Trata-se de uma discussão ainda sem conclusão, mas que ganha cada vez mais espaço no mundo científico.

“Poucos estudos realizados em humanos chegaram a alguma conclusão, muito devido à dificuldade de avaliar e interpretar os dados destes estudos, pois a maioria apresenta muitos erros e problemas dos métodos usados. Dentre os diversos tipos de intervenções dietéticas, uma dieta que simula o jejum apresentou dados promissores recentemente”, comenta o doutor Bruno Kunz Bereza, médico oncologista e especialista em cirurgia minimamente invasiva do Ceonc Hospital do Câncer.

Segundo Bereza, o caso com resultado animador foi observado por pesquisadores italianos e publicado durante congresso virtual no final de abril deste ano.  A análise envolveu dietas em que durante alguns períodos a pessoa faz refeições com níveis baixos de calorias, açúcares e proteínas e maior proporção de gordura, alternando com fases de realimentação com dieta balanceada, a fim de prevenir perda de peso.

“Dentre as evidências em modelos experimentais em culturas de células ou em modelos animais, houve evidência de que esse tipo de dieta está associado ao controle de algumas substâncias que são ‘alimentos’ para diversos tipos de tumores e, também, ao aumento de substâncias que derrotam alguns tipos de células cancerígenas”, explica o médico.

Recentemente, o estudo já havia apresentado bons resultados em testes in vitro e em animais. Agora, aplicado às mulheres com câncer de mama, as pesquisas foram feitas com foco na dieta que mimetiza o jejum com capacidade de modular fatores metabólicos que promovem a regressão da doença.

“Esse estudo foi realizado com pacientes com câncer de mama e a análise corrobora a importância de incorporar avaliação dietética no câncer de mama com dados importantes para estudos futuros.  As mulheres que fizeram a dieta orientada, obtiveram importantes reduções em fatores relacionados ao crescimento do câncer de mama como leptina e IGF-1”, detalha o doutor Bruno.

Os estudos ainda precisam confirmar a intensidade da restrição dos alimentos e a periodicidade desta conduta. O médico oncologista, Bruno Kunz Bereza, destaca, porém, que há um leque de questionamentos e oportunidades para a alimentação aumentar os benefícios de quimioterapias, hormonioterapias e outros tratamentos, em inúmeros tipos de câncer.

“Antes da tomada de qualquer decisão, é preciso que o paciente procure orientação de nutricionistas especialistas neste assunto e, também, envolva os oncologistas e demais médicos. É preciso ter cautela para que, aos poucos, possamos colher os benefícios das evidências apresentadas”, conclui Bereza.