Fadiga, poucas horas de sono e uso inadequado de substâncias podem reduzir a capacidade de condução e aumentar os riscos durante viagens

Para quem trabalha nas estradas, o tempo ao volante faz parte da rotina profissional. Porém, quando a jornada se prolonga além dos limites seguros, o cansaço pode comprometer funções importantes para a condução, como atenção, percepção e tempo de resposta. A combinação entre pressão por produtividade, poucas horas de descanso e viagens extensas cria um cenário que merece atenção.
Levantamentos divulgados pelo SOS Estradas apontam a jornada excessiva e o descanso insuficiente entre fatores associados aos acidentes envolvendo motoristas profissionais. Em uma análise de ocorrências, também foram identificadas situações nas quais condutores permaneciam dirigindo por períodos prolongados, evidenciando a relação entre organização do trabalho, fadiga e segurança viária.
O cansaço pode alterar a capacidade de dirigir
A privação de sono não provoca apenas sensação de fadiga. À medida que o motorista permanece acordado por períodos prolongados, pode apresentar redução da concentração, dificuldade para manter atenção contínua e respostas mais lentas diante de acontecimentos inesperados.
Esse problema pode ser agravado quando o profissional tenta compensar o sono perdido com estratégias inadequadas. O uso de substâncias estimulantes, por exemplo, pode criar uma percepção temporária de disposição sem necessariamente eliminar os efeitos associados à falta de descanso.
Por isso, nenhuma substância deve ser utilizada como substituta do sono ou como recurso para prolongar artificialmente uma jornada que já ultrapassou os limites de segurança. A prevenção começa pela organização adequada das pausas e pelo respeito aos períodos necessários de recuperação.
Estimulantes também podem representar risco
Em determinados contextos profissionais, existe uma preocupação com o uso de substâncias estimulantes para permanecer acordado durante viagens extensas. Além dos possíveis efeitos sobre o organismo, algumas substâncias podem alterar julgamento, percepção, atenção e comportamento.
Diversos estudos já comprovaram que diferentes drogas podem prejudicar habilidades necessárias para conduzir um veículo com segurança. Os efeitos variam conforme a substância, a quantidade utilizada e características individuais, mas podem incluir alterações de coordenação, concentração e tomada de decisões.
O exame toxicológico como medida preventiva
Nesse contexto, o exame toxicológico de larga janela de detecção funciona como uma ferramenta adicional dentro das políticas de segurança destinadas aos motoristas profissionais. O procedimento utiliza amostras queratínicas e permite verificar retrospectivamente o consumo de determinadas substâncias psicoativas durante uma janela de 90 a 180 dias.
Atualmente, o exame é exigido em situações relacionadas às categorias C, D e E da CNH, conforme as regras estabelecidas pela legislação de trânsito. Para condutores dessas categorias com menos de 70 anos, há também previsão de realização periódica do exame a cada dois anos e seis meses.
A proposta não é substituir outras medidas de prevenção, mas acrescentar uma ferramenta de acompanhamento ao conjunto de exigências relacionadas à condução profissional.
Como atualização recente, a exigência também passou a alcançar candidatos à primeira habilitação nas categorias A e B, conforme a implementação adotada pelos Detrans ao longo de 2026.
Prevenção começa antes de pegar a estrada
Para motoristas que enfrentam jornadas extensas, a preparação para uma viagem envolve mais do que definir horários e trajetos. O descanso adequado é fundamental para preservar a atenção e a capacidade de reação, enquanto o uso de substâncias estimulantes para tentar permanecer acordado pode trazer riscos adicionais.
Ou seja, o exame toxicológico funciona como uma medida complementar de prevenção nas estradas. Por isso, o motorista sujeito à exigência deve se organizar para realizar o procedimento dentro do período determinado, além de buscar informações antecipadamente sobre como funciona, quais documentos são necessários e quanto custa o exame toxicológico. Os valores podem variar conforme o laboratório e a região.
Também é importante verificar se o local escolhido está habilitado para realizar o procedimento e acompanhar os prazos aplicáveis. Laboratórios como a Toxicologia Pardini, por exemplo, são credenciados para realizar esse tipo de coleta.
Descanso continua sendo a principal proteção
O exame toxicológico não substitui descanso adequado, pausas durante a jornada ou condições apropriadas de trabalho. Fatores relacionados ao sono e à saúde dos motoristas estão associados a uma parcela relevante dos acidentes.
Por isso, a prevenção precisa considerar o conjunto de fatores que interferem na condução. Empresas e profissionais devem observar jornadas, períodos de descanso, condições do veículo e comportamento ao volante.
Longas jornadas não precisam ser encaradas apenas como uma questão de produtividade. Quando o cansaço se acumula, a capacidade de condução pode ser afetada e o risco deixa de envolver somente o motorista, alcançando passageiros, outros veículos e todos os usuários das rodovias.
