Cirurgião do aparelho digestivo, Dr. Lucas Nacif explica como escolhas do dia a dia, muitas vezes vistas como inofensivas, podem comprometer um dos órgãos mais importantes do corpo

O fígado trabalha em silêncio e, enquanto o corpo segue a rotina normalmente, ele desempenha mais de duas mil funções essenciais para o organismo, participando da digestão, metabolização de substâncias, controle hormonal, armazenamento de nutrientes e eliminação de toxinas. Justamente por ser um órgão tão resistente e “discreto”, muitos problemas hepáticos avançam sem sintomas claros e os hábitos cotidianos têm um papel central nisso.
Segundo o Dr. Lucas Nacif, cirurgião do aparelho digestivo e membro do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestivo (CBCD), a saúde do fígado está diretamente ligada ao estilo de vida. “O fígado é o principal órgão metabolizador do organismo. Para que ele funcione adequadamente, é importante manter hábitos saudáveis de forma contínua e integrada”, explica.
O problema é que muitos dos comportamentos que mais prejudicam o fígado já foram normalizados na rotina moderna. Alimentação ultraprocessada, sedentarismo, consumo frequente de álcool e uso indiscriminado de medicamentos estão entre os principais fatores de risco para doenças hepáticas.
Os hábitos que mais prejudicam o fígado
Entre os principais vilões da saúde hepática está a alimentação baseada em fast food, embutidos, enlatados, ultraprocessados e produtos industrializados. O excesso de gordura, sódio, açúcar e conservantes favorece o acúmulo de gordura no fígado, condição conhecida como esteatose hepática. “São alimentos muito fáceis de serem adquiridos hoje em dia, mas que impactam diretamente o funcionamento do fígado”, alerta Nacif.
Outro ponto importante é o sedentarismo. A falta de atividade física aumenta o risco de obesidade e síndrome metabólica, combinação que favorece inflamações e danos progressivos ao órgão. A prática regular de exercícios aeróbicos ajuda a reduzir o acúmulo de gordura hepática e melhora o metabolismo como um todo.
O álcool também aparece como um dos maiores agressores hepáticos, já que o consumo frequente de bebida alcoólica pode causar inflamação nas células do fígado e, com o tempo, levar à fibrose, cirrose e até câncer hepático.
Além disso, o cirurgião do aparelho digestivo faz um alerta para o uso de medicamentos sem orientação médica. “Analgésicos, anti-inflamatórios e suplementos consumidos de forma indiscriminada podem sobrecarregar o órgão e provocar lesões hepáticas importantes”.
Quando a gordura no fígado se torna perigosa
Nos últimos anos, médicos têm observado um crescimento expressivo dos casos de doença hepática gordurosa associada à síndrome metabólica, quadro ligado à obesidade, diabetes, colesterol alto e triglicerídeos alterados. Hoje, a doença afeta cerca de 30% da população mundial. No Brasil, dados da Sociedade Brasileira de Hepatologia apontam que aproximadamente 20% dos brasileiros convivem com a condição.
Embora muitas vezes silenciosa, a esteatose hepática pode evoluir para esteato-hepatite, uma inflamação mais grave no fígado, e avançar para fibrose, cirrose e até hepatocarcinoma, um tipo de câncer hepático.
“O controle do diabetes, da obesidade, do colesterol e dos triglicerídeos é essencial para evitar que o fígado evolua para doenças mais graves”, destaca Nacif. Apesar do cenário, o especialista reforça que o fígado tem grande capacidade de recuperação quando os hábitos mudam a tempo. Alimentação equilibrada, atividade física regular, redução do álcool e acompanhamento médico fazem diferença direta na saúde hepática e na prevenção de complicações futuras.
Saiba mais sobre o Dr. Lucas Nacif: Médico gastroenterologista com especialidade em cirurgia geral e do aparelho digestivo. Lucas Nacif é reconhecido por sua expertise em cirurgias hepato bilio pancreáticas e transplante de fígado, utilizando técnicas avançadas minimamente invasivas por laparoscopia e robótica. O especialista é membro da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) e está disponível para abordar temas relacionados ao aparelho digestivo, desde doenças, como gordura no fígado; câncer colorretal; doenças inflamatórias intestinais; pancreatite até cirurgias e transplantes em geral. Link e www.instagram.com/dr.
