Como garantir o engajamento do colaborador na busca pela saúde física e mental na pandemia?

Especialista indica ações que as empresas podem fazer para preservar a qualidade de vida da equipe

Em uma busca rápida nos sites e redes sociais de empresas, percebe-se que há uma proliferação de dicas de como manter a saúde e qualidade de vida durante o home office obrigatório pela pandemia. Neste período, já está trivial encontrar guias desenvolvidos para instigar o colaborador a sustentar sua disposição, conforto e sua segurança mental e física.

À primeira leitura, dicas como levantar-se com frequência para esticar as pernas, ter uma garrafa de água ao lado, alimentar-se de forma saudável e fazer exercícios físicos são bastante úteis. No entanto, Lucila de Campos, co-founder e diretora médica da healthtech Precavida, questiona: será que realmente essa cartilha é suficiente para que o funcionário permaneça em bem-estar ao longo da quarentena?

O que as empresas podem fazer a mais para preservar a tranquilidade de sua equipe, que está pressionada pelo medo do Coronavírus, pelas incertezas em relação ao futuro financeiro da família e pela dificuldade de acesso a serviços médicos, sejam de urgência ou de rotina para controle de doenças crônicas?

Lucila lembra que, após um ano de pandemia, um estudo realizado por Brooks (2020) e divulgado em fevereiro deste ano, identificou cinco fatores principais de estresse durante a quarentena, que podem ter impacto direto na gestão ocupacional do negócio:

– a duração do isolamento social;
– o medo de infecção;
– a frustração e tédio;
– os suprimentos inadequados,
– as informações incorretas.

O mapeamento dos funcionários em relação à saúde física e mental neste momento é fundamental para o desenvolvimento de ações específicas de prevenção e promoção do bem-estar.

Lucila frisa que muitos pacientes pertencentes a grupos de riscos, como hipertensos e diabéticos, deixaram de fazer o acompanhamento das doenças crônicas. Além disso, a obesidade passa a ser um risco presente no dia a dia de todos com a restrição para as atividades físicas.

“Está ocorrendo uma maior prevalência dos transtornos de depressão, ansiedade, insônia, aumento do consumo de substâncias psicoativas e desenvolvimento de síndrome do pânico, com reflexo na produtividade dos profissionais e com possíveis consequências em longo prazo para o indivíduo não tratado. O maior desafio é engajar o funcionário com sua saúde”, destaca.

Sequelas em curto, médio e longo prazo

Para a diretora médica da Precavida, além do pagamento do seguro de saúde e indicações para autoajuda e contentamento do seu pessoal, as empresas devem reunir esforços no sentido de compreender as sequelas reais que a pandemia provocada pelo Novo Coronavírus apresenta sobre os cenários da saúde de suas equipes, em curto, médio e longo prazo.

Segundo Lucila, é preciso, ainda desenvolver planos individualizados para cada situação. “É eminente a necessidade de retomada das consultas médicas direcionadas, mesmo que à distância, a realização de exames periódicos de prevenção e controle e suporte psicológico e psiquiátrico específico mesmo nesta fase”, ressalta.

A médica chama a atenção para um estudo realizado em 2003 (MAUNDER; VICENT; et al. apud BROOKS, 2020) sobre os impactos psicológicos e ocupacionais imediatos do surto de SARS. De acordo com o documento, a disponibilização de um serviço de suporte via linha telefônica, composto por enfermeiras psiquiátricas especialmente focadas na assistência de pessoas para o período de quarentena, contribuiu de forma eficaz para reduzir os fatores de estresse.

Estou com sintomas. E agora?

No caso de infecção por Covid, Lucila recomenda que o funcionário deva receber um plano de ação para identificação da portabilidade do vírus e tratamento para si e para a família, com canais abertos para comunicação e informações de como fazer o teste e como proceder após o diagnóstico. “O medo da doença é paralisante e ter a certeza de quais os passos que devem ser tomados é essencial nesta hora”, explica a especialista.

Tais providências, se colocadas em prática a partir de agora, evitarão uma grande sobrecarga econômica relacionada à saúde no médio prazo, além de contribuírem – de maneira concreta – para promoção da comodidade e do aconchego do indivíduo.

A Precavida é uma startup embasada na Inteligência Artificial que, entre outros focos, tem por objetivo estimular a prevenção de problemas de saúde com cuidados antecipados para a conquista e manutenção do bem-estar dos clientes. Quando vinculada a convênios de saúde, indica iniciativas que visam a otimização dos serviços oferecidos aos usuários, o que contribui para o controle e até a redução dos custos operacionais dos planos associados.

Assim, diante desse cenário pandêmico, a Precavida auxilia na implementação dessas medidas, construindo um planejamento de quarentena individualizado e gerando novos diálogos entre as empresas e os colaboradores que estão distantes. “Mais do que nunca, é tempo de pensarmos em como podemos fazer com que nossa prática, em todos os contextos de atuação, seja uma ferramenta de acolhimento e restauração, encontrando novas formas de cuidado”, pontua Lucila.

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