Pacientes têm associado canetas emagrecedoras a antidepressivos, estimulantes e fórmulas sem acompanhamento médico, aumentando o risco de perda muscular, alterações hormonais e complicações cardiovasculares

Médico alerta para os riscos de combinar canetas emagrecedoras com antidepressivos, estimulantes e fórmulas sem acompanhamento profissional
O uso das chamadas canetas emagrecedoras se popularizou no Brasil e passou a fazer parte da rotina de milhares de pessoas em busca de perda de peso rápida. Mas, por trás dos resultados exibidos, médicos têm observado um comportamento que acende um sinal de alerta: a combinação desses medicamentos com antidepressivos, estimulantes, termogênicos, fórmulas manipuladas e até hormônios.
Segundo o médico Rafael Reis, o maior problema atualmente não está apenas na medicação, mas na forma como ela vem sendo utilizada.
“O maior problema hoje não é apenas a medicação em si, mas o uso indiscriminado e sem acompanhamento. Muitos pacientes estão associando canetas com estimulantes, antidepressivos, fórmulas manipuladas e até hormônios sem avaliação adequada. Isso aumenta muito o risco de efeitos adversos e de um emagrecimento metabolicamente ruim.”
A preocupação ganha força diante do crescimento do uso desses medicamentos, inclusive fora das indicações aprovadas em bula. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aumentou recentemente o controle sobre medicamentos dessa categoria, após a explosão da demanda no país.
Além disso, um estudo da University of Pennsylvania analisou mais de 400 mil relatos de efeitos colaterais relacionados aos agonistas de GLP-1. Entre os sintomas descritos estavam fadiga intensa, alterações hormonais, intolerância ao exercício e fraqueza.
Fraqueza, palpitações e queda de cabelo
Rafael Reis relata que os sinais de que o organismo não está reagindo bem podem surgir de diferentes formas.
“Fraqueza intensa, fadiga excessiva, tontura, perda importante de massa muscular, palpitações, queda de cabelo, intolerância ao exercício.”
Segundo o médico, a mistura dessas substâncias pode desencadear uma série de complicações.
“Pode aumentar risco cardiovascular, ansiedade, taquicardia, insônia, desidratação, perda muscular, intolerância alimentar e alterações hormonais.”
Muitos pacientes, segundo ele, só percebem os efeitos após uma perda de peso expressiva.
“Muitos relatam frases como: ‘Emagreci rápido, mas fiquei com muita flacidez’, ‘perdi força’, ‘não consigo mais treinar’, ‘me sinto fraco’, ‘meu cabelo está caindo muito’ ou ‘não consigo manter o resultado’. Isso mostra que emagrecer e melhorar saúde não são necessariamente a mesma coisa.”
Emagrecer rápido nem sempre significa emagrecer com saúde
Embora a redução do peso corporal seja o principal objetivo de quem procura esse tipo de tratamento, o especialista alerta que resultados acelerados podem trazer consequências importantes para músculos, metabolismo e equilíbrio hormonal.
“Um emagrecimento muito acelerado pode levar à perda significativa de massa muscular. Isso reduz força, piora disposição, desacelera metabolismo e aumenta o risco de reganho de peso. Emagrecer rápido sem preservar músculo não significa necessariamente emagrecer com saúde.”
O impacto também pode atingir o sistema hormonal.
“O organismo interpreta perdas muito agressivas como um estado de estresse metabólico. Isso pode alterar hormônios relacionados à fome, saciedade, tireoide, cortisol e até hormônios sexuais. Em alguns pacientes aparecem fadiga persistente, queda de libido e piora de performance física.”
O maior erro de quem quer emagrecer a qualquer custo
Na avaliação de Rafael Reis, as redes sociais contribuíram para a banalização dessas combinações ao reforçarem a ideia de resultados imediatos.
“As redes aceleraram muito a ideia do ‘emagrecimento imediato’. O problema é que muitas vezes se mostra apenas o antes e depois, mas não o impacto metabólico, hormonal e muscular por trás desse processo. Saúde não pode ser resumida a números na balança.”
Para o especialista, o principal equívoco é acreditar que o organismo não sofrerá consequências.
“O organismo sempre cobra a conta de processos extremos. O verdadeiro tratamento precisa preservar massa muscular, metabolismo e saúde hormonal.”
Sobre o médico:
Dr. Rafael Reis é médico, com atuação voltada à saúde metabólica, com foco em estratégias individualizadas e acompanhamento clínico.
