Fillipe Loures, médico e cofundador da Voa Health, alerta que prompts genéricos podem gerar respostas clínicas imprecisas e distantes da realidade do paciente

São Paulo, julho de 2026 – A inteligência artificial já entrou na rotina de profissionais da saúde, mas o uso ainda exige uma habilidade pouco discutida: saber orientar o modelo. Diferente de um buscador, a IA recupera informações prontas e constrói respostas a partir do contexto que recebe. Na medicina, essa diferença é determinante.
O crescimento acelerado das ferramentas de inteligência artificial no dia a dia fez com que muitos profissionais fizessem uso da IA sem conhecer as melhores práticas para obter bons resultados. Uma pesquisa da Adapta, realizada com 500 brasileiros que utilizam ferramentas de inteligência artificial, mostrou que o termo “prompt” — comando utilizado para orientar os sistemas — foi o conceito de IA que mais gerou dúvidas entre os entrevistados, citado por 12,6% deles.
“Quando o médico não define contexto, regras e limites, o modelo completa lacunas com suposições. Na saúde, isso reduz a utilidade prática da resposta e pode ser extremamente perigoso”, afirma Fillipe Loures, médico e cofundador da Voa Health, plataforma de inteligência artificial completa integrada ao fluxo real de trabalho clínico. “A IA não funciona como o Google. Ela depende da qualidade da instrução recebida. Quanto mais estruturado o comando, mais útil e alinhada à realidade clínica tende a ser a resposta”, explica.
Os cinco elementos de um bom prompt clínico
Para reduzir ambiguidades e aumentar a precisão das respostas, existem cinco elementos fundamentais na construção de prompts clínicos: identidade (qual papel a IA deve assumir), contexto clínico (as informações detalhadas do paciente), tarefa (a solicitação específica), restrições (o que não deve ser sugerido) e formato esperado (como a resposta deve ser organizada). Esses elementos são importantes para que o modelo responda de maneira mais segura e alinhada à prática médica. Sem essa estrutura, o modelo tende a preencher lacunas com inferências, o que pode gerar respostas genéricas ou pouco úteis para a realidade daquele paciente.
“Na medicina, o contexto muda tudo. A mesma pergunta pode exigir respostas diferentes dependendo da idade do paciente, comorbidades, medicamentos em uso, hipótese clínica, diretrizes locais e recursos disponíveis. Quando o médico estrutura bem o prompt, ele reduz ruído e aumenta a chance de receber uma resposta mais aplicável à prática”, complementa o médico.
IA com contexto clínico já disponível
Para apoiar esse uso de forma mais prática na rotina médica, a healthtech brasileira Voa Health desenvolveu um sistema em que o profissional conversa com a IA a partir do contexto da consulta já registrada na plataforma. Em vez de precisar explicar novamente todo o caso, o médico pode fazer perguntas considerando as informações estruturadas daquele atendimento.
Com isso, o contexto clínico fica pronto para aquele paciente, incluindo dados discutidos durante a consulta, registros relevantes e pontos que podem orientar a continuidade do cuidado. A proposta é reduzir o tempo gasto na formulação de comandos, evitar perguntas genéricas e permitir respostas mais alinhadas ao caso concreto.
Na rotina dos profissionais de saúde, esse tipo de interação pode ajudar a organizar o raciocínio clínico, estruturar hipóteses diagnósticas, revisar condutas possíveis, preparar orientações para pacientes e melhorar a documentação, sempre com validação médica.
“Nosso objetivo é fazer com que o médico parta de uma base mais completa, segura e conectada ao atendimento real”, afirma Loures.
Sobre a Voa Health
A Voa é uma IA completa para médicos que atua integrada ao fluxo real de trabalho clínico, conectando diferentes etapas do cuidado de forma contínua. A tecnologia captura e estrutura as informações da consulta com precisão, apoia o raciocínio clínico com base no contexto do paciente e conta com um agente de IA que contribui para a organização e execução do cuidado ao longo do tempo. A Voa amplia a capacidade do médico e ajuda a orquestrar o cuidado com mais consistência, segurança e inteligência. O modelo de negócios é baseado em assinatura por usuário. Para mais informações, acesse o link.
