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Da descoberta tardia ao equilíbrio diário: adulto relata benefícios da cannabis no autismo

Celebrado em 2 de abril, o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo foi instituído pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 2007, com o objetivo de ampliar o entendimento da sociedade sobre o autismo
André Luiz Rodrigues Almeida, 42 anos, utiliza cannabis medicinal para controlar sintomas do autismo diagnosticado na vida adulta, melhorando sono, atenção e bem-estar.

Passados mais de 17 anos, o movimento evoluiu e, além da conscientização, promove a aceitação, o respeito às diferenças e a inclusão, reconhecendo o papel das pessoas autistas na construção de uma sociedade mais diversa e inclusiva.

Em pacientes dentro do espectro autista, a cannabis medicinal tem sido incorporada como abordagem complementar, principalmente quando há limitações nas respostas aos tratamentos tradicionais.

“A prescrição da cannabis medicinal, pautada por critérios clínicos e ajustes progressivos de dosagem, atua sobre sintomas que afetam diretamente a funcionalidade, como ansiedade, alterações do sono, irritabilidade e dificuldades de atenção. Quando bem indicada e acompanhada, essa estratégia pode favorecer maior estabilidade no cotidiano, com reflexos na regulação emocional e na qualidade das interações, ampliando, de forma consistente, o bem-estar do paciente”, explica Mariana Maciel, CEO e médica à frente da biofarmacêutica canadense Thronus Medical.

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição de saúde associada a diferenças no desenvolvimento do cérebro, que se manifestam principalmente em habilidades sociais, comunicação e padrões de comportamento.

Embora os sinais geralmente apareçam ainda na infância, muitas vezes antes dos cinco anos, há casos em que o diagnóstico acontece apenas na vida adulta.

Foi o que aconteceu com o contador André Luiz Rodrigues Almeida, de 42 anos, morador de Florianópolis (SC).

A descoberta veio após o diagnóstico do filho. Incentivado pela médica, ele decidiu investigar uma possível relação genética e, nesse processo, também recebeu o próprio diagnóstico.

Com orientação médica e acompanhamento especializado, ele iniciou o tratamento com cannabis medicinal. “Após um ano de uso, os impactos positivos ficaram claros e sinto mais equilíbrio emocional, redução da euforia e melhoras na qualidade de vida, pois meu sono se tornou mais regular e o convívio social mais confortável”, relata André.

Outro ganho importante tem sido a capacidade de manter a atenção, que, segundo o contador, evolui de forma consistente. “Além disso, o uso do medicamento à base de cannabis também me ajuda a controlar os sintomas da depressão”, conta.

Tratamento individualizado e acompanhamento contínuo

Segundo Mariana Maciel, a recomendação é iniciar com doses reduzidas e avançar de forma gradual, respeitando a resposta de cada paciente. “A opção entre CBD, THC ou a combinação de ambos varia conforme as características individuais e a evolução do quadro. Por isso, o acompanhamento médico ao longo de todo o tratamento é indispensável, permitindo ajustes nas doses e garantindo que os resultados contribuam de forma consistente para o desenvolvimento e o bem-estar do paciente”, afirma a médica.

Ela ainda explica uma dúvida comum entre pacientes e profissionais prescritores: “o canabidiol (CBD), por exemplo, apresenta propriedades que contribuem para a proteção das células neurais e pode auxiliar no controle de crises convulsivas e quadros de ansiedade, sem causar dependência. Já o tetrahidrocanabinol (THC) pode atuar na melhora do sono, no alívio da tensão muscular e no controle de dores”.