Emagrecimento: muito além do peso

Todo mundo que em algum momento da vida já tentou emagrecer sabe que é um processo “doloroso” fisicamente e, principalmente, mentalmente.

De maneira pragmática, para perder peso é necessário que o gasto calórico seja maior do que o ingesto, mas não é simples assim, certo? Se fosse, não seria tão desafiador eliminar aqueles quilos extras, não existiriam inúmeras dietas milagrosas, a pressão social por pessoas magras e, por fim, não teríamos a epidemia de sobrepeso e obesidade, cada vez mais alastrada pelo mundo.

Para contextualizar, devemos entender o sobrepeso e a obesidade como uma condição multifatorial, com interrelação das características individuais, sociais e ambientais. Agora repare ao seu redor. As pessoas estão acima do peso ou são magras? Qual é o perfil que você observa em sua casa, no seu prédio e no seu bairro? Qual a relação entre as famílias? E nas mídias socais, imprensa e entretenimento? Pois é, quando tratamos de emagrecimento, devemos ter uma visão holística. Portanto, vamos aos pontos.

Primeiramente, embora a história nos mostre que no passado, estar acima do peso era “moda”. Um exemplo disto é demonstrado pela escultura datada com mais de 20 mil anos a.C. Vênus de Willendorf, que representa a figura feminina com seios e abdômen bastante avantajados; ou ainda as mulheres de curvas volumosas nos quadros do artista Peter Paul Rubens (1577-1640).

Atualmente, o padrão de beleza atual é outro, composto invariavelmente por pessoas magras, principalmente mulheres, que são mais suscetíveis à imposição destes padrões e são as que mais sofrem com a insatisfação da imagem corporal.

Mesmo com essa imposição estética que afeta a população, é possível ver adeptos ao “seja gordinho, seja feliz com o seu corpo”. Isso não está errado, afinal, como citado anteriormente, essa pressão estética pode causar distúrbios psicológicos que acarretam inúmeros prejuízos, inclusive sociais. Não é incomum vermos modelos Plus Size sendo rechaçadas nas mídias, simplesmente por serem quem são e terem o corpo que tem, tratadas com desrespeito e humilhação. Nada justifica tais atitudes.

No entanto, a propagação de que não importa estar acima do peso e mensagens cômodas como “o importante é ser você mesmo(a) e ser feliz” precisam ser analisadas com muita cautela. Afinal, a obesidade é questão de saúde pública e deve ser tratada como tal.

– A prevalência de sobrepeso e obesidade está em ascensão, em especial nos países em desenvolvimento;
39% dos adultos no mundo estão acima do peso e 13% são obesos;

– Cerca de 38 milhões de crianças de até 5 anos estão acima do peso, aumentado para 340 milhões, na faixa etária de 5-19 anos;

– Filhos de pais obesos têm mais chance de serem crianças obesas;

– Crianças e adolescentes obesos têm uma probabilidade 5 vezes maior de se tornarem adultos obesos do que seus pares não obesos.

Portanto, temos que ter em mente que o emagrecimento vai muito além do peso, sendo mediado por uma linha bastante tênue. Se por um lado a imposição do estereótipo magro, com o único objetivo de atender aos padrões estéticos deve ser combatido; por outro, não podemos negligenciar que o sobrepeso e a obesidade estão em ascensão no mundo, possuem relação direta com uma infinidade de doenças, afetam todas as classes sociais e idades.

Assim, a palavra deve ser “cautela”, especialmente ao nos comunicarmos com crianças e adolescentes, afinal, são eles quem sofrerão a pressão de ambos os lados no futuro.

Autor: Rafael Luciano de Mello é especialista em Treinamento Desportivo, Prescrição do Exercício Físico, Gestão em Esportes e Fitness, e professor nos cursos de Licenciatura e de Bacharelado em Educação Física do Centro Universitário Internacional Uninter.

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