Avanço do uso de cripto em transações internacionais coloca setor no radar da arrecadação e reforça maturidade do mercado

O governo federal deve adiar a consulta pública sobre a cobrança de IOF em operações com criptomoedas, prevista inicialmente para este mês, segundo informações da Reuters. A decisão ocorre em meio à priorização de outras agendas econômicas, mas reflete um movimento mais amplo: o crescimento acelerado do uso de ativos digitais no Brasil, especialmente das stablecoins, que já são amplamente utilizadas em remessas internacionais e pagamentos no exterior. Dados da Receita Federal indicam que esses ativos, atrelados a moedas como o dólar, concentram parte relevante das operações cripto realizadas por brasileiros.
Murillo Oliveira, especialista em investimentos e estruturação financeira internacional e Head of Treasury da Saygo, afirma que o avanço do tema para a agenda do governo é consequência direta da consolidação desse mercado. “Quando o governo começa a discutir tributação, isso mostra que o volume atingiu um nível relevante. O mercado de criptomoedas deixou de ser periférico e passou a fazer parte da dinâmica real de fluxo financeiro internacional”, diz.
A discussão sobre a incidência de IOF ganhou força após o Banco Central abrir espaço, na regulação cripto aprovada no fim de 2025, para que o uso desses ativos seja equiparado a operações de câmbio em determinados casos. Esse movimento aproxima as criptomoedas do sistema financeiro tradicional e amplia o potencial de arrecadação sobre transações que já vêm sendo utilizadas por empresas e pessoas físicas.
Na prática, o uso de stablecoins vem se consolidando como uma alternativa eficiente para operações internacionais, reduzindo custos, acelerando liquidações e ampliando o acesso a mercados globais. Para empresas com atuação no comércio exterior, a adoção desses ativos já representa uma mudança estrutural na forma de operar. “As stablecoins trouxeram eficiência para operações que antes eram mais lentas e caras. Isso explica por que o volume cresceu tanto e por que o tema passou a ser relevante para o governo”, afirma Oliveira.
A Saygo, como corretora habilitada a operar câmbio por meio de stablecoins, acompanha esse avanço de perto. A empresa atua na estruturação dessas operações para clientes que buscam maior eficiência e previsibilidade financeira em transações internacionais. Segundo o executivo, a tendência é de crescimento contínuo. “Estamos vendo uma transformação na infraestrutura do comércio exterior. O uso de ativos digitais já faz parte da operação de muitas empresas e deve se expandir ainda mais nos próximos anos”, diz.
O debate sobre a cobrança de IOF também evidencia uma mudança na relação entre o Estado e o mercado cripto. À medida que o volume de operações aumenta, esses ativos passam a ser observados não apenas como inovação tecnológica, mas como uma nova base potencial de arrecadação. “O governo começa a olhar para esse mercado como uma fonte relevante de fluxo financeiro. Isso muda o nível da discussão e coloca as criptomoedas em outro patamar dentro da economia”, afirma.
Para o consumidor final, o avanço das stablecoins também já traz impactos concretos. O uso desses ativos em viagens internacionais e compras no exterior tem reduzido custos com spread cambial e tarifas bancárias, ampliando o acesso a soluções financeiras globais.
O adiamento da consulta pública não interrompe esse movimento, mas indica que o tema deve voltar à agenda nos próximos meses com maior maturidade. Para especialistas, a tendência é que a regulação acompanhe o crescimento do mercado. “O IOF não surge como uma barreira, mas como consequência natural de um mercado que ganhou escala. O próximo passo é estruturar regras que acompanhem essa evolução sem comprometer a competitividade”, conclui Murillo Oliveira.
Sobre Murillo Oliveira
Murillo Oliveira é Head of Treasury da Saygo Group, com atuação no mercado financeiro voltada à tesouraria, investimentos e estruturação financeira em contextos globais. Trabalha com gestão de caixa, ALM, portfolio management e estratégias de proteção cambial, participando de decisões que envolvem múltiplas moedas e exposição a cenários macroeconômicos voláteis.
Certificado como Certified Investment Manager (CGA e CFG), é formado pela Escola Politécnica da USP e alumni da Oxford Saïd Business School, com especialização em inteligência artificial e trading algorítmico. Ao longo da carreira, acumulou experiência em tesourarias e na indústria de fundos, desenvolvendo uma visão técnica e aplicada sobre mercados financeiros e fluxos internacionais de capital.
Para mais informações acesse o linkedin.
Sobre a Saygo
A Saygo é uma holding brasileira especializada em comércio exterior, formada pela unificação da Proseftur Assessoria em Comércio Exterior e da Zebra Corretora de Câmbio. Com mais de 23 anos de experiência, a empresa oferece soluções integradas para importadores e exportadores, abrangendo assessoria em operações internacionais, serviços cambiais e desenvolvimento de tecnologias para otimização de processos globais. Seu compromisso é auxiliar empresas a ingressarem e expandirem suas atividades no mercado internacional, proporcionando estratégias inovadoras e suporte especializado.
Para mais informações, visite o site ou o Instagram.
