Pilates na terceira idade melhora função cognitiva


Estima-se que 10 a 20% dos adultos com 65 anos ou mais tenham comprometimento cognitivo leve
São Paulo, 15 de outubro de 2020 – Mais uma vez, o Pilates se mostra benéfico para quem já passou dos 60 anos.

Um estudo publicado no International Journal of Environmental Research and Public Health apontou que um programa de 12 semanas de Pilates melhora a fluência verbal, a função executiva, força da parte inferior do corpo e flexibilidade funcional em mulheres com 60 anos ou mais.

Essa é uma ótima notícia frente ao envelhecimento populacional, já que pessoas com mais de 60 anos de idade representam 11% da população global – porcentagem que deve aumentar para 22% até 2050. O envelhecimento populacional representa desafios significativos para os sistemas de saúde em todo o mundo nas próximas décadas.

Felizmente, mudanças no estilo de vida, como a realização de aulas de Pilates, por exemplo, podem melhorar também a saúde do cérebro, o que reduz o risco de desenvolver declínios cognitivos leves ou a doença de Alzheimer, uma das formas mais graves de demência.

Opinião da especialista

Para Walkíria Brunetti, fisioterapeuta e especialista em Pilates, o estudo é um indicativo de que manter o corpo ativo também contribui para uma mente mais saudável. “Os benefícios do Pilates para a saúde física são bem conhecidos e documentados, por meio de diversos estudos ao redor do mundo. Nos últimos anos, percebemos que os pesquisadores estão interessados também em compreender como o Pilates atua no cérebro”, comenta.

O envelhecimento cognitivo é um aspecto crucial do envelhecimento. Problemas de memória, são muitos comuns em quem tem mais de 60. Perder chaves, esquecer objetos em lugares públicos, deixar a boca do fogão acesa e perder a fluência verbal. Esses são alguns exemplos do que pode ocorrer com o declínio cognitivo.

“A baixa função cognitiva e o declínio cognitivo têm sido associados à diminuição da capacidade funcional em relação às atividades da vida diária, bem como reduz a qualidade de vida na terceira idade. Portanto, quanto mais recursos estiverem disponíveis para retardar ou prevenir o declínio cognitivo, melhor”, reflete Walkíria.

Malhando o cérebro

O exercício físico desempenha um papel fundamental na proteção contra o declínio cognitivo, pois leva a mudanças estruturais e funcionais no cérebro que proporcionam benefícios biológicos e psicológicos consideráveis.

De acordo com os pesquisadores desse estudo, o exercício físico tem efeitos neuroprotetores e neuroplásticos nas estruturas cerebrais. Além disso, os movimentos do Pilates enfatizam a coordenação dos movimentos do corpo e da respiração rítmica, bem como a conexão entre o corpo e a mente.

Assim, as características do Pilates estão associadas ao aumento dos volumes do hipocampo e à estimulação dos lobos frontais – aspectos que desempenham um papel importante na preservação das funções cognitivas estudadas.

Pilates para todos

“O Pilates é uma combinação de exercícios de força, flexibilidade e equilíbrio. Tem como foco a estabilização lombo-pélvica, com a ativação dos músculos profundos do tronco, e busca uma conexão completa do corpo e da mente. O método não se limita a nenhuma faixa etária e, na verdade, tem sido amplamente recomendado para idosos, pois é um exercício de baixo impacto”, diz Walkíria.

Outro benefício do Pilates feito em aparelhos, chamado de Pilates Studio, é que é pode ser feito individualmente. O que nesse momento, da pandemia, é uma vantagem para os idosos, que estão no grupo de risco e precisam manter o distanciamento social.

Publicidade:
Anterior Enfrentando o luto diante da pandemia
Próxima Dia Mundial da Alimentação: mudanças nas normas de rótulos nutricionais é aprovada pela Anvisa