Pular para o conteúdo

Marcas têm 4 vezes mais chances de perder a confiança do consumidor ao usar IA em publicidades

Estudo realizado pela Klaviyo e Datalily alerta sobre risco no uso exagerado de conteúdo gerado por inteligência artificial em anúncios

Divulgação
Fabio Gonçalves, diretor da Viral Nation e especialista no mercado publicitário

O uso de inteligência artificial na publicidade tem avançado cada vez mais, mas nem sempre de forma positiva sob a ótica do consumidor. De acordo com o relatório “2026 AI Consumer Trends”, conduzido pela Klaviyo em parceria com a Datalily, marcas têm até quatro vezes mais chances de perder a confiança do seu público ao utilizar conteúdos gerados por IA de forma evidente ou mal executada. Segundo o levantamento, 32% dos consumidores afirmam confiar menos em marcas que utilizam esse tipo de material, enquanto apenas 7% dizem confiar mais. A maioria (61%) se mantém neutra.

O estudo também chama atenção para o crescimento do chamado “AI slop”, termo usado para descrever conteúdos gerados por inteligência artificial com baixa qualidade, como imagens com erros visuais ou textos genéricos e robóticos. Quase 1 em cada 5 consumidores afirma se deparar com esse tipo de conteúdo toda semana, evidenciando que o problema vem sendo recorrente no ambiente digital.

Para Fabio Gonçalves, diretor da Viral Nation e especialista no mercado publicitário, o dado reforça um ponto sensível na adoção da tecnologia: “A inteligência artificial trouxe diversos benefícios para a produção de conteúdo, mas também fez com que o risco de padronização aumentasse e o de autenticidade diminuísse. Quando o consumidor percebe que aquele conteúdo não foi pensado cuidadosamente ou aparenta ser genérico, a confiança é claramente impactada. E confiança é um dos principais ativos de qualquer marca hoje”.

Segundo o executivo, o problema não está no uso da IA em si, mas na forma como ela é aplicada: “A tecnologia deve ser usada como um suporte, e não como substituta da estratégia criativa. Marcas que utilizam IA para otimizar processos, mas mantêm curadoria humana, storytelling e identidade bem definidos, tendem a ter resultados muito mais positivos. O erro está em automatizar toda sua operação sem critério nenhum”.

Fabio também destaca que o consumidor atual está mais preparado quando se depara com conteúdos artificiais. Sendo assim, na opinião do especialista, o cliente se torna mais exigente quanto à qualidade: “Hoje, o público já reconhece padrões de conteúdo gerado por IA, principalmente quando ele é superficial ou pouco autêntico. Isso exige um cuidado bem maior das marcas, porque o que antes passava despercebido agora pode gerar uma rejeição quase que imediata”.

Na avaliação do especialista, o impacto desse movimento já começa a se refletir no mercado publicitário como um todo, inclusive no Brasil: “Estamos entrando em uma fase de maior maturidade no uso da tecnologia de IA. Então, eu digo que não basta adotar a tecnologia, se você não souber usá-la com inteligência e responsabilidade. No Brasil, onde a conexão com marcas e criadores é muito forte, esse cuidado precisa ser ainda maior. Conteúdos sem vida tendem a performar pior”.

Diante desse cenário, cresce a importância de equilibrar a inovação dessa tecnologia com autenticidade, especialmente no marketing de influência, onde a confiança é um dos principais medidores de resultado: “Na Viral Nation, por exemplo, temos trabalhado para integrar a inteligência artificial de forma estratégica, sem abrir mão do olhar humano. Usamos IA para ganhar eficiência, analisar dados e potencializar campanhas, mas a construção dessa criatividade continua sendo liderada por humanos. O futuro da publicidade não é sobre substituir nós pela tecnologia, e sim sobre como combinar os dois de maneira inteligente. As marcas que entenderem isso vão sempre sair e estar na frente”, conclui Gonçalves.

METODOLOGIA

A Klaviyo entrevistou 8.000 consumidores globais, com 18 ou mais, dos Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Espanha, Itália, Austrália e Singapura. A pesquisa foi realizada em dezembro de 2025 e os insights foram compilados em colaboração com a Datalily. A pesquisa completa pode ser acessada em: https://www.klaviyo.com/marketing-resources/ai-consumer-trends#playbook.