Resolução estabelece critérios para o uso de IA na prática médica, reforça a autonomia do profissional e amplia a responsabilidade sobre decisões clínicas

O avanço da inteligência artificial na medicina ganhou um novo marco regulatório no Brasil. O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou recentemente uma resolução que estabelece diretrizes para o uso de ferramentas baseadas em IA na prática médica, buscando equilibrar inovação tecnológica, segurança do paciente e responsabilidade profissional.
A norma reconhece o potencial da tecnologia em áreas como diagnóstico, análise de exames e apoio à tomada de decisão clínica, mas reforça que a responsabilidade final continua sendo do médico. A utilização de sistemas automatizados passa a exigir critérios claros de validação, transparência e supervisão humana, especialmente em situações que envolvem riscos à saúde.
Para o advogado Gabriel Martins Alves, especialista em Direito da Medicina e em Gestão de Saúde do Jobim Advogados, a regulamentação chega em um momento necessário diante da rápida incorporação dessas ferramentas no cotidiano dos serviços de saúde. “A inteligência artificial deixou de ser uma promessa e passou a integrar, de forma concreta, a rotina médica. Era fundamental que houvesse uma orientação normativa para garantir segurança jurídica da nova era”, afirma.
Entre os pontos centrais da resolução está a vedação do uso da IA como substituta da atuação médica. O CFM determina que sistemas automatizados devem funcionar como suporte, e não como agentes decisórios autônomos. Além disso, o médico deve ter pleno conhecimento das limitações da ferramenta utilizada e assegurar que sua aplicação seja compatível com as melhores práticas clínicas.
Segundo Alves, esse aspecto é crucial para evitar uma transferência indevida de responsabilidade. “A norma deixa claro que não existe ‘terceirização’ da decisão médica para a tecnologia. Mesmo com o uso de algoritmos avançados, o dever de análise crítica e de decisão permanece exclusivamente com o profissional, por isso, a utilização da tecnologia deve ser utilizada como meio e nunca como fim”, destaca.
A resolução também aborda a importância da transparência no uso da IA, incluindo a necessidade de informar pacientes quando ferramentas desse tipo forem utilizadas em seu atendimento, bem como a indicação junto ao prontuário. A medida busca fortalecer a relação de confiança e garantir que o paciente tenha ciência sobre os recursos envolvidos em seu diagnóstico ou tratamento.
Outro ponto relevante diz respeito à validação dos sistemas utilizados. A norma exige que as ferramentas de inteligência artificial sejam submetidas a critérios técnicos e científicos rigorosos antes de sua adoção, reduzindo riscos associados a vieses algorítmicos ou falhas operacionais.
Para o especialista, a regulamentação também impõe desafios para instituições de saúde e empresas de tecnologia. “Hospitais, clínicas e desenvolvedores precisarão revisar processos internos, contratos e protocolos de uso dessas ferramentas. Não se trata apenas de inovação, mas de governança, compliance e gestão de risco”, explica Alves.
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