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Black Friday: Você vai se preparar ou cair em mais um golpe? 40% dos indícios de fraudes financeiras no Brasil envolvem engenharia social!

Especialista alerta que inteligência artificial tornou fraudes digitais mais convincentes e recomenda verificar endereço, preço e beneficiário antes de concluir uma compra

Mãos digitando em teclado diante de monitor com linhas de código, ícone de envelope vermelho e ícones de cadeado

A corrida por descontos na Black Friday também abre espaço para a atuação de criminosos que exploram a urgência e o impulso de compra dos consumidores.

De acordo com a Agência Brasil, golpes de engenharia social já representam 40% dos indícios de fraudes financeiras registrados no Brasil. No primeiro semestre de 2026, foram identificadas mais de 9 milhões de ocorrências suspeitas ou confirmadas, um aumento de 10,26% em relação ao segundo semestre de 2025. Desse total, mais de 3,6 milhões estavam relacionados a práticas de engenharia social.

Sites falsos que imitam grandes varejistas, links de phishing distribuídos por WhatsApp, SMS, e-mail e redes sociais e fraudes envolvendo pagamentos via Pix estão entre os principais riscos apontados por Vinicius Ferreira, CEO da T2Sec, empresa especializada em segurança da informação e resposta a incidentes cibernéticos.

Segundo o especialista, um dos principais fatores que favorecem os golpes é a combinação entre ofertas aparentemente imperdíveis e pressão para tomar decisões rápidas. “A Black Friday trabalha naturalmente com escassez e urgência: ‘últimas unidades’, ‘somente pelos próximos minutos’, ‘70% de desconto apenas agora’. O criminoso utiliza exatamente esses gatilhos para fazer a vítima agir antes de pensar”, afirma Vinicius.

A fraude também pode ocorrer em várias etapas. O consumidor pode receber um anúncio falso em uma rede social, ser direcionado para uma página que reproduz quase perfeitamente a identidade visual de uma grande loja e, ao finalizar a compra, realizar um Pix para uma conta controlada pelos criminosos.

Para Vinicius, três verificações simples podem ajudar a identificar uma oferta suspeita em poucos segundos: endereço, preço e pagamento. O primeiro cuidado é conferir o domínio acessado, já que criminosos podem registrar endereços muito semelhantes aos de empresas legítimas, alterando letras ou acrescentando palavras.

O especialista ressalta ainda que o cadeado e o HTTPS não são garantia de legitimidade. “Possuir HTTPS e o cadeado no navegador não significa que o site seja legítimo; isso apenas indica que a comunicação com aquele endereço está criptografada”, explica.

O preço também deve ser analisado em relação ao mercado. Uma diferença muito grande em relação aos valores praticados por outras lojas pode ser um sinal de alerta. No caso do Pix, a recomendação é conferir, antes da confirmação, o nome e os dados do beneficiário exibidos pelo aplicativo bancário.

Pix exige atenção redobrada

Entre as fraudes mais comuns está o pagamento feito em uma loja ou página falsa. Também merecem atenção os falsos vendedores e atendentes que entram em contato por WhatsApp para enviar uma nova chave Pix ou QR Code, alegando problemas no pagamento anterior ou oferecendo descontos adicionais.

Outro golpe citado por Vinicius Ferreira é o Pix enviado “por engano”. Nessa situação, o criminoso realiza uma transferência e depois solicita que a vítima envie o dinheiro para outra conta. “A recomendação do Banco Central é não fazer uma nova transferência. Se realmente houver um Pix recebido indevidamente, deve-se utilizar a função de devolução da própria transação, que envia o dinheiro de volta para a conta de origem”, afirma Vinicius.

Inteligência artificial aumenta sofisticação das fraudes

A evolução das ferramentas de inteligência artificial também mudou o cenário das fraudes digitais. Criminosos podem produzir textos mais convincentes, traduzir mensagens, personalizar abordagens com informações públicas e criar imagens, vozes e vídeos sintéticos.

“O antigo conselho de simplesmente ‘procurar erros de português’ perdeu bastante força. Um phishing criado com IA pode ter escrita impecável, utilizar o nome da vítima, mencionar uma empresa com a qual ela realmente mantém relacionamento e reproduzir o estilo de comunicação de uma pessoa ou organização conhecida”, alerta o CEO da T2Sec.

Por isso, o risco não está necessariamente relacionado à idade ou ao nível de conhecimento tecnológico. Para Vinicius, qualquer pessoa pode ser vítima de engenharia social, especialmente quando está com pressa, distraída ou muito interessada em uma determinada oferta.

Caiu em um golpe? Agilidade é fundamental

Caso o consumidor perceba que foi vítima de uma fraude, a orientação é agir rapidamente. Entre as primeiras medidas estão entrar em contato com o banco ou instituição financeira para reportar a transação e verificar a possibilidade de bloqueio ou devolução; registrar um Boletim de Ocorrência; trocar senhas, especialmente de e-mail, banco e contas vinculadas; ativar a autenticação em dois fatores; e guardar comprovantes, prints e conversas que possam servir como evidências.

Um erro frequente, segundo o especialista, é demorar para agir por vergonha ou negação. Também é importante ficar atento ao chamado “golpe do golpe”, quando criminosos entram novamente em contato com a vítima se passando por uma central de segurança e prometendo recuperar o dinheiro perdido.

Para aproveitar a Black Friday com mais segurança, Vinicius recomenda evitar decisões tomadas no impulso, verificar o domínio e o CNPJ da empresa, priorizar os canais oficiais das marcas e conferir cuidadosamente os dados antes de realizar um pagamento.

“Trate cada oferta com a mesma régua: desconfie de qualquer urgência artificial, verifique o domínio e o CNPJ antes de clicar, compre apenas em canais oficiais das marcas, use cartão de crédito, é mais fácil de contestar, em vez de Pix para compras com desconhecidos, e nunca decida uma compra no calor do momento. Segurança e economia não são opostos, são complementares”, conclui Vinicius Ferreira.

Sobre a T2Sec

A T2Sec é uma empresa especializada em cibersegurança, gestão de riscos e proteção de ambientes digitais. A companhia atua no desenvolvimento de estratégias de prevenção, detecção e resposta a incidentes, auxiliando organizações na proteção de ativos críticos e na redução da exposição a ameaças cibernéticas.

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