ANVISA aprova spray nasal de escetamina para o tratamento de sintomas depressivos em pacientes com Transtorno Depressivo Maior

Escetamina intranasal inaugura nova classe terapêutica e chega como uma das principais inovações para a doença nas últimas décadas
Medicamento é indicado para Depressão Resistente ao Tratamento (DRT) e para a rápida redução dos sintomas depressivos em pacientes adultos com comportamento ou ideação suicida aguda 
São Paulo, novembro de 2020 – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) acaba de aprovar SPRAVATO® (cloridrato de escetamina) para o tratamento de sintomas depressivos em pacientes adultos de duas subpopulações com transtorno depressivo maior (TDM):

• Depressão Resistente ao Tratamento (DRT) – quando há falha de duas terapias anteriores utilizadas nas doses e tempo adequados;• Rápida redução dos sintomas depressivos em pacientes adultos com TDM com comportamento ou ideação suicida aguda.

O medicamento é um spray nasal e deve ser usado em combinação com um antidepressivo oral.

“A depressão é uma doença frequente e incapacitante que afeta tanto os pacientes quanto as pessoas à sua volta. Esse é o primeiro tratamento com um mecanismo de ação realmente inovador aprovado em décadas e oferece uma nova opção para responder às necessidades não atendidas dos pacientes e da comunidade médica”, explica o Dr. Pedro do Prado Lima, psiquiatra do Instituto do Cérebro da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

Desenvolvido pela Janssen, farmacêutica da Johnson & Johnson, o spray nasal de escetamina é o primeiro de sua classe de medicamentos antidepressivos aprovado pela Anvisa e surge como uma das principais inovações para o tratamento da doença em décadas [1,2]. A escetamina intranasal age nos receptores de glutamato N-metil-D-aspartato (NMDA), que ajudam a restaurar as conexões sinápticas em células cerebrais de pessoas com depressão. Devido ao novo mecanismo de ação, o medicamento funciona de maneira diferente das terapias atualmente disponíveis para o TDM.

“Estamos muito orgulhosos em disponibilizar a escetamina intranasal para pacientes brasileiros com tipos de depressão bastante incapacitantes, para os quais as opções de tratamento eram escassas”, explica Fabio Lawson, psiquiatra e Diretor Médico da Janssen Brasil. “A aprovação da escetamina reflete o compromisso de longa data da Janssen com pesquisa para ajudar pessoas com doenças mentais, incluindo transtornos de humor graves”.

O medicamento tem demonstrado rápido início de ação com perfil risco-benefício favorável e tolerabilidade do paciente ao tratamento [3, 4, 5, 6]. Os resultados de dois ensaios clínicos idênticos de Fase 3 demonstraram que a escetamina em conjunto com a terapia padrão reduziu os sintomas depressivos em até 24 horas após a primeira dose [7]. Para assegurar seu uso correto, a escetamina intranasal será administrada em hospitais e clínicas autorizadas, sempre sob supervisão de um profissional de saúde .

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão afeta cerca de 300 milhões de pessoas de todas as idades e é considerada a doença mais incapacitante do mundo [8]. Embora os antidepressivos atualmente disponíveis sejam eficazes para muitos pacientes, cerca de um terço dos indivíduos não responde ao tratamento. No Brasil, aproximadamente 5,8% da população, o equivalente a mais de 10 milhões de pessoas, apresentam sinais de depressão, fazendo com que o país tenha a maior prevalência da doença na América Latina [9] .

“O Brasil ainda pode avançar nas políticas públicas relacionadas à saúde mental. Por exemplo, o código da Classificação Internacional de Doenças (CID) para depressão não é universalmente usado no Brasil para o diagnóstico formal da doença, o que significa que não há como mensurar adequadamente o tamanho dessa população. Esse é um transtorno que, quando tratado corretamente, os pacientes podem voltar a ser socialmente produtivos e, por isso, nos comprometemos a ajudar essa população de pacientes”, explica o Dr. Teng chei tung, Psiquiatria do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas – FMUSP.

A aprovação para tratar depressão resistente foi baseada em um robusto programa de ensaios clínicos que envolveu mais de 1.700 adultos com DRT sendo: três estudos de curto prazo; um estudo de manutenção de efeitos e outro que avaliou segurança a longo prazo.

Os resultados de curto prazo de quatro semanas, publicados no The American Journal of Psychiatry, com a escetamina intranasal associada a um antidepressivo oral, mostraram que os pacientes tiveram melhoras superiores nos sintomas da depressão quando comparados àqueles que utilizaram o antidepressivo oral e placebo.
Já os resultados do estudo de longo prazo, publicados na JAMA Psychiatry, mostraram que os pacientes que alcançaram a remissão (ou em outras palavras, um nível de melhora dos sintomas que grande parte dos sintomas incômodos) demonstraram uma redução de 51% na chance de recaída se continuassem utilizando o tratamento com escetamina intranasal, uma vez a cada duas semanas, em comparação com aqueles pacientes que deixaram de fazer o tratamento continuado com o spray intranasal.

Os eventos adversos mais comuns observados durante o tratamento com escetamina incluem dissociação, tontura, náusea, sedação, sensação de girar, visão embaçada, sentido reduzido de toque e sensação, ansiedade, falta de energia, pressão arterial elevada, vômito, parestesia e sensação de embriaguez [1].

“Estamos muito orgulhosos em compartilhar os dados sobre a manutenção dos efeitos do tratamento no momento da aprovação da escetamina, pois isso mostrará aos psiquiatras como o benefício obtido com a escetamina intranasal pode ser mantido ao longo do tempo”, comenta o Dr. Lawson.

Já a aprovação para a rápida redução dos sintomas depressivos em pacientes adultos com Transtorno Depressivo Maior com comportamento ou ideação suicida aguda foi baseada nos resultados de dois ensaios clínicos de Fase 3 que envolveram mais de 450 pacientes com transtorno depressivo maior com comportamento ou ideação suicida, incluindo pacientes brasileiros [10].

As análises avaliaram o uso combinado do spray nasal de escetamina com o tratamento padrão, que incluiu hospitalização voluntária por tempo determinado e terapia antidepressiva recentemente iniciada e/ou otimizada. Ambos os estudos mostraram que aqueles que receberam escetamina intranasal, além da terapia padrão, apresentaram melhora estatisticamente superior dos sintomas depressivos em até 24 horas após a primeira dose, quando comparado com placebo mais terapia padrão.

Nos dois ensaios de Fase 3, a melhora na gravidade da suicidalidade em 24 horas foi medida usando uma escala global padronizada. A diferença de tratamento entre os dois grupos não foi estatisticamente significativa neste desfecho secundário (endpoint) e, por isso, mesmo que o paciente apresente melhoras com as doses iniciais do medicamento, seu uso não dispensa a necessidade de hospitalização, caso clinicamente justificada.

Tanto a escetamina intranasal quanto o placebo em combinação com tratamento padrão mostraram uma redução semelhante nesse contexto [3,4].

O perfil de segurança observado nos ensaios foi consistente com estudos anteriores da escetamina em DRT, acrescentando-se evidências de segurança e eficácia. Os efeitos colaterais mais comuns incluíram dissociação (sensação de desconexão de si mesmo, de seus pensamentos, sentimentos, espaço e tempo), tonturas, sedação (sonolência), aumento da pressão arterial, hipoestesia, vômitos, humor eufórico e vertigem. Sobre Transtorno Depressivo Maior (Depressão)

A depressão é uma doença de base biológica caracterizada por tristeza persistente ou recorrente e perda de interesse em atividades, acompanhada pela incapacidade de desempenhar tarefas diárias por pelo menos duas semanas . Atualmente, é considerada a principal causa de incapacidade em todo o mundo [8].

O Brasil é o 5º país no mundo em número de pessoas com depressão9, . Dados do estudo observacional TRAL (Treatment-Resistant Depression in America Latina), realizado na América Latina com quase 1500 pacientes, demonstraram que no Brasil cerca de 40% das pessoas com transtorno depressivo maior têm depressão resistente.

Estudos mostram ainda que, a cada novo episódio, as chances de responder ao tratamento padrão diminuem consideravelmente. Enquanto as perspectivas de resposta na primeira linha de terapia são de 49%, quando a doença se torna resistente, esse número cai para 17% [14,15].

Sobre SPRAVATO® (escetamina) Spray Nasal

A escetamina intranasal está aprovada no Brasil para Depressão Resistente ao Tratamento (DRT) e para a rápida redução dos sintomas depressivos em pacientes adultos com TDM com comportamento ou ideação suicida aguda. O medicamento, utilizado em associação com antidepressivos orais, já é comercializado nos EUA, Canadá, União Europeia (UE) e vários outros países do mundo para a indicação de DRT.

Além disso, a agência regulatória americana Food and Drug Administration (FDA) aprovou recentemente o spray nasal de escetamina, utilizado em conjunto com um antidepressivo oral, para a rápida redução dos sintomas depressivos em pacientes adultos com TDM com comportamento ou ideação suicida aguda.

O produto não demonstrou efetividade na prevenção do suicídio ou na redução da ideação ou comportamento suicida. Mesmo que o paciente melhore com as doses iniciais de escetamina, o uso do medicamento não dispensa a necessidade de hospitalização, caso clinicamente justificada.

Sobre a Janssen

Na Janssen, estamos criando um futuro no qual as doenças são parte do passado. Somos a empresa farmacêutica da Johnson & Johnson, trabalhando incansavelmente para fazer com que esse futuro seja uma realidade para pacientes de todos os lugares. Combatendo as doenças com ciência, melhorando o acesso com engenhosidade e curando a falta de esperança com paixão. Focamos nas áreas da medicina em que podemos fazer a maior diferença: Oncologia e Hematologia; Imunologia; Neurociência; Doenças Infecciosas e Vacinas; Hipertensão Pulmonar; e Cardiovascular e Metabolismo. Para saber mais, acesse https://www.janssen.com/brasil/. Siga a Janssen Brasil no Instagram, Facebook e LinkedIn, e também a página de Carreiras J&J Brasil no Instagram, Facebook e LinkedIn.

A Janssen-Cilag Farmacêutica Ltda. é uma empresa da Janssen Pharmaceutical Companies of Johnson & Johnson.

REFERÊNCIAS
1. Duman RS. Ketamine and rapid-acting antidepressants: a new era in the battle against depression and suicide. F1000Research. 2018;7:F1000 Faculty Rev-659.
2. Dubovsky SL. What Is New about New Antidepressants? Psychotherapy and Psychosomatics. 2018;87(3):129-139.
3. Janssen Labels. Spravato. Acessado em 15/04/202. Disponível em: https://www.janssenlabels.com/package-insert/product-monograph/prescribing-information/SPRAVATO-pi.pdf
4. Singh JB, et al. Biol Psychiatry. 2016;80:424-31;
5. Popova V, et al. Am J Psychiatry. 2019;176:428-38.
6. Daly EJ, et al. JAMA Psychiatry. 2019;76(9):893-903
7. The Jornal of Clinical Psychiatry. Esketamine Nasal Spray for Rapid Reduction of Major Depressive Disorder Symptoms in Patients Who Have Active Suicidal Ideation With Intent: Double-blind, Randomized Study (ASPIREI). Available at: https://www.janssenlabels.com/package-insert/product-monograph/prescribing-information/SPRAVATO-pi.pdf
8. WHO, Depression, 22 March 2018, https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/depression
Depression and Other Common Mental Disorders: Global Health Estimates. Geneva: World Health Organization; 2017.
9. DJ Fu et al. Esketamine nasal spray for rapid reduction of major depressive disorder symptoms in patients who have active suicidal ideation with intent: double-blind, randomized study (ASPIRE I). J Clin Psychiatry 2020; 81:19m13191.
10. World Health Organization (WHO), Depression: What you should know, 2016-2017, https://www.who.int/campaigns/world-health-day/2017/handouts-depression/what-you-should-know/en/
11. Ferrari AJ, et al. PLoS Med 2013; 10(11): e1001547;
12. The TRAL Study: Treatment-Resistant Depression in America Latina. Interim analysis of the cross-sectional phase of a multicenter, observational study. Bernardo G.O. Soares, Janssen United Kingdom; AciolyL.T. Lacerda, Department of Psychiatry, Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, Brazil; Lina M. Agudelo-Baena, Centro De Investigaciones E.S.E Hospital Mental De Antioquia, Antioquia, Colombia; Gerardo García-Bonetto, Psychiatrist, Hospital Neuropsiquiatrico Provincial, Córdoba, Argentina; Juan L. Vázquez, Department of Psychiatry, Hospital Aranda de la Parra SA de CV, León, Gto. Mexico; Patricia Cabrera, Janssen Latin America, Bogota, Colombia. American Psychiatry Association (APA). 2019, San Francisco, CA
13. Rush AJ, et al. Am J Psychiatry 2006; 163(11): 1905-1917;
14. STAR*D Report, NCBI, Acute and longer-term outcomes in depressed outpatients requiring one or several treatment steps, November 2006, https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17074942
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