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NR-1 entra em vigor em dois meses e pressiona empresas por adequação imediata

Créditos: Freepik

Em meio à crise de saúde mental no país, com recorde de afastamentos por transtornos mentais em 2025, o burnout ganha protagonismo como um dos principais riscos à produtividade e à sustentabilidade das empresas. Desde 2019, a condição é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como “uma síndrome resultante de estresse crônico no trabalho que não foi gerido com sucesso”, reforçando que sua origem está diretamente ligada às condições de trabalho e não apenas a fatores individuais.

Dados recentes ajudam a dimensionar esse cenário. Levantamento da HR Tech Gupy mostra que cerca de 4 em cada 10 profissionais já sinalizam algum tipo de risco psicossocial, como ambientes tóxicos, excesso de demandas e jornadas longas e imprevisíveis, fatores diretamente associados ao esgotamento. Esses riscos atravessam empresas de todos os portes, atingindo 58,73% dos profissionais em pequenas empresas, 53,60% em médias, 58,85% em grandes e até 45,90% em companhias muito grandes, evidenciando que o problema é estrutural e disseminado.

Ao mesmo tempo, há um recorte importante de intensidade por setor e por perfil. Áreas como varejo, educação e marketing concentram os maiores índices de profissionais em faixa crítica para burnout, impulsionadas por rotinas de alta pressão, metas agressivas e forte interação com o público. E esse cenário se agrava quando olhamos para gênero: 74% das mulheres relatam acúmulo de funções no ambiente de trabalho, o que amplia a exposição à sobrecarga.

Dados inéditos de mapeamento conduzido pela Conexa e Zenklub aprofundam esse diagnóstico. Foram mais de 10.800 respostas analisadas em 59 empresas, com avaliação de 19 fatores de risco psicossocial . O principal destaque é que 93% das empresas apresentam alto risco relacionado à exigência constante de concentração, atenção e memória, um sinal claro de sobrecarga cognitiva como padrão organizacional. Outros fatores também aparecem de forma recorrente, como ritmo intenso de trabalho, multitarefa, metas rígidas e ausência de pausas estruturadas .

É nesse contexto que entra a atualização da NR-1, que passa a exigir que empresas identifiquem, monitorem e atuem sobre riscos psicossociais no ambiente de trabalho, com fiscalização prevista a partir de 2026. Na prática, isso significa que aquilo que antes era tratado como uma questão individual, estresse, sobrecarga e burnout passa a ser um risco organizacional mensurável, com exigência de gestão ativa, indicadores e planos de ação.