A inteligência artificial já faz parte do dia a dia, mas o uso intensivo de dados pessoais levanta alertas importantes sobre privacidade

Gostando ou não, a inteligência artificial faz parte do nosso dia a dia. Muitos dispositivos já vêm equipados com IA e utilizam algoritmos de aprendizado de máquina para entender como você os usa, acompanhar seu desempenho em tempo real e até oferecer sugestões personalizadas.
Além disso, processos como a extração de dados com IA permitem que sistemas automatizem a leitura, interpretação e organização de grandes volumes de informações, inclusive a partir de documentos como PDFs, formulários e registros digitais.
Seja ao fazer uma pergunta ao ChatGPT ou ao Microsoft Copilot, seja ao acompanhar suas atividades físicas com um smartwatch, muita gente já interage com sistemas de IA diariamente.
Embora essas tecnologias possam facilitar bastante a vida, também levantam questões importantes sobre privacidade. Elas costumam coletar grandes volumes de dados – muitas vezes sem que o usuário perceba que está sendo monitorado.
A IA generativa, por exemplo, precisa de enormes quantidades de dados para conseguir criar novos conteúdos. Já a IA preditiva usa suas informações pessoais para prever comportamentos, como estimar se você vai bater sua meta diária de passos ou sugerir filmes que você possa gostar. Ambas se alimentam dos seus dados.
Assistentes como ChatGPT e Gemini registram tudo o que você digita. Cada pergunta, resposta ou comando é armazenado, analisado e usado para melhorar o sistema.
A política de privacidade da OpenAI afirma: “podemos usar o conteúdo que você fornece para aprimorar nossos serviços, por exemplo, treinando os modelos que alimentam o ChatGPT”. Mesmo sendo possível desativar essa opção, a empresa ainda coleta e armazena seus dados pessoais.
Muitas delas garantem que esses dados são anônimos – ou seja, não estão diretamente associados a você. Mas sempre existe o risco de que essas informações possam ser reidentificadas.
IA preditiva
Além da IA generativa, redes sociais também usam inteligência artificial preditiva para analisar o comportamento dos usuários. Curtidas, comentários, fotos, vídeos e tempo de visualização – tudo isso se transforma em dados que ajudam a traçar um perfil digital de cada pessoa.
Esses perfis servem tanto para refinar os algoritmos de recomendação quanto para serem vendidos a corretores de dados, que os repassam para outras empresas – geralmente para criação de anúncios personalizados com base nos seus interesses.
Muitas plataformas também monitoram sua navegação fora delas, por meio de cookies e pixels de rastreamento embutidos nos sites que você visita. Um exemplo comum é o carrinho de compras online.
Sabe quando você adiciona um produto ao carrinho, sai do site e ele ainda está lá quando você volta? É o cookie que mantém essa informação. Pesquisas mostram que alguns sites podem armazenar mais de 300 cookies de rastreamento no seu dispositivo.
Dependendo da política da empresa, esses dados podem ser acessados por terceiros – como anunciantes, empresas de análise ou até autoridades, mediante ordem judicial. O mesmo vale para smartwatches e pulseiras fitness, que monitoram sinais vitais e hábitos de uso.
Algumas empresas de dispositivos inteligentes estão reduzindo as proteções de privacidade em vez de fortalecê-las. Recentemente, a Amazon anunciou que, a partir de 28 de março, todas as gravações de voz feitas pelos dispositivos Amazon Echo seriam enviadas automaticamente para a nuvem da empresa.
Além disso, os usuários não teriam mais a opção de desativar essa função. Isso representa uma mudança em relação às configurações anteriores, que permitiam limitar a coleta de dados privados.
Alterações como essa levantam preocupações sobre o quanto os consumidores realmente controlam seus próprios dados ao usar dispositivos inteligentes.
Muitos especialistas em privacidade consideram o armazenamento em nuvem de gravações de voz uma forma de coleta de dados – especialmente quando usado para aprimorar algoritmos ou criar perfis de usuários –, o que tem implicações importantes para as leis de proteção de dados que visam garantir a privacidade online.
