Flatulência excessiva pode causar distensão abdominal, desconforto e dores fortes no abdômen e/ou no tórax

Os gases são resultado do acúmulo de ar no sistema digestivo, liberados pelo ânus (flatos) ou pela boca (arrotos ou eructação) e ocorrem devido a um processo normal, a fermentação, durante a digestão dos alimentos. Normalmente, não são motivo de preocupação, mas, em excesso, acendem o alerta para questões de saúde.
Os quadros que exigem atenção incluem distensão abdominal, desconforto e dores fortes no abdômen e/ou no tórax. O excesso de gases pode ser caracterizado por mal-estar geral, fisgada no peito, azia, barriga dura, falta de ar, prisão de ventre e até dor nas costas, como informa estudo da Lewis Katz School of Medicine at Temple University. Nesses casos, o paciente pode ser orientado sobre o que é a ecoendoscopia alta a fim de identificar a origem do problema.
Quando há dor abdominal prolongada, sangue nas fezes, mudanças na cor, textura ou na frequência em que se evacua, dores constantes no peito, perda de peso não intencional, náusea ou vômitos recorrentes, também é necessária a investigação.
O médico poderá avaliar a necessidade de realização de colonoscopia para auxiliar no diagnóstico, orientando o paciente sobre o que é o exame, para que serve, preparação e também cuidados após a colonoscopia.
O estudo da Lewis Katz School of Medicine at Temple University afirma que cerca de 75% dos flatos são derivados da fermentação das bactérias colônicas dos nutrientes ingeridos e glicoproteínas endógenas.
O metabolismo bacteriano produz hidrogênio, metano e dióxido de carbono, e o odor dos flatos está relacionado à concentração de sulfeto de hidrogênio. Com relação aos arrotos, segundo o estudo, existe maior probabilidade de ocorrerem logo após as refeições ou durante um período de estresse.
Quando o excesso de gases pode indicar que algo não vai bem
As pessoas eliminam gases, geralmente, de 13 a 21 vezes por dia, totalizando 0,6 a 1,8 litros. Estima-se que um homem libere entre 14 e 25 gases por dia, enquanto uma mulher, de 7 a 12, conforme estimativa dos órgãos de saúde.
Caso o número ultrapasse essa média, pode haver flatulência excessiva, que pode ser ocasionada por fatores como uso de gomas de mascar, fumo, falar muito durante as refeições, mania de morder objetos, ingestão de bebidas gaseificadas e comer muito rápido.
“Os gases se acumulam no estômago e são eliminados por meio da eructação. Quando isso não ocorre, são transportados até o intestino delgado, onde são parcialmente absorvidos, e o restante se dirige ao intestino grosso, sendo eliminados pelo ânus, na forma de flatos”, explica a gastroenterologista e endoscopista, Aline Casado.
A quantidade de gases pode aumentar em casos de constipação intestinal. Se a dieta é equilibrada e, ainda assim, há flatulência excessiva, o sintoma pode estar ligado a outras condições médicas, como prisão de ventre, gastroenterite infecciosa, intolerâncias alimentares, doença celíaca, doenças do aparelho digestivo e intoxicações alimentares.
Alguns grupos de alimentos são mais fermentáveis e, por isso, levam ao aumento da flatulência. É o caso de leguminosas, como feijão, grão-de-bico e lentilha; vegetais crucíferos, como repolho, couve-flor, brócolis e alcachofra; e lactose, que é o açúcar do leite.
Também fazem parte da lista de alimentos fermentáveis o amido, incluindo batata, cereais e trigo; o sorbitol e a frutose, que são carboidratos contidos naturalmente em diversos alimentos e muito usados como adoçantes em produtos industrializados; e as fibras, que são carboidratos não digeríveis e podem sofrer fermentação pelas bactérias intestinais.
Segundo a médica, a flatulência excessiva pode ser causada também pela aerofagia, que é a ingestão de ar em quantidade anormal, comum em quem possui o hábito de mascar chicletes e em profissionais que trabalham com a fala, como professores, jornalistas e radialistas.
As causas podem estar, ainda, relacionadas à má digestão; hipocloridria, que é redução do ácido gástrico por uso crônico dos alguns medicamentos, gastrite atrófica e gastrectomias; disbiose, parasitoses e síndrome do intestino irritável (Sll).
“O uso de antiácidos e de antibióticos pode alterar a flora intestinal e, assim, o processo de fermentação dos microrganismos, o que colabora para o aumento da produção de gases intestinais”, aponta a médica de Saúde Familiar, Clarisse Bezerra.
