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Aumento de 7% na inflação dos alimentos faz restaurantes mudarem os cardápios

A inflação pode ter dado sinais de desaceleração em alguns momentos, mas seus efeitos ainda determinam o desempenho da alimentação fora do lar

Créditos: Divulgação

O mercado de bares e restaurantes comprimiu a recomposição de preços por anos. Entretanto, a alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), de 4,26%, divulgada pelo IBGE em 2025, ocorreu no mesmo contexto em que a inflação dos alimentos na alimentação fora do lar subiu 6,97%.

No acumulado entre 2020 e 2025, a inflação da alimentação fora do lar chegou a 44,05%. Os alimentos, impulsionados por proteínas e hortifrúti, registraram alta de 54,20% no mesmo período. Ao mesmo tempo, o setor repassou aumentos em ritmo inferior ao avanço dos insumos, absorvendo parte relevante dos custos no food service para preservar o fluxo de clientes. As despesas com energia, gás, embalagens e mão de obra também impactaram a formação de preços, de acordo com o portal especializado Food Connection.

Esse cenário evidencia que a inflação alta provocou mudanças generalizadas no cardápio dos estabelecimentos, já que foi necessária a revisão de ingredientes, composições e estratégias de precificação para equilibrar margens e manter a competitividade.

Muitos estabelecimentos reduziram o número de itens, priorizaram pratos com melhor desempenho financeiro e substituíram ingredientes mais caros por alternativas viáveis. A engenharia de cardápio ganhou protagonismo como ferramenta para proteger a rentabilidade sem comprometer a percepção de valor na alimentação fora do lar.

A relação com fornecedores também passou por revisão. Negociações mais frequentes, diversificação de parceiros e busca por melhores prazos tornaram-se práticas recorrentes. A redução da dependência e o aumento do poder de barganha viraram estratégias para controlar os custos no food service.

Além disso, as porções servidas passaram por reajustes. Alguns donos de restaurantes optaram por ajustes no tamanho para evitar aumentos expressivos no cardápio. Outros preferiram aplicar o reajuste diretamente no preço. Em ambos os casos, o equilíbrio entre custo e percepção de valor tornou-se decisivo, já que o consumidor está mais atento e sensível a alterações na alimentação fora do lar.

Boas perspectivas

Segundo levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), 62% dos empresários esperam aumento do faturamento em 2026 e 48% acreditam em melhora da economia ao longo do ano.

Os dados mostram que, apesar da pressão da inflação dos alimentos e da elevação dos custos no food service, há expectativa de recuperação gradual no mercado de bares e restaurantes.