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[OPINIÃO] Quando comprar vira um risco: os golpes que se escondem no TikTok Shop

Créditos: Divulgação

*Por Adrianus Warmenhoven, especialista em cibersegurança da NordVPN

O TikTok deixou de ser apenas um aplicativo de vídeos. Ele se tornou um motor de consumo em escala industrial. Em 2025, a plataforma reuniu mais de 1,6 bilhão de usuários no mundo e, no Brasil, ultrapassou 111 milhões de pessoas. Com a chegada do TikTok Shop ao país, em maio, o que antes era apenas inspiração virou transação direta. Descobrir, desejar e comprar passou a acontecer no mesmo gesto de rolar a tela.

Os números ajudam a entender a dimensão dessa mudança. Segundo relatório do Itaú BBA, o TikTok Shop no Brasil saltou de cerca de US$ 1 milhão em volume bruto de vendas em maio para US$ 46,1 milhões em agosto, uma alta superior a 4.500% em poucos meses. Projeções de mercado indicam que a ferramenta pode movimentar até R$ 39 bilhões até 2028, o equivalente a algo entre 5% e 9% de todo o e-commerce nacional. Hoje, são cerca de 50 mil lojas ativas no país e aproximadamente 500 mil criadores produzindo conteúdo para vendedores.

Esse cenário ajuda a explicar por que compras feitas em poucos segundos se tornam mais vulneráveis a erros e riscos. Dados da NielsenIQ mostram que 74% dos consumidores brasileiros já compraram produtos recomendados por criadores de conteúdo. Uma pesquisa da Opinion Box indica que um em cada três usuários já adquiriu algo que conheceu dentro do TikTok. O funil de vendas tradicional foi comprimido em segundos. O consumidor não pesquisa, compara e decide. Ele assiste, confia e compra.

É justamente nesse ponto que a discussão entra no campo da cibersegurança e da proteção do consumidor digital. Quando a jornada de compra se torna quase invisível, integrada ao entretenimento e ao fluxo natural do conteúdo, os mecanismos tradicionais de atenção e verificação tendem a enfraquecer. Esse novo comportamento é eficiente para marcas e plataformas, mas cria um ambiente perfeito para fraudes. Sempre que uma tecnologia reduz fricções e acelera decisões, ela também amplia a superfície de ataque para golpistas. O crescimento vertiginoso do TikTok Shop reproduz um padrão antigo da economia digital: onde há volume, velocidade e dinheiro, haverá tentativas de exploração.

Os golpes que surgem nesse ecossistema não são sofisticados em essência, mas se tornam eficazes pelo contexto. Levantamento da NordVPN mostra que o volume de sites falsos cresce cerca de 250% em períodos de grandes campanhas promocionais, com páginas que imitam grandes varejistas registrando altas superiores a 200%.

Produtos falsificados são vendidos como originais, especialmente em categorias como eletrônicos e cosméticos. Descontos extremos prometem itens de alto valor por preços irrisórios. Lojas imitam marcas conhecidas com nomes quase idênticos. Mensagens levam o comprador para fora da plataforma, pedindo pagamento alternativo ou confirmação de dados em links externos.

No Brasil, apenas 27% dos usuários conseguem identificar sites de phishing, segundo o National Privacy Test 2025 da NordVPN, o que amplia o impacto desse tipo de fraude. Tudo isso já existia em outros marketplaces. O que muda é a moldura emocional em que essas práticas se inserem.

No TikTok, a venda vem embalada em narrativa. Um rosto familiar testa o produto, reage, sorri, recomenda. O conteúdo parece espontâneo, íntimo, quase uma conversa entre amigos. O cérebro interpreta aquilo como experiência social, não como publicidade. Quando o botão de compra surge, ele aparece como extensão natural da história. Não há tempo para desconfiança. A estética da informalidade mascara o risco.

O Brasil é um terreno especialmente fértil para esse tipo de dinâmica. O país combina alta penetração de redes sociais, forte cultura de influência digital e um público historicamente sensível a ofertas. A ampliação de modelos de pagamento instantâneo e parcelado tende a reduzir ainda mais as barreiras de entrada para compras por impulso. Portanto, o risco não está apenas no golpe em si, mas na normalização de um comportamento em que refletir parece desnecessário.

A única variável que não evolui automaticamente com a tecnologia é o senso crítico do usuário. Em um ambiente onde tudo convida à rapidez, proteger-se exige desacelerar. Torna-se fundamental verificar quem vende, desconfiar de preços irreais, recusar qualquer transação fora da plataforma, ler avaliações, comparar. Sobretudo, aceitar que nem toda oportunidade precisa ser aproveitada.

O verdadeiro custo da compra por impulso não está apenas no valor perdido em um golpe. Ele está na erosão da confiança no ambiente digital. Quando o entretenimento vira vitrine e a vitrine vira armadilha, o prejuízo deixa de ser individual e passa a ser coletivo. Em um mercado que caminha para mover bilhões em poucos anos, a pergunta não é se os golpes vão existir, mas quantos consumidores estarão preparados para reconhecê-los.

 

*Adrianus Warmenhoven é especialista em cibersegurança da NordVPN, a provedora de serviços de VPN mais avançada do mercado, escolhida por milhões de usuários da internet em todo o mundo. – E-mail: nordvpn@nbpress.com.br.

 

Sobre a NordVPN

A NordVPN é a provedora de serviços de VPN mais avançada do mundo, escolhida globalmente por milhões de usuários da internet. O serviço oferece recursos como IP dedicado, VPN dupla e servidores Onion Over VPN, que ajudam a aumentar sua privacidade online sem rastreamento. Um dos principais recursos da NordVPN é o Threat Protection Pro™, uma ferramenta que bloqueia sites maliciosos, rastreadores e anúncios, além de verificar downloads em busca de malware. A mais recente criação da Nord Security, empresa controladora da NordVPN, é o Saily — um serviço global de eSIM. A marca é conhecida por sua facilidade de uso e oferece alguns dos melhores preços do mercado, abrangendo 178 localidades em 129 países. Para mais informações, visite: https://nordvpn.com.