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Câncer de mama: alimentos que podem ajudar a aliviar os efeitos colaterais do tratamento

Náuseas, diarreia, constipação e alterações no paladar podem afetar a alimentação durante a quimioterapia; veja como adaptar as refeições para cada sintoma

Fundo amarelo com disposição de frutas, vegetais e leguminosas: figos cortados, abacates, uvas, mirtilos, berinjela, repolho roxo, cebola roxa, beterraba, feijão e uma mão segurando uma tigela com amoras.

Durante a quimioterapia, sintomas como náuseas, vômitos, diarreia, constipação, feridas na boca, alterações no paladar e perda de apetite podem interferir diretamente na alimentação. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), adaptar a alimentação de acordo com cada sintoma pode ajudar a paciente a manter a ingestão de líquidos e nutrientes durante o tratamento.

“Durante o tratamento oncológico, a alimentação precisa acompanhar o que o organismo está apresentando naquele momento. Não existe uma lista de alimentos que funcione para todas as pacientes. Se existe náusea, diarreia, constipação ou ferida na boca, a estratégia nutricional precisa ser adaptada para aquele sintoma e para a tolerância individual”, explica Andreia Galliego, nutricionista da Clínica Elsimar Coutinho.

Quando o intestino fica mais sensível

A diarreia é um dos efeitos que podem aparecer durante determinados tratamentos. Nesses casos, o INCA recomenda priorizar alimentos e preparações mais fáceis de tolerar, como arroz, batata, cenoura, banana, maçã e frango, além de reforçar a hidratação. Alimentos muito gordurosos ou condimentados podem aumentar o desconforto.

“Quando o intestino está mais sensível, não significa que a paciente deva simplesmente parar de comer ou fazer uma dieta extremamente restritiva. O objetivo é encontrar alimentos e preparações que sejam melhor tolerados naquele período, mantendo hidratação e nutrientes sempre que possível”, afirma Andreia.

Já para a constipação, a estratégia pode ser diferente. O INCA orienta aumentar a ingestão de líquidos e incluir alimentos ricos em fibras, como frutas, verduras, legumes e cereais integrais, além de atividade física quando liberada pela equipe de saúde.

Ou seja: o mesmo alimento ou estratégia não necessariamente serve para todos os momentos do tratamento. O que pode ser adequado para uma paciente com prisão de ventre pode não ser indicado para outra que esteja enfrentando diarreia.

E quando até o cheiro da comida incomoda?

Náuseas e alterações do paladar podem transformar refeições que antes eram prazerosas em uma dificuldade diária. De acordo com o INCA, refeições menores e mais frequentes e alimentos frios ou em temperatura ambiente podem ser melhor tolerados por algumas pacientes.

“A paciente pode não conseguir comer um prato grande, com cheiro forte e servido muito quente, mas talvez consiga fazer pequenas refeições ao longo do dia. O planejamento nutricional precisa levar em conta não apenas o que ela deveria comer, mas principalmente o que consegue comer naquele momento”, explica a nutricionista.

A temperatura e a textura também podem ser adaptadas. Em casos de feridas na boca, por exemplo, o INCA recomenda evitar alimentos muito quentes, ácidos, condimentados ou de consistência dura. Preparações macias, pastosas ou líquidas podem facilitar a alimentação.

Banana é boa para quê? E existe alimento “anticâncer”?

A banana aparece entre os alimentos citados pelo INCA que podem ser melhor tolerados em situações de diarreia. Mas isso não significa que tenha ação contra o câncer ou que possa substituir qualquer etapa do tratamento.

A distinção é importante diante da quantidade de informações que circulam nas redes sociais sobre supostos “alimentos anticâncer” e dietas milagrosas. O INCA alerta para os riscos de dietas restritivas e recomenda que suplementos de vitaminas, minerais ou outros produtos sejam utilizados somente com orientação de profissionais de saúde.

“É preciso separar duas coisas: uma alimentação adequada pode ajudar a paciente a atravessar melhor o tratamento, mas nenhum alimento deve ser apresentado como capaz de tratar ou combater sozinho o câncer. O objetivo do cuidado nutricional é preservar o estado nutricional, ajudar no manejo dos sintomas e contribuir para a qualidade de vida”, ressalta Andreia.

Alimentação também faz parte do cuidado

O Ministério da Saúde recomenda, de maneira geral, uma alimentação baseada em alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, feijões e cereais, e orienta limitar o consumo de ultraprocessados. Durante o tratamento, porém, a alimentação precisa ser individualizada conforme os sintomas, as necessidades nutricionais e a tolerância de cada paciente.

Para a nutricionista, o mais importante é entender que a alimentação durante o tratamento não precisa ser encarada como uma busca pela “dieta perfeita”.

“O tratamento oncológico não é uma linha reta. Há dias em que a paciente consegue comer normalmente e outros em que náusea, alteração do paladar, cansaço ou sintomas intestinais dificultam muito a alimentação. O papel da nutrição é acompanhar essas mudanças e fazer os ajustes necessários ao longo do caminho”, diz.

No Outubro Rosa, ampliar a discussão para o período após o diagnóstico também é uma forma de falar sobre cuidado. Mais do que procurar um alimento milagroso, a proposta é entender como pequenas adaptações no prato podem ajudar a mulher a se alimentar e manter sua qualidade de vida durante uma fase tão delicada.

“Alimentação também é cuidado. A paciente não precisa enfrentar essas dificuldades sozinha. Perda de peso, dificuldade para se alimentar ou sintomas persistentes devem ser comunicados à equipe que acompanha o tratamento”, conclui, Andreia Galliego.

Referências

https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/tratamento/quimioterapia

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/cancer-de-mama/cancer-de-mama/

https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/orientacoes_profissionais_aps_cancer_mama.pdf

https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/causas-e-prevencao-do-cancer/alimentacao

https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/causas-e-prevencao-do-cancer/alimentacao/suplementos-alimentares

https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/orientacoes-aos-pacientes-e-familiares

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/pcdt/c/cancer-de-mama/view

Sobre a nutricionista

Andreia Galliego é nutricionista formada pela FMU, com atuação em nutrição esportiva e especialização em emagrecimento. Ao longo de sua trajetória clínica, direcionou seu trabalho especialmente para a saúde da mulher, com foco em mulheres 40+ e menopausa.

Sua atuação integra estratégias de emagrecimento, composição corporal, ganho e preservação de massa muscular e melhora da qualidade de vida, considerando as mudanças metabólicas e hormonais características dessa fase da vida.

Seu trabalho é pautado em uma nutrição individualizada, baseada em ciência e aplicável à vida real, buscando construir estratégias que possam ser sustentadas a longo prazo, respeitando a rotina, os objetivos e a individualidade de cada mulher.

Sobre a Clínica Elsimar Coutinho

A Clínica Elsimar Coutinho foi fundada a partir do legado do médico e pesquisador Elsimar Coutinho, referência internacional em saúde hormonal. A instituição reúne uma equipe multidisciplinar dedicada a oferecer atendimento médico especializado e tratamentos modernos voltados ao equilíbrio hormonal, ao bem-estar e à qualidade de vida de mulheres e homens.

Fundada em Salvador, a clínica expandiu sua atuação para capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. A instituição oferece diversas especialidades médicas como ginecologia, urologia, endocrinologia, nutrologia, nutrição e mastologia, aliando conhecimento científico, tecnologia e atendimento humanizado para promover saúde e equilíbrio hormonal em todas as fases da vida.

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