
Nos últimos anos, o futebol brasileiro passou por uma recuperação econômica expressiva, impulsionada por novas fontes de receita, pela entrada das SAFs e pela consolidação de clubes mais organizados financeiramente.
Mesmo assim, quando se olha para o cenário global, a conclusão é clara: o Brasil evoluiu, mas a Europa continua jogando em outro campeonato (financeiro, estrutural e profissional).
Faturamento: bilhões na Europa, milhões no Brasil
De acordo com o Deloitte Football Money League 2025, o Real Madrid lidera o ranking mundial com € 1,045 bilhão (R$ 6,6 bi) em receitas na temporada 2023/24.
Logo atrás aparecem Manchester City (€ 838,8 mi), PSG (€ 805,9 mi) e Manchester United (€ 770,6 mi), todos com faturamento bilionário e marcas globais consolidadas.
No Brasil, o Flamengo é quem mais se aproxima dessa elite.
Em 2025, o clube alcançou R$ 1,47 bilhão (€ 226 mi) em receitas, um recorde nacional, mas ainda quatro vezes menor que o faturamento do Real Madrid.
Palmeiras e Atlético-MG vêm logo atrás, com valores entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão, o que representa avanço, mas dentro de uma realidade regional.
Enquanto a Europa atrai fundos de investimento e bilionários globais, o Brasil ainda depende da venda de jogadores e de direitos de TV para equilibrar as contas.
O crescimento é real, mas os limites continuam evidentes: a diferença estrutural é de décadas, não de anos.
Até no mercado esportivo paralelo, como o das melhores casas de apostas, que movimentam bilhões em torno do futebol europeu, a vantagem financeira das grandes ligas se reflete em visibilidade e patrocínios que ainda não chegaram com a mesma força ao Brasil.
Estrutura e profissionalismo: dois mundos distintos
Além do dinheiro, o contraste está na forma de gerir o futebol.
As principais ligas europeias (Premier League, La Liga e Bundesliga), movimentam juntas mais de € 25 bilhões anuais, sustentadas por governança estável, fair play financeiro e receitas internacionais recorrentes.
Já no Brasil, mesmo com avanços, boa parte dos clubes ainda convive com gestões políticas, trocas constantes de comando e dívidas acumuladas.
As SAFs surgiram como tentativa de correção desse desequilíbrio.
Projetos como os de Cruzeiro, Botafogo e Bahia atraíram investidores e trouxeram novo fôlego econômico, mas os resultados ainda são tímidos.
Enquanto isso, clubes tradicionais seguem divididos entre o imediatismo de títulos e a necessidade de planejamento de longo prazo.
Um desequilíbrio que vem de longe
Historicamente, o futebol brasileiro nunca esteve em igualdade financeira com a Europa.
Desde os anos 1990, quando as grandes ligas passaram a vender direitos de TV globalmente e a atrair multinacionais, a distância só aumentou.
Enquanto Real Madrid e Manchester United se tornavam marcas globais, os clubes brasileiros permaneceram dependentes do mercado doméstico e da exportação de jogadores.
Mesmo com o crescimento recente e a chegada das SAFs, o país ainda tenta estruturar um modelo que a Europa consolidou há mais de duas décadas.
Libertadores x Champions League
A disparidade financeira também se reflete nos torneios continentais.
Na Copa Libertadores 2025, o campeão recebeu cerca de US$ 23 milhões (R$ 115 mi) em prêmios.
Já na Champions League, o valor total distribuído aos clubes ultrapassou € 4,4 bilhões (R$ 27 bi), e o campeão pôde faturar até € 130 milhões (R$ 800 mi) em cotas e bônus.
Além do dinheiro, há a visibilidade:enquanto a Libertadores é voltada principalmente ao público latino, a Champions é um produto global, transmitida em mais de 200 países e apoiada por patrocinadores multinacionais.
Essa diferença não é apenas simbólica, ela define quem dita o ritmo econômico e midiático do futebol mundial.
Seleção Brasileira com sotaque europeu
A desigualdade econômica também se reflete diretamente na formação da Seleção Brasileira.
Entre os 26 convocados para a Copa do Mundo de 2022, apenas três atuavam em clubes do Brasil e todos os demais jogavam na Europa.
O padrão se manteve nas convocações seguintes de Carlo Ancelotti, com mais de 85% dos atletas vestindo camisas de clubes europeus.
Isso acontece porque os salários, a estrutura de treinamento e o nível de competitividade no continente europeu seguem muito acima da realidade brasileira, tornando o êxodo de talentos praticamente inevitável.
Em outras palavras, a força da Seleção ainda nasce no Brasil, mas amadurece e brilha na Europa.
A distância que os números contam
De acordo com a Pluri Consultoria e a Sports Value, o faturamento somado dos clubes da Série A ultrapassou R$ 8,5 bilhões em 2024, número expressivo, mas que ainda equivale à receita de apenas um clube de elite europeu.
Veja a diferença:
- Real Madrid: € 1,045 bi (R$ 6,6 bi)
- Manchester City: € 838,8 mi
- PSG: € 805,9 mi
- Flamengo: € 226 mi (R$ 1,47 bi)
- Palmeiras: € 150 mi (R$ 970 mi)
Enquanto os europeus nadam em cifras bilionárias, o Brasil ainda busca estabilidade e sustentabilidade.
O país evoluiu em marketing, bilheteria e gestão, mas a distância de investimento e estrutura segue ampla e consolidada.
O desafio brasileiro: crescer com sustentabilidade
Apesar do cenário desigual, o futebol brasileiro dá sinais de amadurecimento.
Os clubes estão mais profissionalizados, há maior controle fiscal e o ambiente das SAFs abre espaço para investimento estrangeiro sustentável.
O próximo desafio é transformar esse crescimento interno em força esportiva internacional, algo que depende não só de dinheiro, mas de visão de longo prazo.
O Brasil segue sendo o celeiro de talentos do mundo, mas ainda precisa aprender a reter, gerir e potencializar esses talentos dentro do país.
O cenário financeiro global mostra que o torcedor moderno também faz parte dessa engrenagem: cada vez mais, ele se conecta ao esporte através de plataformas de engajamento, promoções e ferramentas como o código bônus bet365, que simboliza esse novo jeito de participar do futebol além das quatro linhas.
Enquanto a Europa dita o ritmo financeiro, o Brasil segue tentando provar que pode competir com identidade própria, mas ciente de que ainda joga em outro campeonato.
