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Paratleta ou atleta paralímpico? Descubra como o esporte transforma vidas e abre caminhos para pessoas com deficiência

Da descoberta do próprio potencial aos pódios: uma jornada de autonomia, inclusão e realização pessoal

Dois jogadores em cadeiras de rodas disputam a bola durante partida de basquete em cadeira de rodas em quadra

Quando uma pessoa com deficiência experimenta uma modalidade esportiva pela primeira vez, a meta quase nunca é o pódio. O início costuma ser um convite à descoberta: a alegria do lazer, o prazer de fazer novos amigos, a reconquista da autonomia ou simplesmente a liberdade de se movimentar. Contudo, para muitos, essa primeira vivência acende uma paixão maior e revela uma vocação para o esporte de alto rendimento.

Nessa caminhada, surgem termos como “paratleta” e “atleta paralímpico”. Embora pareçam sinônimos, eles representam momentos e conquistas diferentes ao longo de uma mesma trajetória de dedicação.

Na prática, a diferença é clara: o termo “atleta paralímpico” refere-se especificamente àqueles que competem nos Jogos Paralímpicos. Já o termo “paratleta” é mais amplo e abrange qualquer pessoa que pratique o paradesporto, independentemente do nível de competição.

Para o público em geral, uma boa forma de entender a diferença é pensar que todo atleta paralímpico é um paratleta, mas nem todo paratleta é um atleta paralímpico. Enquanto o paratleta pratica e compete no desporto adaptado em diferentes níveis — seja por saúde, lazer ou torneios regionais —, o atleta paralímpico alcançou a elite do esporte e representa o país na principal competição do planeta.

Segundo o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), o sonho do alto rendimento ganha vida em clubes, associações e projetos de iniciação. A partir desse acolhimento inicial, o atleta avança para competições regionais e nacionais até que, com muito treino, supera marcas, conquista seu espaço no cenário internacional e chega ao maior palco do esporte mundial: os Jogos Paralímpicos.

Eliane Miada, fundadora e presidente do Conselho da ADD, destaca o verdadeiro valor dessa jornada: “Muitas vezes há uma dúvida legítima sobre os termos, mas o mais importante é enxergar a jornada por trás deles. Toda grande trajetória esportiva começa com um passo simples: o desejo de experimentar o movimento. Seja na base, buscando autonomia e bem-estar, ou no alto rendimento em busca de pódios, o esporte é a ferramenta que transforma potencial em independência. É isso que move a ADD todos os dias.”

A história da paratleta e corredora Kássia Souza, da Associação Desportiva para Deficientes (ADD), ilustra perfeitamente essa determinação. Ela conheceu o paradesporto aos 12 anos e se apaixonou pelas provas de pista. Sem acesso a uma cadeira apropriada para corrida, precisou pausar esse sonho temporariamente e competir em modalidades de campo, sem nunca desistir.

A grande virada veio em 2024, quando conquistou o equipamento adequado e retornou com força total às pistas. Logo no ano seguinte, aos 18 anos, Kássia fez história ao cravar 16s79 nos 100 metros da classe T54 e estabelecer o recorde brasileiro feminino no Campeonato Brasileiro de Jovens de 2025. Hoje, como uma paratleta em ascensão no cenário nacional, Kássia segue em busca de novos resultados, mira os pódios internacionais e alimenta o grande sonho de se tornar uma atleta paralímpica, representando o Brasil nos Jogos Paralímpicos.

Atleta em cadeira de rodas de corrida inclinada para frente disputando em pista atlética

“Quando conquistei o recorde brasileiro, senti uma alegria indescritível. Foi a realização de um trabalho intenso, meu, do meu treinador e de toda a equipe. Uma conquista inesquecível para mim”, celebra Kássia.

Trajetórias como a de Kássia mostram que o topo do pódio é fruto de um processo contínuo. Um atleta pode desenvolver uma carreira brilhante no esporte adaptado e se destacar nacionalmente, construindo uma história inspiradora, independentemente de já ter chegado a uma edição dos Jogos Paralímpicos.

Nesse ecossistema, a classificação esportiva surge para garantir que o talento e o treino sejam os verdadeiros protagonistas. Ela organiza as disputas avaliando o impacto de cada deficiência no movimento exigido por determinada modalidade, promovendo competições justas e equilibradas para todos.

A partir desse divisor de águas, cada praticante desenha seus próprios passos. Para muitos, o esporte se consolida como um espaço vital de saúde, convivência e autoconfiança. Para outros, transforma-se em disciplina diária, competição e uma carreira profissional de alto nível.

Onde essa trajetória começa

Muito antes dos aplausos e das medalhas, existe o valor fundamental do primeiro passo. É nos projetos de base que crianças e jovens encontram um ambiente acolhedor para explorar modalidades, superar desafios e descobrir seus próprios talentos.

É com essa missão que atua o Projeto de Iniciação ao Esporte Adaptado IV, da Associação Desportiva para Deficientes (ADD). A iniciativa abre portas para que crianças vivenciem o esporte adaptado na prática, ganhem confiança, desenvolvam novas aptidões e façam conexões para a vida toda.

A partir dessa primeira experiência transformadora, cada um trilha seu próprio caminho: seja incorporando a prática esportiva à sua rotina para mais qualidade de vida, seja dando o primeiro passo rumo às grandes competições.

No cenário global, os Jogos Paralímpicos representam a celebração máxima dessa dedicação, reunindo desde 1960 grandes atletas que inspiram o mundo com suas histórias de superação e excelência técnica.

Do primeiro treino à realização de subir ao pódio, há uma jornada feita de persistência, apoio e paixão. E tudo começa com uma simples oportunidade de se movimentar e acreditar no próprio potencial.

Sobre a ADD

A Associação Desportiva para Deficientes (ADD), fundada em 1996 por Steven Dubner e Eliane Miada, promove a melhoria da qualidade de vida de pessoas com deficiência por meio do esporte, desde a iniciação até o alto rendimento. Entre suas principais modalidades estão o atletismo, basquete em cadeira de rodas (com a equipe multicampeã ADD Magic Hands), bocha paralímpica e vôlei sentado. Com quase três décadas de atuação, a ADD já atendeu mais de 14 mil pessoas, conta com cerca de 300 voluntários por ano, realizou mais de 5 mil palestras e impactou cerca de 2 milhões de pessoas com seus programas.

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