Doença articular está associada ao envelhecimento, mas também pode afetar pessoas mais jovens

A artrose afeta milhões de pessoas e representa um desafio crescente para a saúde pública. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 528 milhões de pessoas viviam com osteoartrite em 2019, um aumento de 113% em relação a 1990. De acordo com a instituição, o joelho era a articulação mais frequentemente afetada, seguido pelo quadril e pelas mãos.
Já outra análise, publicada em 2023 na revista científica The Lancet Rheumatology, estimou que 595 milhões de pessoas viviam com osteoartrite em 2020. A projeção é que esse número se aproxime de 1 bilhão até 2050, em parte devido ao envelhecimento e ao crescimento populacional, além do aumento da obesidade e das lesões articulares.
Os dados reforçam a importância de reconhecer os sinais da doença e ampliar o acesso ao tratamento. Dor ao caminhar, dificuldade para subir escadas e rigidez ao acordar, por exemplo, podem indicar alterações nas articulações, mas não são suficientes, isoladamente, para confirmar um diagnóstico. Conhecer as causas e as opções de cuidado ajuda a identificar quando procurar atendimento e a preservar a mobilidade ao longo da vida.
O que é artrose e quais são os sintomas?
Também chamada de osteoartrite ou osteoartrose, a artrose é uma doença crônica que afeta toda a articulação, envolvendo a cartilagem articular, o osso subcondral (localizado logo abaixo da cartilagem), a membrana sinovial e os tecidos periarticulares. A cartilagem é um tecido especializado que reveste as extremidades dos ossos, reduz o atrito entre as superfícies articulares e distribui as cargas durante o movimento.
Na artrose, ocorrem alterações progressivas nessa estrutura, acompanhadas de remodelação óssea, formação de osteófitos (crescimentos ósseos nas margens da articulação) e, em alguns casos, inflamação da membrana sinovial. Essas mudanças podem comprometer a biomecânica da articulação, provocando dor, rigidez e limitação funcional.
A artrose pode atingir joelhos, quadris, mãos e coluna. Os sintomas variam conforme a articulação e a evolução do quadro. Entre os mais comuns, estão:
- Dor nas articulações, que costuma piorar durante atividades e movimentos;
- Rigidez, especialmente ao acordar ou após períodos de repouso;
- Limitação dos movimentos, que pode dificultar tarefas cotidianas;
- Inchaço e sensibilidade na região afetada;
- Estalos ou rangidos durante a movimentação;
- Alterações no formato da articulação, em alguns casos avançados.
Como se desenvolve a doença e como é feito o diagnóstico?
O envelhecimento é um dos fatores associados ao desenvolvimento da doença, mas não explica todos os casos. Histórico familiar, excesso de peso, lesões anteriores, doenças articulares e sobrecarga repetitiva também podem aumentar o risco. A OMS destaca também que a artrose não é uma consequência inevitável do envelhecimento.
O diagnóstico do quadro considera, principalmente, o histórico dos sintomas e o exame físico. Quando necessário, radiografias ajudam a identificar alterações estruturais, enquanto a ressonância magnética pode ser indicada em situações específicas. As imagens, porém, nem sempre correspondem à intensidade da dor.
Por isso, o médico precisa interpretar os resultados em conjunto com os sintomas e a avaliação clínica. Outras condições, como artrites e lesões, também podem provocar desconforto semelhante.
Quais são as opções de tratamento para artrose?
Embora não exista uma cura definitiva para a artrose, o tratamento pode aliviar os sintomas e ajudar a preservar a funcionalidade e a qualidade de vida. A abordagem depende da articulação afetada, da intensidade da dor e das condições de saúde de cada paciente.
A atividade física orientada e a fisioterapia são partes importantes desse cuidado. Exercícios de fortalecimento ajudam a sustentar as articulações e melhorar a capacidade de movimento. Caminhadas, bicicleta e atividades na água podem ser opções, conforme as condições de cada pessoa. Quando há excesso de peso, sua redução, com acompanhamento adequado, pode diminuir a sobrecarga sobre os joelhos e os quadris.
A OMS destaca o exercício físico, a reabilitação e o controle do peso entre as estratégias de manejo da doença. Em quadros mais avançados, quando a dor e a limitação comprometem a rotina, a substituição da articulação por uma prótese pode ser considerada, especialmente no joelho e no quadril.
Os medicamentos também podem fazer parte do tratamento. Analgésicos e anti-inflamatórios são utilizados para controlar a dor em situações específicas, mas a escolha deve considerar o histórico de saúde e os possíveis efeitos adversos. Nenhum medicamento deve ser utilizado por conta própria, e o alívio dos sintomas não significa que o desgaste da cartilagem tenha sido revertido.
Produtos voltados ao cuidado articular, como o Artrolive, que combina substâncias como sulfato de glicosamina e sulfato de condroitina, também são procurados por pessoas que buscam aliviar os sintomas da artrose. Antes de considerar seu uso, é importante verificar a composição e as indicações disponíveis, além de conversar com um profissional de saúde.
A adequação depende do produto e das condições de cada paciente. É importante, no entanto, não presumir que um medicamento ou produto sozinho cure a artrose ou regenere a cartilagem desgastada.
Como preservar a qualidade de vida?
Dessa forma, conviver com a doença exige acompanhamento e atenção aos sinais do corpo. Adaptar as atividades, manter-se em movimento dentro dos limites individuais e seguir as orientações profissionais pode ajudar a preservar a autonomia.
Vale sempre lembrar que dor persistente, redução da mobilidade ou dificuldade para realizar tarefas cotidianas justificam uma consulta médica. Já uma dor intensa e súbita acompanhada de vermelhidão, calor ou inchaço importante exige avaliação rápida.
Assim, com um plano de cuidado individualizado, é possível controlar os sintomas e manter a participação nas atividades do dia a dia, mesmo diante das alterações articulares.
