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Senac Barretos

Infertilidade é maior nas mulheres com endometriose profunda

A endometriose, doença caracterizada pelo implante de um tecido que reveste a cavidade do útero, chamado endométrio, fora do útero, pode ser classificada em três subtipos: superficial, ovariano e profundo. E, este último, vem sendo associado a sintomas de dor mais intensos. Por isso, pesquisadores fizeram um estudo retrospectivo, que foi publicado na revista Reproductive Science. 

Chamada de  Deep Endometriosis: the Involvement of Multiple Pelvic Compartments Is Associated with More Severe Pain Symptoms and Infertility (Endometriose profunda: o envolvimento de múltiplos compartimentos pélvicos está associado a sintomas de dor mais graves e infertilidade, em português), a pesquisa afirma que pacientes com maior acometimento da endometriose profunda, além das dores mais severas, há mais chances de infertilidade. 

Foram analisadas 1.116 mulheres, submetidas à laparoscopia para tratamento de endometriose em dois centros de referência entre 2009 e 2019. Para a avaliação de cada sintoma, elas responderam a um questionário com uma pontuação de zero a dez. Também foi considerado o estado de fertilidade. 

Dentre os sintomas de dor, o mais frequente foi a dismenorreia (76,5%), a cólica menstrual aguda; seguida da dispareunia (44,2%), que é a dor profunda durante a relação sexual; e a dor pélvica acíclica (36,6%), aquela que não tem relação com o ciclo menstrual. 

“As dores, consideradas incapacitantes, fazem com que a mulher tenha uma péssima qualidade de vida. E isso pode limitar as atividades do dia a dia, inclusive acometer sua vida profissional”, conta o ginecologista Mauricio Abrão, Professor Associado de Ginecologia da FMUSP e um dos idealizadores do estudo. 

Outro dado que chama atenção é em relação a infertilidade, que esteve presente em 41,9% das pacientes. “A endometriose pode acometer as tubas uterinas. Esse órgão leva o óvulo até o útero, por isso pode ser uma das causas da infertilidade. Podem ocorrer também alterações hormonais e imunológicas que impeçam a gestação. Por outro lado, apesar de ser uma das principais causas de infertilidade (senão a principal), sempre que bem tratada as chances de engravidar são grandes”, explica o especialista, que é presidente da Associação Americana de Ginecologia Laparoscópica (AAGL) – primeiro médico de fora dos EUA a assumir a posição global. 

A pesquisa ainda traz a relação aos sítios da doença, os mais acometidos foram: ligamentos retrocervicais/uterossacrais (75,3%); o peritônio (64,6%), uma membrana que reveste a cavidade abdominal; o retossigmoide (47,7%), parte do intestino que tem o cólon e o início do reto; e ovários (33,4%). 

“Quanto mais existe a demora no diagnóstico, que hoje leva de sete a 12 anos, mais chances a doença tem de se espalhar e afetar outros órgãos. Por isso, é importante reforçar a investigação correta, diminuindo o tempo entre o começo dos sintomas e a detecção da doença”, alerta Mauricio Abrão, coordenador do Setor de Ginecologia Avançada da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo. 

A endometriose foi considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) um problema de saúde pública, já que interfere na qualidade de vida da mulher por conta das dores incapacitantes que provoca e da infertilidade. Somente em 2019, 11.790 brasileiras precisaram de internação por causa da endometriose. De acordo com a OMS, são sete milhões de brasileiras sofrendo com o problema. No mundo são 180 milhões.