
Por Nathali Vieira
Para muitas famílias, o cachorro não é apenas um animal de estimação, é um membro da casa. E, assim como qualquer outro integrante do lar, também precisa de cuidados médicos preventivos para que tenha uma boa qualidade de vida – além, é claro, de evitar a circulação de doenças típicas desses pets, como a raiva e a cinomose. Entender, portanto, quais vacinas um cachorro precisa tomar deixa de ser apenas uma recomendação veterinária e passa a ser uma responsabilidade essencial de todo tutor.
As vacinas V8 e V10 estão entre as mais importantes do calendário vacinal canino. Chamadas de vacinas múltiplas (ou polivalentes), são responsáveis por imunizar os cães contra um conjunto de vírus e bactérias comuns no ambiente, especialmente perigosos para filhotes. A primeira protege contra oito agentes infecciosos, incluindo cinomose; parvovirose; adenovirose
Ambas se destacam pois, além de protegerem o pet contra doenças altamente fatais, também impedem que contaminem seres humanos, pelo alto grau de contágio de algumas delas, como acontece com a leptospirose. Hoje em dia, a WSAVA (Associação Mundial de Veterinários de Pequenos Animais) determina que o filhote precisa até de quatro doses de v8 ou v10, dependendo da região onde esse animal se encontra, considerando que existem locais mais endêmicos que outros. Todo ano, o pet deve passar pelo veterinário a fim de manter esse protocolo em dia.
Não há como deixar de fora dessa lista a vacina contra a raiva, a mais crítica para esses pets. Isso porque, diferentemente de outras doenças, ela não se trata apenas de uma proteção do pet, mas de um imunizante contra uma doença fatal, zoonótica e sem cura. No Brasil, o protocolo padrão determina a aplicação da primeira dose a partir dos três meses de idade, com reforço anual obrigatório independentemente de raça.
Segundo dados do Ministério da Saúde, nosso país está há 10 anos sem casos de raiva humana transmitida por cães – não porque doença desapareceu, mas sim pelo fato de estar controlada graças à vacinação canina. Sem essa conscientização e cumprimento, o risco de infecção aumenta drasticamente, assim como sua evolução rápida para sintomas neurológicos graves. Um único animal diagnosticado pode colocar várias pessoas em risco.
Garantir que um cachorro esteja devidamente vacinado não deve ser encarado como uma tarefa isolada — nem exclusivamente do veterinário, nem apenas do tutor. Trata-se de uma responsabilidade compartilhada, onde a informação precisa circular com clareza e constância. Nesse sentido, enquanto os profissionais de saúde animal precisam orientar, educar e reforçar a importância dos protocolos vacinais, é responsabilidade do pai e mãe do pet assumir uma postura ativa, buscando entender o porquê de cada vacina, os riscos envolvidos e os impactos da negligência.
Ao manter esse calendário em dia, o tutor não está apenas protegendo seu companheiro, mas contribuindo para um ambiente mais seguro para todos. Criar uma cultura de prevenção no cuidado com os pets não precisa ser complexo – contudo, quando o conhecimento falta, a prevenção falha, sendo que as consequências, quase sempre, poderiam ser evitadas.
Nathali Vieira é médica veterinária na Pet de TODOS.
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