Plataforma expande programa de afiliados no país e entra de vez na disputa do social commerce, ao lado de TikTok, Shopee e Amazon

Por Danilo Nunes
Com estratégias de social commerce ganhando protagonismo na creator economy, plataformas aceleram a expansão de seus programas de afiliados e avançam sobre o território dos marketplaces. Shopee, Amazon, TikTok e YouTube apresentam modelos distintos — com impactos diretos para criadores que buscam novas fontes de receita, marcas interessadas em conversão e as próprias plataformas.
Quatro meses após a chegada do TikTok Shop ao Brasil, durante o evento Made in YouTube 2025, o YouTube anunciou atualizações em inteligência artificial e a expansão do seu programa global de afiliados para o país, incluindo as ferramentas de shopping. A partir disso, criadores passaram a marcar e disponibilizar produtos para compra em vídeos e Shorts, reduzindo atritos na jornada de compra.
Com o anúncio, o YouTube Shopping iniciou oficialmente suas operações no Brasil em parceria com Mercado Livre e Shopee. A expansão permite que criadores incluam links de produtos diretamente em vídeos, transmissões ao vivo, Shorts e postagens. Para participar, é necessário integrar o Programa de Parcerias do YouTube (YPP), ter pelo menos 10 mil inscritos e atender aos critérios de elegibilidade da plataforma.
YouTube Shopping chega com força ao Brasil
A iniciativa global já conta com mais de 500 mil criadores e registrou crescimento de cinco vezes em GMV (Gross Merchandise Volume) em relação ao ano anterior. O programa cria uma nova fonte de receita para criadores, além de anúncios e patrocínios, e impulsiona formatos como Shorts, transmissões ao vivo e colaborações.
Com essa estratégia, o YouTube passa a monetizar diretamente as vendas. Antes, quando um criador fazia publicidade, a plataforma não lucrava de forma direta. Agora, o rastreamento das vendas é integrado e o conteúdo se transforma em uma vitrine de compras.
Para as marcas, a vantagem está em estruturar criadores como canais de venda, com métricas claras, relatórios e alcance orgânico consistente. A funcionalidade substitui o tradicional “link na bio” e o uso de UTMs, encurtando a jornada de compra e atribuindo conversões com mais precisão.
Os desafios envolvem preparar catálogos compatíveis, definir regras de comissão e logística e abandonar a lógica de campanhas isoladas para atuar em um ecossistema em que entretenimento gera confiança, confiança gera conversão e conversão retroalimenta o algoritmo.
No live commerce, a plataforma apresenta o modo de prática, que permite testar equipamentos e comunicação antes da transmissão ao público. Outra novidade é a transmissão simultânea em horizontal e vertical, atendendo tanto o público tradicional quanto os consumidores de Shorts.
Qual a diferença entre os programas de afiliados?
Os programas da Shopee e do TikTok Shop priorizam social commerce e lives, apostando na urgência para impulsionar conversões. As marcas ganham volume imediato, mas podem diluir sua identidade em ambientes dominados por descontos. Para criadores, há entrada facilitada, porém com necessidade de presença constante ao vivo.
O Amazon Associates segue o modelo clássico baseado em links, com grande distribuição e catálogo amplo, mas menor engajamento em comparação a formatos interativos.
O YouTube Shopping aposta na integração nativa, permitindo a marcação direta de produtos em vídeos, transmissões e Shorts. A plataforma se beneficia de criadores consolidados e audiências acostumadas a consumir reviews e tutoriais antes da compra. O catálogo ainda é mais restrito, priorizando integrações premium.
O que ainda falta descobrir sobre o YouTube Shopping no Brasil?
Ainda não há data confirmada para o lançamento completo, nem informações sobre percentuais de comissão ou critérios definitivos de elegibilidade para os canais. Também não foram divulgados detalhes sobre quais varejistas poderão participar da plataforma.
Na vertical de Creative Strategy da Thruster, o YouTube Shopping já vem sendo testado há cerca de um ano. É possível vender produtos próprios ou de terceiros, desde que o canal atenda aos requisitos do Programa de Parcerias do YouTube e não possua violações ativas das diretrizes da comunidade.
Danilo Nunes é professor e pesquisador da Creator Economy, CEO e fundador da Nudgy, primeira agência brasileira especializada em sistemas criativos com foco em performance, com atuação nacional e internacional.
