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Transtorno Bipolar: quando a internação pode salvar vidas

Créditos: Divulgação

crise de transtorno bipolar pode ocorrer a qualquer momento e exige reconhecimento rápido por parte de familiares e cuidadores. Por isso, é fundamental que o paciente seja diagnosticado precocemente e receba o tratamento adequado. Uma das possibilidades terapêuticas é a internação psiquiátrica, que pode surtir efeitos bastante positivos quando indicada corretamente.

Basicamente, a bipolaridade — como esse transtorno também é chamado — é um distúrbio psiquiátrico marcado pela alternância entre a euforia (mania) e a depressão. Bastante complexo, apresenta crises com duração, frequência e intensidade variáveis, tornando o manejo clínico um desafio constante.

Neste conteúdo, o Dr. Guilherme Shirakawa, psiquiatra do Hospital Santa Mônica, explica em detalhes sobre esses episódios e os critérios que indicam a necessidade de hospitalização.

O que é a Crise de Transtorno Bipolar?

A crise de transtorno bipolar é um episódio em que o indivíduo se encontra na fase de depressão ou de mania (euforia intensa). No primeiro caso, tende ao isolamento e à retração. No segundo, apresenta um estado psíquico instável no qual é difícil manter a funcionalidade e a segurança.

É importante especificar que a depressão bipolar pode compartilhar características com a depressão unipolar, porém com tendência mais marcada ao isolamento. Já a mania envolve excitação, impulsividade e comportamentos de risco.

O transtorno afetivo bipolar é caracterizado por alterações acentuadas de humor com impacto significativo nas emoções, no comportamento, nas relações interpessoais e na cognição. A intensidade pode variar de leve a grave, gerando perda progressiva de autonomia, identidade e qualidade de vida.

🔬 Evidência científica De acordo com o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª edição) e a CID-10/CID-11, o transtorno bipolar afeta cerca de 1% a 2,5% da população mundial ao longo da vida, sendo uma das principais causas de incapacidade entre adultos jovens (OMS, 2023).

Como é o Surto de um Bipolar? Sinais e Sintomas

O surto pode acontecer de duas maneiras distintas. Reconhecer os sinais de cada fase é essencial para buscar ajuda no momento certo.

Episódio Depressivo

Na fase depressiva, o paciente tende a evitar situações sociais e vive um período de profunda tristeza, que pode durar de semanas a anos. Os principais sinais incluem:

  • Ausência de vontade para atividades cotidianas e autocuidado
  • Negligência com higiene pessoal e com o ambiente
  • Pessimismo acentuado em relação ao futuro e perda de esperança
  • Distanciamento afetivo: os acontecimentos ao redor não causam impacto
  • Ideação suicida — que pode se concretizar sem tratamento adequado

Episódio Maníaco

O episódio de mania é marcado pela instabilidade e pela aceleração dos pensamentos e comportamentos. Os principais sinais incluem:

  • Necessidade de sono reduzida sem sensação de cansaço
  • Exposição a comportamentos de risco (financeiros, sexuais, físicos)
  • Intensificação de compulsões: alimentação, compras, jogos e sexualidade
  • Grandiosidade, autoestima inflada e irritabilidade
  • Fala acelerada, pensamentos em fuga e dificuldade de concentração

A transição entre as duas fases pode ocorrer de forma rápida, já que o paciente apresenta alta capacidade de alternar entre esses estados de humor. Vale lembrar que o humor, diferentemente do estado emocional pontual, é algo mais duradouro e perene — seus extremos são justamente a depressão e a euforia.

O que pode desencadear a Crise de Transtorno Bipolar?

As causas de uma crise no transtorno bipolar são multifatoriais. Entre os principais fatores desencadeantes, destacam-se:

  • Episódios frequentes de depressão ou início precoce das crises na vida do paciente
  • Estresse prolongado e exposição a eventos traumáticos
  • Puerpério (período pós-parto), especialmente nas primeiras semanas
  • Uso de remédios inibidores de apetite, como anfetaminas e anorexígenos
  • Disfunções da tireoide (hipotireoidismo e hipertireoidismo)
  • Privação de sono e uso de substâncias psicoativas

A causa efetiva do transtorno bipolar ainda não foi completamente determinada pela ciência. Pesquisas apontam para a combinação de fatores genéticos, alterações nos níveis de neurotransmissores (dopamina, serotonina e noradrenalina) e mudanças estruturais em regiões específicas do cérebro, como o córtex pré-frontal e a amígdala.

O que fazer quando a pessoa está em Crise Bipolar?

Os períodos de crise podem durar dias ou meses. Com o tratamento adequado, é possível reduzir a frequência e a intensidade dos episódios. Além do suporte clínico, o ambiente familiar tem papel fundamental. Algumas orientações essenciais:

  • Evite discussões e embates diretos — isso tende a agravar o estado emocional do paciente
  • Mantenha calma ao falar e use um tom de voz tranquilo para evitar ações impulsivas
  • Adote uma postura positiva, especialmente nos episódios depressivos
  • Não facilite comportamentos de risco nem trate o paciente como vítima — incentive a realização de tarefas dentro de suas capacidades
  • Jamais julgue a condição do paciente bipolar
  • Preste atenção ao que é dito: pacientes em crise tendem a agir conforme verbalizam. Se houver menção a suicídio ou a outras situações graves, procure imediatamente ajuda especializada
⚠️ Atenção ao risco de suicídio O transtorno bipolar está associado a um risco de suicídio 20 a 30 vezes maior do que na população geral (Goodwin & Jamison, 2007). A ideação suicida deve sempre ser levada a sério e avaliada por um profissional de saúde mental. Em caso de risco imediato, ligue para o CVV (188) ou acesse uma UPA ou pronto-socorro psiquiátrico.

Quando Internar o Paciente com Transtorno Bipolar?

A internação do paciente com transtorno bipolar depende da gravidade do caso. Segundo o DSM-5 e a CID-10, o transtorno é classificado nos seguintes tipos:

Tipos de Transtorno Bipolar e Indicação de Internação

Tipo Características principais Internação
Tipo I Episódios graves de mania e depressão; alto risco de suicídio; comprometimento de relacionamentos e carreira Frequentemente indicada
Tipo II Alternância entre depressão e hipomania (euforia mais leve); pouco prejuízo funcional Raramente indicada
Misto Coexistência de sintomas depressivos e maníacos no mesmo episódio; mais imprevisível Avaliação caso a caso
Ciclotímico Forma mais leve; variações de humor no mesmo dia; pode ser confundido com temperamento instável Geralmente não indicada

Principais Critérios para Indicação de Internação

A internação psiquiátrica é indicada quando há situações de risco concreto. Os principais critérios incluem:

  • Risco de suicídio ou de comportamentos autolesivos
  • Risco de heteroagressividade (dano a terceiros)
  • Incapacidade de cuidados básicos de higiene e alimentação
  • Não adesão ao tratamento ambulatorial ou recusa de medicação
  • Episódio maníaco grave com comportamentos de risco iminente
  • Necessidade de ajuste de medicação em ambiente controlado

É fundamental realizar o diagnóstico correto com um psiquiatra e contar com uma equipe multidisciplinar para definir a melhor abordagem terapêutica.

Quais os Benefícios da Internação para o Tratamento?

O tratamento do transtorno bipolar é realizado com acompanhamento psiquiátrico e psicológico contínuo. Em determinados momentos, a internação hospitalar permite uma abordagem mais abrangente e intensiva, com benefícios claros:

  • Ambiente seguro e controlado, afastando o paciente de fatores de risco
  • Ajuste de medicação com monitoramento clínico em tempo real
  • Acesso a diversas terapias integradas: psicoterapia, terapia ocupacional, grupos terapêuticos
  • Suporte psicoeducacional para o paciente e seus familiares
  • Estabilização do sono e da rotina, essenciais para o controle do humor
  • Vigilância contínua, especialmente nas situações de risco de vida

Portanto, a internação tem impacto positivo significativo quando há risco de morte — para o paciente ou para seus familiares. Ainda que seja uma medida de caráter emergencial, o acompanhamento contínuo em hospital psiquiátrico é recomendado sempre que essas condições se apresentarem.

Por que Contar com o Hospital Santa Mônica?

O Hospital Santa Mônica tem mais de 55 anos de experiência e é especializado no tratamento de transtornos mentais. O objetivo institucional é garantir a reabilitação da saúde física e mental e promover a reintegração social do paciente.

A estrutura conta com área superior a 83 mil m², sendo 50 mil m² de Mata Atlântica preservada, favorecendo o contato com a natureza e contribuindo para o bem-estar durante o período de internação.

Equipes multidisciplinares estão disponíveis para a realização de um tratamento humanizado para o paciente e sua família, aumentando as taxas de sucesso no processo de recuperação.

📞 Precisa de ajuda? Entre em contato com o Hospital Santa Mônica para conversar com nossa equipe especializada e descobrir como podemos apoiar você e sua família no tratamento do transtorno bipolar.

Conclusão

A crise de transtorno bipolar exige atenção, cuidado e, acima de tudo, suporte profissional qualificado. A internação psiquiátrica não é o recurso mais comum, mas pode ser decisiva nos casos de risco de vida ou de grave comprometimento funcional. O diagnóstico preciso, o acompanhamento contínuo e o suporte familiar são os pilares de um tratamento eficaz.

Se você identificou sinais de crise em um familiar ou conhecido, não espere. Busque avaliação psiquiátrica o quanto antes.

Referências Bibliográficas

[1] American Psychiatric Association. DSM-5: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. 5ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.

[2] Organização Mundial da Saúde. CID-10: Classificação Estatística Internacional de Doenças. Genebra: OMS, 1992.

[3] Goodwin FK, Jamison KR. Manic-Depressive Illness: Bipolar Disorders and Recurrent Depression. 2ª ed. Nova York: Oxford University Press, 2007.

[4] Brasil. Lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001. Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais. Brasília: Senado Federal, 2001.

[5] Sociedade Brasileira de Psiquiatria. Diretrizes para o tratamento do transtorno bipolar. São Paulo: SBP, 2021.

[6] Organização Mundial da Saúde. Mental Health Atlas 2023. Genebra: OMS, 2023.

Este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa e não substitui a consulta médica.

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