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Fertilização inteligente pode reduzir perdas e ajudar a recuperar solos degradados

Especialistas do Crea-SP explicam como a inovação e o manejo de precisão estão mudando a nutrição no campo

Pessoa agachada com luvas segurando grânulos de fertilizante ao lado de mudas de milho em um campo, com pivô de irrigação ao fundo

A agricultura brasileira estuda novas formas de lidar com a fertilidade da terra. No lugar de aumentar apenas o volume de insumos aplicados, a tendência é controlar a disponibilização dos compostos e integrar adubação, microbiologia e conservação para produzir mais com menor desperdício. A mudança reúne conhecimentos de profissionais da área tecnológica, impulsionando o surgimento de novas ferramentas que auxiliarão no desenvolvimento sustentável.

O engenheiro agrônomo e conselheiro do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo (Crea-SP) pela Câmara Especializada de Agronomia (CEA), Pedro Henrique Lorenzetti Losasso, destaca que essa evolução acompanha uma nova compreensão sobre o ecossistema rural. “Hoje, o foco não é só fornecer nutrientes, mas garantir maior aproveitamento das plantas e potencializar a ciclagem natural da terra”, afirma.

Uma das inovações que exemplificam essa transição foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp). O processo utiliza Redes Metal-Orgânicas, do inglês Metal Organic Frameworks (MOFs), estruturas porosas que atuam como reservatórios para a liberação gradual de componentes minerais. O composto é estudado como condicionador associado à adubação convencional, com potencial para otimizar o aporte nutricional e recuperar regiões danificadas.

A engenheira química Tatiane Braz Martins, conselheira do Crea-SP e coordenadora adjunta da Câmara Especializada de Engenharia Química (CEEQ), explica que a proposta de uma fertilização mais inteligente altera a gestão das matérias-primas. “O paradigma mudou da quantidade bruta para a precisão e a saúde do ecossistema. Entende-se que o solo é um organismo vivo e finito”, avalia.

Para Losasso, o avanço atende à necessidade de preservar matérias-primas escassas. “Os minerais usados na fabricação de fertilizantes são meios limitados, e precisamos de formulações menos agressivas à microbiota. Em longo prazo, trata-se de segurança alimentar”, destaca.

Na prática da gestão agrária, a liberação gradual diminui perdas por lixiviação, processo em que a chuva ou a irrigação lavam os nutrientes para o fundo do solo, longe das raízes, e volatilização, quando os nutrientes se perdem no ar em forma de gás, garantindo disponibilidade de elementos essenciais durante toda a maturação da cultura. A proposta também permite combinar novas metodologias com adubação verde, soluções biológicas e outras práticas de sistemas de cultivos sustentáveis.

A recuperação de áreas degeneradas, contudo, exige uma abordagem integrada. O engenheiro agrônomo ressalta que é necessário unir diferentes táticas para reconstruir a estrutura de alto rendimento. “É preciso integrar a agricultura regenerativa aos recursos biológicos. Os fertilizantes não são o único caminho”, explica.

Além do ganho agronômico, soluções com maior controle ajudam a conter a contaminação de corpos d’água por nitratos e fosfatos e a reduzir emissões associadas aos nitrogenados. Na visão de Tatiane, o avanço desses materiais evidencia uma atuação estratégica que conecta a pesquisa à produção.

“A Engenharia Química é a ponte entre a bancada científica e o campo. Ela atua no desenvolvimento de novos elementos, na otimização de processos industriais para a manufatura em grande escala e na busca por matérias-primas e resíduos locais para diminuir a dependência de insumos importados”, afirma.

A geração em massa permanece como um dos principais desafios. A síntese dessas estruturas complexas em laboratório precisa ser adaptada para volumes comerciais com estabilidade, menor consumo de métodos e custos competitivos. O estudo da USP segue em fase de pesquisas e demanda novos testes para avançar no mercado.

No campo, a inovação exige suporte técnico para que cada solução atenda às particularidades do ambiente e da lavoura. Essa integração permite combinar novos recursos a conduções consolidadas. “O futuro da produção de alimentos depende de alimentar o cultivo com mais inteligência e habilidade, não apenas com o aumento de insumos”, conclui Losasso.

Sobre o Crea-SP – Criada há 92 anos, a autarquia federal é responsável pela fiscalização, controle, orientação e aprimoramento do exercício e das atividades dos profissionais das Engenharias, Agronomia e Geociências. O Crea-SP está presente nos 645 municípios do Estado, conta com cerca de 380 mil profissionais registrados e mais de 110 mil empresas registradas.

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