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Siso: extrair ou não? Especialistas explicam quando a cirurgia é realmente necessária

Mitos e verdades sobre os dentes do siso: especialistas esclarecem quando a extração é necessária e quando o acompanhamento é a melhor escolha

Créditos: Freepik

A simples presença dos dentes do siso ainda assusta muitos pacientes. Dor, cirurgia, recuperação e até histórias traumáticas fazem parte do imaginário popular quando o assunto é a extração dos terceiros molares. Mas afinal: será que todo siso precisa ser removido?

A resposta é não.

Especialistas em cirurgia bucomaxilofacial alertam que a extração dos sisos deve acontecer apenas quando existe indicação clínica real. Embora seja um procedimento bastante comum, trata-se de uma cirurgia que exige planejamento, ambiente apropriado, técnicas especializadas e acompanhamento profissional rigoroso.

Os chamados dentes do juízo podem permanecer saudáveis e funcionais por toda a vida quando estão bem posicionados e não causam prejuízos à saúde bucal. O problema começa quando a posição inadequada do siso desencadeia complicações importantes na cavidade oral.

Entre os principais problemas associados estão:

  • dores e inflamações recorrentes;
  • infecções gengivais conhecidas como pericoronarite;
  • cáries nos dentes vizinhos;
  • perda óssea e comprometimento periodontal;
  • dores articulares na mandíbula;
  • formação de cistos e tumores;
  • dificuldades em tratamentos ortodônticos complexos.

Nesses casos, a remoção passa a ser necessária para preservar a saúde, a funcionalidade e a qualidade de vida do paciente.

Segundo a cirurgiã-dentista Dra. Juliana, a decisão pela extração deve sempre ser baseada em diagnóstico individualizado. “Nem todo siso precisa ser removido. O mais importante é avaliar se esse dente está provocando algum impacto negativo para a saúde bucal do paciente ou se existe risco real de complicações futuras”, explica.

Por outro lado, um dos maiores mitos sobre os sisos ainda persiste: a ideia de que eles provocam o “entortamento” dos dentes anteriores. Segundo especialistas, isso não possui comprovação científica. Portanto, extrair os sisos apenas para evitar apinhamento dentário não é recomendado.

“A remoção preventiva sem necessidade clínica deve ser analisada com muita cautela. Quando o siso está saudável e não causa alterações, o acompanhamento periódico costuma ser a conduta mais segura e conservadora”, destaca Dra. Juliana.

Outro ponto importante é que a ausência de sintomas não elimina a necessidade de acompanhamento. Mesmo quando mantidos na boca, os sisos devem ser monitorados periodicamente através de consultas e exames de imagem, idealmente uma vez ao ano.

“A odontologia atual busca preservar estruturas sempre que possível. Nosso objetivo é oferecer segurança, conforto e qualidade de vida ao paciente, evitando tanto cirurgias desnecessárias quanto problemas futuros”, finaliza a especialista.

Mais do que remover dentes, o foco da odontologia moderna está em promover saúde através de decisões clínicas responsáveis, personalizadas e baseadas em evidências científicas.