Após forte queda na sessão de segunda-feira, moeda opera perto da estabilidade no restante da semana; mercado reduz ritmo de negócios e volta as atenções para relatório do USDA

A soja brasileira permaneceu, na quinta-feira, sob os efeitos da forte queda do dólar registrada no início da semana. Após chegar próximo de R$4,98, a moeda americana operava perto da estabilidade, cotada a R$5,015 nos primeiros negócios. O movimento mantém a pressão sobre os preços domésticos, mesmo com prêmios de exportação sustentados e avanço das cotações em Chicago.
A formação do preço da soja no Brasil combina as referências da Bolsa de Chicago, os prêmios de exportação e o câmbio. Na sessão anterior, a valorização do real acabou reduzindo a conversão das cotações internacionais para a moeda brasileira e limitando os ganhos que poderiam chegar ao produtor.
Chicago não compensa pressão sobre preços domésticos
A soja chegou a subir cerca de 20 centavos de dólar por bushel em Chicago no início do primeiro pregão da semana, mas perdeu força nos próximos dias, mantendo uma estabilidade no balanço da semana. Os prêmios, que se mantiveram mais estáveis, chegaram a dar suporte às cotações, mas perderam também força com a ausência da China devido ao feriado nacional da Golden Week.
“Chicago e os prêmios até tentaram dar algum suporte, mas não foram suficientes para compensar um movimento tão forte do dólar. Para o produtor, que vende em reais, essa diferença aparece diretamente no equilíbrio de exportação”, afirma Yedda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro.
Com a retração de aproximadamente 4% do dólar em uma única sessão, a pressão chegou às referências do mercado físico e ajudou a explicar a queda dos indicadores domésticos.
A estabilidade da moeda americana na quinta-feira, próxima de R$5, traz algum alívio após o movimento anterior, mas ainda não representa uma mudança suficiente para alterar o cenário de curto prazo. Para isso, seria necessário observar uma reação mais consistente de Chicago ou dos prêmios.
Produtor reduz ritmo de vendas
A pressão sobre os preços em reais também afetou a comercialização. As negociações no início da semana são estimadas entre 50 mil e 100 mil toneladas, indicando maior cautela dos produtores diante da rápida redução das cotações.
“O vendedor tende a ficar mais retraído quando os preços recuam dessa forma. Do outro lado, o comprador também não tem necessidade de elevar as ofertas em um mercado internacional que terminou praticamente estável”, diz Yedda.
Os prêmios seguem firmes, mas sem avanço. Com a demanda sem força para puxá-los para cima e os produtores mais resistentes aos níveis atuais de preço, a tendência é de uma comercialização mais lenta nos próximos dias.
Real valorizado favorece compra de insumos
Se a queda do dólar reduz o suporte à receita com a venda da soja, o movimento melhora as condições para a aquisição de insumos dolarizados, especialmente fertilizantes e defensivos.
“Para quem ainda tem necessidade de garantir fertilizantes e outros insumos para a safra 2026/27, este pode ser um momento interessante de compra. O produtor passa a ter uma relação diferente entre receita e custo, principalmente depois de anos de aumento dos custos de produção”, afirma Yedda.
USDA concentra atenção do mercado
No exterior, o próximo foco está no relatório de Oferta e Demanda do USDA (WASDE), previsto para sexta-feira, dia 9. Com o avanço da colheita nos Estados Unidos, a atualização deve trazer uma visão mais consolidada da produtividade e da produção de soja e milho, além de revisar os estoques após os dados divulgados em setembro.
Para a soja, o mercado trabalha com poucas alterações. A produção americana deve permanecer praticamente estável, enquanto os estoques mundiais podem ter um leve ajuste negativo. Eventuais surpresas nos números dos Estados Unidos serão, portanto, determinantes para a reação de Chicago.
No milho, a expectativa é de um novo corte na produção americana, acompanhado de redução da produtividade. Ao mesmo tempo, o mercado projeta aumento dos estoques finais dos Estados Unidos, após os números do relatório trimestral de estoques de setembro terem surpreendido.
A combinação entre menor produção e estoques finais maiores será um dos principais pontos de atenção do USDA e pode trazer novas indicações sobre o comportamento da demanda.
Para Brasil e Argentina, as projeções apontam poucas mudanças com o início do plantio no hemisfério sul.
Mercado acompanha eleições e próximos movimentos
Até o segundo turno das eleições, pesquisas, alianças políticas e sinalizações relacionadas à política fiscal devem manter os ativos brasileiros sensíveis às notícias domésticas. Para a soja, o comportamento da moeda continuará sendo acompanhado de perto, principalmente enquanto Chicago e os prêmios não apresentarem força suficiente para sustentar uma recuperação mais consistente dos preços internos.
Nesse cenário, a soja chega ao novo USDA com perspectivas mais neutras, enquanto o milho concentra maior expectativa de ajustes. A reação de Chicago dependerá, sobretudo, dos números de produtividade e produção dos Estados Unidos e, no caso do milho, da confirmação ou não do aumento projetado para os estoques finais americanos.
Sobre a Biond Agro
Empresa especializada em gestão e comercialização de grãos para o produtor brasileiro, originária de um grupo de companhias com 25 anos de experiência (Fyo, CRESUD e Brasil Agro). Compreendendo os números e especificidades do negócio e como interagir com os mercados. A Biond Agro desenha estratégias de comercialização e execução de negócios, profissionalizando a gestão de riscos para tornar o agronegócio sustentável no longo prazo. Saiba mais em https://www.biondagro.com/
