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Onde assistir aos jogos da Copa? Bares e restaurantes disputam a escolha do torcedor

Alta no movimento durante os jogos pode elevar receitas em até 30%, enquanto consumidor ganha mais opções, ofertas e experiência

Créditos: Divulgação

O setor de bares e restaurantes deve registrar picos de faturamento durante a próxima Copa do Mundo, repetindo um comportamento já observado em edições anteriores. Na Copa de 2022, o segmento de alimentação fora do lar teve aumento médio de até 30% no faturamento em dias de jogos do Brasil, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). Em grandes capitais, estabelecimentos chegaram a dobrar a receita em partidas decisivas.

Marcelo Marani, professor, empreendedor do foodservice e fundador da Donos de Restaurantes, afirma que o período evidencia uma diferença clara entre os negócios. “Tem restaurante que ganha muito e outros que perdem dinheiro mesmo com a casa cheia. E também tem os que ficam vazios mesmo em dia de jogo. O que define isso não é o evento, é a forma como o negócio está estruturado”, diz.

Assistir aos jogos fora de casa já virou hábito para boa parte dos brasileiros. Levantamento da NielsenIQ indica que mais de 60% preferem acompanhar grandes eventos esportivos em grupo, o que impulsiona bares, pubs e restaurantes. Isso se traduz em maior tempo de permanência e aumento no consumo, especialmente de bebidas e porções compartilhadas.

“O cliente não vai só assistir ao jogo, ele quer viver aquele momento. E ele escolhe onde vai com base nisso. Se o lugar não entrega experiência, ele simplesmente não volta ou nem entra”, afirma.

Essa escolha do consumidor explica por que alguns estabelecimentos lotam enquanto outros permanecem vazios. Casas que investem em transmissão de qualidade, atendimento ágil e ambiente organizado tendem a concentrar o público. Já negócios sem preparo operacional ou proposta clara acabam ficando fora do radar, mesmo em datas de alta demanda.

Ao mesmo tempo, esse cenário joga a favor do consumidor. Com mais concorrência, bares e restaurantes passam a disputar atenção com promoções, combos e experiências diferenciadas. Para quem escolhe bem, isso pode significar melhor custo-benefício e uma experiência mais completa.

O aumento da oferta cria mais opções, mas também exige critério na escolha. Nem sempre o lugar mais cheio será o melhor. Avaliar estrutura, atendimento e proposta do ambiente faz diferença direta no resultado da experiência.

Segundo Marani, a base começa pela transmissão. Telões bem posicionados, som equilibrado e boa visibilidade são essenciais para acompanhar o jogo sem frustração. O conforto também pesa. Ambientes muito cheios tendem a comprometer o atendimento e tornar a experiência mais cansativa.

O cardápio entra como outro ponto relevante. Casas que operam com opções mais enxutas durante os jogos conseguem servir mais rápido, o que reduz o tempo de espera. Para o cliente, isso significa menos fila e mais agilidade nos pedidos.

As promoções chamam atenção, mas nem sempre representam vantagem real. Combos e ofertas podem valer a pena, desde que o consumidor avalie quantidade, qualidade e preço final. Em muitos casos, o barato pode sair mais caro.

O perfil do local também influencia. Há bares voltados para festa, outros com foco gastronômico e espaços mais familiares. Escolher de acordo com o tipo de experiência desejada evita frustração.

“O consumidor que observa esses pontos consegue aproveitar melhor e até gastar menos. A Copa amplia as opções, mas também exige mais atenção na escolha”, afirma.

Do lado dos empresários, o desafio é transformar o aumento de movimento em resultado financeiro. E isso começa antes do primeiro jogo.

Na prática, o preparo passa por uma sequência de decisões. O primeiro passo é projetar a demanda com base no calendário dos jogos e no histórico do próprio restaurante. A partir disso, o ajuste de estoque se torna essencial para evitar tanto ruptura quanto desperdício.

Em seguida, a operação precisa ser adaptada para ganho de velocidade. Cardápios mais enxutos, foco em itens de alto giro e padronização dos processos ajudam a cozinha a suportar o aumento de pedidos sem perder qualidade.

A equipe também precisa ser dimensionada de forma estratégica. Escalas mal planejadas geram sobrecarga, atrasos e falhas no atendimento, enquanto equipes bem distribuídas conseguem manter o fluxo mesmo em momentos de pico.

Outro ponto crítico é a precificação. Promoções e combos devem ser estruturados com base na margem real dos produtos. “Vender muito sem margem é trabalhar mais para ganhar menos. Esse é um erro clássico em datas como a Copa”, afirma.

A experiência do cliente fecha essa equação. Organização do salão, agilidade no atendimento e consistência no serviço são fatores que determinam se o cliente volta ou não após o jogo.

“O empresário que se prepara consegue transformar o movimento em lucro. Quem não se organiza, só aumenta o problema operacional. E isso aparece rápido, tanto no caixa quanto na percepção do cliente”, diz.

Entre os erros mais comuns estão falta de estoque, demora nos pedidos, cozinha sobrecarregada e aumento descontrolado de custos. Em alguns casos, promoções mal planejadas acabam reduzindo ainda mais a rentabilidade.

Dados do setor mostram que os custos com insumos e mão de obra podem ultrapassar 60% das despesas de um restaurante, o que exige precisão na operação, especialmente em períodos de alta demanda.

Para Marani, a Copa funciona como um teste direto da maturidade do negócio. “Datas de alto movimento mostram quem tem gestão e quem não tem. Quem está preparado transforma isso em lucro e fidelização. Quem não está, só aumenta o problema”, diz.

Ele reforça que o impacto vai além dos jogos. “O empresário que usa esse momento para organizar processos, treinar equipe e entender melhor o negócio sai mais forte depois. Não é sobre um mês, é sobre consistência”, conclui.

 

Sobre Marcelo Marani

Marcelo Marani é fundador e CEO da Donos de Restaurantes, uma das principais escolas para donos de restaurantes da América Latina. Professor formado em Ciência da Computação, com mestrado em Administração de Empresas, defendeu em 2007 uma tese que mostrava que 70% dos donos de restaurantes não trabalham com qualquer tipo de fidelização.

Empresário, sócio de mais de 10 empresas do foodservice, com um faturamento de R$28MM em 2025, tem mais 27 anos de experiência no mercado de alimentação e é considerado um dos maiores especialistas em gestão e aumento de faturamento para restaurantes do Brasil.

Marani é autor do livro Transforme o seu Restaurante em um Negócio Milionário, da editora Gente. É também host do podcast mais escutado no Brasil para donos de restaurantes. Foi apresentador de TV, no programa Café com Chef da Band domingo de manhã.

Já treinou mais de 35 mil empresários, em 23 capitais do Brasil, e já fez trabalhos em Portugal e na Argentina. Para mais informações, visite o Instagram ou pelo site.