Com o avanço das plataformas financeiras digitais, cresce também o risco de empresas firmarem parcerias com soluções pouco transparentes ou fora das regras do sistema financeiro

O mercado de fintechs no Brasil vem crescendo de forma expressiva e consolidando o país como um dos principais polos da América Latina. Segundo o Distrito Fintech Report 2024, o Brasil concentra mais de 58% de todas as fintechs da região, com milhares de empresas oferecendo serviços que vão de meios de pagamento a crédito digital.
Dados recentes de pesquisas setoriais mostram que o volume de crédito concedido pelas fintechs de crédito digital alcançou R$ 35,5 bilhões em 2024, um aumento de 68% em relação ao ano anterior, com mais de 67,5 milhões de clientes pessoa física e cerca de 55 mil empresas atendidas, conforme dados do Banco Central do Brasil, no Relatório de Economia Bancária e levantamentos do Distrito.
Esse cenário de expansão impulsiona a inclusão financeira e a inovação de produtos, mas também traz desafios: nem toda fintech oferece o mesmo nível de governança, transparência, regulamentação e perfil de risco. Para empresários que dependem cada vez mais de soluções digitais, saber como distinguir uma fintech séria de uma fintech problema pode fazer a diferença entre crescimento sustentável e prejuízo operacional ou jurídico.
Segundo Felipe Franchi, CEO e fundador da Franchi, fintech especializada em soluções financeiras para empresas, “em um ambiente em que milhares de empresas digitais oferecem serviços financeiros, o empresário precisa olhar além do discurso e verificar aspectos como regulação, transparência, governança e histórico de mercado para não se expor a riscos desnecessários.”
A seguir, sete sinais que ajudam a identificar se uma fintech é confiável ou se pode representar um problema no futuro:
1. Transparência sobre instituição regulada
Fintechs sérias deixam claro quem é a instituição financeira autorizada pelo Banco Central responsável pela operação.
Como evitar problemas: confirmar que a fintech está vinculada a uma instituição autorizada e aparece em registros públicos de órgãos reguladores.
2. Contratos claros, sem linguagem ambígua
Empresas confiáveis apresentam termos objetivos sobre tarifas, limites, responsabilidades e penalidades.
Como evitar problemas: revisar cláusulas dúbias e exigir explicações por escrito antes de assinar.
3. Comunicação aberta e canais de suporte reais
Fintechs claras possuem atendimento acessível e identificam responsáveis técnicos e jurídicos.
Como evitar problemas: testar os canais de atendimento e verificar se há suporte jurídico e operacional disponível.
4. Promessas compatíveis com o mercado
Propostas irrealistas, como garantias de lucro ou ausência total de riscos, devem ser vistas com cautela.
Como evitar problemas: comparar promessas com práticas de mercado e com a cautela regulatória exigida pelo setor financeiro.
5. Conformidade com normas do Banco Central e LGPD
Fintechs sérias seguem normas de prevenção à lavagem de dinheiro e de proteção de dados.
Como evitar problemas: pesquisar políticas de compliance e certificações de segurança.
6. Histórico e reputação verificáveis
Empresas estruturadas têm histórico, parcerias conhecidas e presença institucional.
Como evitar problemas: buscar referências, notícias e avaliações de mercado.
7. Educação e orientação financeira
Fintechs responsáveis orientam o cliente sobre riscos, uso correto dos produtos e suas limitações.
Como evitar problemas: priorizar empresas que explicam riscos e oferecem material educativo, não apenas venda.
Para Franchi, o principal risco está na superficialidade da escolha. “Quando o empresário não entende quem está por trás de sua solução financeira, ele assume riscos que nem percebe. Fintech séria não apenas explica o produto, mas deixa claro quem regula, como responde perante falhas e quais são as responsabilidades de cada parte.”
O tema ganha ainda mais relevância diante da digitalização acelerada dos pagamentos, incluindo a popularização do Pix e outros meios instantâneos, que aumentou tanto a oferta quanto a complexidade dos serviços financeiros. Segundo dados do Banco Central do Brasil, o Pix já movimenta trilhões de reais por ano em transações, superando meios tradicionais em volume e velocidade, o que exige maior rigor técnico, jurídico e regulatório das plataformas que integram esse ecossistema.
