Para Francisco Carlos Oliver, diretor técnico industrial da Fluid Feeder, a decisão vai além do preço do produto químico e envolve armazenamento, consumo de energia, manutenção e segurança operacional

A escolha do sistema de desinfecção em estações de tratamento de água e de efluentes industriais costuma concentrar a atenção no preço do produto químico utilizado no processo. Para Francisco Carlos Oliver, diretor técnico industrial da Fluid Feeder, empresa especializada em soluções para tratamento de água e efluentes, essa decisão envolve um conjunto mais amplo de variáveis, que vai do armazenamento à manutenção dos equipamentos, passando pelo consumo de energia e pelos protocolos de segurança adotados na operação.
Armazenamento e concentração são o primeiro ponto de diferença
O cloro gás e o hipoclorito de sódio, os dois insumos mais usados na desinfecção de água para abastecimento e no tratamento de efluentes, apresentam características distintas já na etapa de armazenamento. O cloro gás é mantido em cilindros pressurizados e aplicado por sistemas de dosagem específicos, com concentração elevada, o que costuma reduzir a frequência de reposição do insumo. O hipoclorito de sódio, por sua vez, é armazenado em estado líquido, e sua concentração pode variar conforme o tempo de estocagem, a exposição à luz e a temperatura ambiente, o que exige ajustes periódicos na dosagem para manter o padrão desejado.
A geração local de hipoclorito muda a rotina operacional
Uma alternativa adotada por parte das estações é a geração de hipoclorito de sódio no próprio local de tratamento, por meio de equipamentos que utilizam água, sal e energia elétrica para produzir o insumo conforme a demanda da planta. O modelo reduz a dependência de fornecimento externo do produto químico, mas acrescenta outras variáveis à rotina operacional, como o consumo elétrico contínuo necessário para manter a produção e a manutenção das células eletrolíticas, que podem sofrer incrustação de cálcio e magnésio e demandar limpeza periódica.
“Quando a estação já tem uma rotina de manutenção bem estruturada e consegue absorver o consumo elétrico constante, a geração local pode ser interessante, principalmente pela independência em relação ao fornecedor externo do produto. Mas é preciso considerar o custo de manutenção das células eletrolíticas e a qualidade da água e do sal utilizados no processo, porque isso interfere diretamente na eficiência do sistema ao longo do tempo.”
Segurança depende mais da operação do que da tecnologia escolhida
Segundo Oliver, o risco associado ao processo está menos ligado à escolha entre gás e solução líquida, e mais relacionado ao projeto da instalação, aos equipamentos utilizados, aos procedimentos adotados e ao treinamento das equipes. Em sistemas de cloro gás operados sob vácuo, por exemplo, uma eventual instabilidade na força motriz que gera o vácuo interrompe automaticamente a alimentação do produto, funcionando como uma camada adicional de proteção contra vazamentos.
“Não importa qual tecnologia a estação escolhe. Segurança vem de manutenção preventiva feita com regularidade e de uma equipe bem treinada para operar o sistema no dia a dia. É isso que realmente reduz o risco, muito mais do que a tecnologia em si.”
O custo vai além do preço do insumo
Na comparação entre as tecnologias, o preço de aquisição do produto químico ou do equipamento representa apenas uma parte da conta. Despesas com energia elétrica, armazenamento, transporte, manutenção, reposição de peças e mão de obra também compõem o custo de operação ao longo do tempo, o que o setor costuma chamar de custo total de propriedade.
Não existe, segundo Oliver, uma solução única e universal para todas as instalações. A tecnologia mais adequada tende a variar conforme o volume de água ou efluente tratado, a infraestrutura já disponível na planta, o perfil da operação e a logística de fornecimento de cada região.