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Supermercados de São Paulo podem perder até R$ 1,2 bi ao ano em produtos refrigerados com redução da jornada de trabalho

Levantamento inédito aponta janelas de até 34 horas sem inspeção humana direta sobre sistemas críticos, como a refrigeração de alimentos

Levantamento inédito aponta janelas de até 34 horas sem inspeção humana direta sobre sistemas críticos, como a refrigeração de alimentos
Divulgação

O avanço do Projeto de Lei nº 1.838/2026 sobre o fim da escala de trabalho 6×1, que pode ser votada ainda este mês, traz como um dos principais pontos de debate a viabilidade operacional desse novo cenário para o empregador. No setor de supermercados, algumas das soluções apontadas têm sido a redução do horário de abertura de supermercados e o fechamento aos domingos. Além de questões sobre fluxo de vendas e manutenção do quadro de colaboradores, algo importante a ser considerado é o impacto dessa decisão no consumo de energia elétrica – que influencia diretamente a margem do varejo.

Um levantamento do NEO Estech, plataforma brasileira de inteligência de dados para monitoramento e gestão de equipamentos especializada em eficiência energética no varejo alimentar, aponta para um cenário paradoxal: por um lado, os supermercados de São Paulo podem economizar cerca de R$ 145 milhões ao ano com melhorias na gestão do consumo de energia. Ao mesmo tempo, quando não há o devido cuidado, os riscos de perdas de mercadorias por falhas energéticas podem chegar a R$ 1,2 bilhões no futuro, considerando a redução da jornada.

O racional é bastante simples: a loja reduz o horário de funcionamento e ninguém vai trabalhar, mas a energia não para de funcionar.  Na prática, o fechamento prolongado cria janelas de até 34 horas sem inspeção humana direta sobre sistemas críticos, como refrigeração, climatização e geradores de energia, ampliando o risco de falhas silenciosas e perdas de mercadorias. Por outro lado, se o sistema de eficiência energética for preparado para este novo cenário, é possível reverter o quadro e gerar economia.

Segundo Sami Diba, CEO do NEO Estech, os dados consideram supermercados que consomem cerca de 100 mil kWh/mês, e atacarejos que consomem 250 mil kWh/mês — números considerados pela companhia como a média de consumo das lojas no Brasil. Atualmente, com as unidades abrindo todos os dias, já é possível estimar uma economia de 6% a partir do uso de sistemas de monitoramento e gestão energética eficiente.

“Quando acontece alguma falha enquanto a loja está fechada, normalmente o problema só é percebido quando já virou prejuízo. Câmaras frias, expositores, ar condicionado, compressores, válvulas, ventiladores e controladores devem seguir operando, mantendo alimentos perecíveis dentro de faixas mínimas de temperatura, muitas vezes sob condições de calor intenso. Se alguma falha ocorrer dentro desse período, toda a economia gerada pode se transformar em custo”, explica o CEO.

O problema, segundo o executivo, é que esse tipo de falha nem sempre se manifesta de forma imediata ou visível. “Pequenas variações de temperatura, falhas intermitentes ou mau funcionamento de componentes críticos podem comprometer a qualidade dos produtos sem que haja um alerta claro. Isso traz um risco relevante para a reputação da marca. Produtos fora do padrão, mesmo quando não geram descarte imediato, podem afetar a experiência do consumidor, aumentar reclamações e expor a rede a questionamentos sobre segurança alimentar”, acrescenta.

O relatório da empresa também aponta que, em São Paulo, onde a margem líquida do faturamento equivale a mais de R$ 8 bilhões, o impacto adicional das perdas de mercadoria pode chegar a 7% — ou seja, R$ 612 milhões perdidos anualmente.

“A Associação Brasileira de Supermercados, ABRAS, já identificou que perdas de produtos levam embora 1,87% do faturamento. Em SP, isso significa mais de R$ 6 bilhões. Mesmo se considerarmos só 10% desse valor como risco real, devido a falhas de equipamentos de refrigeração, ainda são R$ 612 milhões perdidos”, pontua Sami. “Nossa perspectiva é que o fechamento aos domingos, sem monitoramento e cuidados com refrigeração e falhas decorrente de falta de energia, vá ao menos subir o risco para 20%. É daí que vem o dado de R$ 1,2 bi em mercadorias perdidas no futuro”.

“Entendo que a gestão da redução da escala 6×1 e da jornada de trabalho para 40 horas não é apenas uma decisão trabalhista ou de eficiência energética, mas sim uma decisão que exige uma abordagem mais robusta de gestão de risco. Sem processos adequados de monitoramento, protocolos de resposta rápida e visibilidade em tempo real sobre a infraestrutura crítica, a economia obtida com a redução do consumo de energia pode ser facilmente anulada por perdas mais severas”, finaliza Sami.

Sobre o NEO Estech

Fundado em 2020, o NEO Estech é uma plataforma avançada de Inteligência de Dados para monitoramento e gestão de equipamentos, fornecendo insights intuitivos para otimizar o consumo de energia, reduzir a manutenção, evitar desperdícios e digitalizar processos. Com tecnologia própria e operação 100% bootstrapping, o NEO conecta mais de 200 mil sensores em seis países, oferecendo soluções de IA em nuvem, predição de falhas, automação e análise de performance em tempo real. Está presente em grandes redes como Carrefour, Atacadão, Assaí, Savegnago, Tauste e Confiança. Saiba mais: https://neoestech.com/