Condição exige atenção a sintomas como ronco, obstrução nasal e dores de cabeça; tratamento depende de avaliação médica

Cerca de 20% da população brasileira sofre com desvio de septo, quadro em que a parede interna do nariz se encontra deslocada ou torta em vez de estar no centro e reta, segundo a Academia Brasileira de Rinologia. A alteração do septo nasal reduz o fluxo e a passagem de ar, o que pode dificultar a respiração, provocar ronco, ocasionar dor de cabeça e afetar a qualidade de vida.
A avaliação médica é capaz de identificar o grau do desvio e direcionar o melhor tratamento, que pode incluir a prescrição de medicamentos e o encaminhamento para cirurgia.
A instituição explica que o desvio de septo pode existir desde o nascimento do paciente ou surgir durante a infância, quando ocorre o desenvolvimento dos ossos da face. Os desconfortos tendem a ser sentidos já na fase adulta.
Entre as causas do desvio de septo também estão traumas no nariz, decorrentes de quedas e acidentes, má formação na gestação, envelhecimento natural do corpo e lesão no nariz durante o parto.
Graus do desvio de septo
Ainda de acordo com a Academia Brasileira de Rinologia, o grau leve é caracterizado por um pequeno desvio na região, sem obstrução significativa e sem sintomas. No grau moderado, a obstrução já é considerável. No terceiro nível, descrito como grave, a obstrução nasal é acentuada e impacta diretamente na qualidade de vida.
Em todos os casos, é indicado que o paciente procure um otorrinolaringologista, que irá observar a estrutura interna do nariz e poderá solicitar exames de imagem para confirmar o grau do desvio.
Cirurgia é considerada segura
A avaliação feita pelo médico ainda poderá dizer se o paciente deverá ou não ser submetido à correção cirúrgica no septo nasal. Somente no Brasil, 24.459 internações foram realizadas, entre 2014 e 2019, para a realização de septoplastias, de acordo com dados do DataSus coletados pelo estudo “Análise epidemiológica das septoplastias para correção de desvio de septo nasal no Brasil”.
Além do número de internações, foram avaliadas a média de permanência e a taxa de mortalidade das septoplastias. O estudo publicado na Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, em 2022, revela que, entre as mais de 24 mil internações, um óbito foi notificado. “O fato da septoplastia ser uma cirurgia de característica conservadora a torna um procedimento seguro para diversas faixas etárias”, informa o estudo.
A recuperação pode variar de paciente para paciente. Secreções nasais com traços de sangue podem ser observadas nas primeiras semanas após a execução do procedimento. A tendência é que os sintomas diminuam com o passar do mês, especialmente em razão do desinchaço dos tecidos que revestem o nariz. A qualidade de vida dos pacientes tende a melhorar tanto na hora do sono, com a redução do ronco, quanto na prática de atividades físicas.
O estudo conduzido pelas pesquisadoras da Universidade de Vassouras diz que a “avaliação clínica no âmbito da otorrinolaringologia não demanda complicações, facilitando o seu reconhecimento e diagnóstico”. Embora o tratamento do desvio de septo seja atribuído ao otorrino, a função de um cirurgião geral pode incluir a avaliação preliminar das queixas respiratórias e o direcionamento do paciente para atendimento especializado em unidades de saúde.
Atenção constante aos sintomas do desvio
A projeção da Academia Brasileira de Rinologia alerta que a população deve se atentar aos sintomas do desvio de septo. Congestão e sangramento nasal, dor de cabeça e secreção constante podem ser sinais de desvio na estrutura. A dificuldade de respirar pelo nariz, principalmente ao fazer esforço ou praticar exercícios físicos, também é considerada um alerta.
A instituição indica que o sono leve ou de má qualidade pode estar relacionado ao desvio de septo e à degradação da qualidade de vida. O cansaço diário gera falta de energia e provoca irritabilidade, o que pode afetar o paciente no trabalho, estudo e até no relacionamento. Explica que a ocorrência do ronco ou de outros barulhos respiratórios na hora de dormir pode atrapalhar o sono do parceiro de cama.
Rinites, pólipos e cornetos nasais, que são estruturas nas laterais do nariz, também podem causar a sensação de obstrução nasal e dificultar a entrada de ar. A combinação entre a atenção constante aos sintomas e a realização da avaliação médica pode facilitar a identificação do desvio de septo. É indicado ainda que o paciente apresente o seu histórico de saúde ao profissional, destacando, quando existentes, episódios anteriores de trauma ou pancada no nariz.
