Especialista alerta para a associação frequente entre sintomas comuns e disfunções da glândula, mas destacam que nem sempre a causa está no sistema tireoidiano

Sintomas como ganho de peso, cansaço persistente e alterações de humor costumam ser rapidamente associados a problemas na tireoide. Embora essas manifestações possam, de fato, estar relacionadas a disfunções da glândula, a interpretação isolada desses sinais pode levar a equívocos no diagnóstico e atrasar a identificação de outras condições de saúde.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), as doenças da tireoide estão entre as mais comuns na prática clínica, especialmente em mulheres. Ainda assim, a presença de sintomas inespecíficos não é suficiente para confirmar alterações hormonais, sendo necessária avaliação médica e exames laboratoriais específicos.
“A tireoide tem um papel importante na regulação do metabolismo, mas nem todo ganho de peso ou sensação de cansaço está relacionado a ela. Esses são sintomas amplos, que podem ter diferentes origens e precisam ser avaliados dentro de um contexto clínico”, afirma a endocrinologista Maria Amélia, da clínica Atma Soma.
Quando a tireoide está envolvida
A tireoide é uma glândula localizada na região do pescoço, responsável pela produção dos hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina), que atuam no controle do metabolismo, da temperatura corporal e de diversas funções orgânicas.
Alterações na produção desses hormônios podem levar a dois quadros principais: o hipotireoidismo, quando há redução da atividade da glândula, e o hipertireoidismo, quando há produção excessiva.
Segundo dados da World Health Organization, distúrbios da tireoide afetam milhões de pessoas em todo o mundo, sendo mais prevalentes entre mulheres e com aumento de incidência ao longo do envelhecimento.
No caso do hipotireoidismo, os sintomas mais comuns incluem cansaço, ganho de peso, intolerância ao frio, pele seca e constipação. Já no hipertireoidismo, podem ocorrer perda de peso, ansiedade, irritabilidade, insônia e aumento da frequência cardíaca.
“Esses quadros costumam apresentar um conjunto de sinais que evoluem de forma progressiva. A avaliação não deve se basear em um sintoma isolado, mas na combinação de manifestações clínicas associadas aos resultados dos exames hormonais”, explica Maria Amélia.
Nem tudo é tireoide
Apesar da associação frequente, grande parte dos sintomas atribuídos à tireoide tem outras causas. Fatores como privação de sono, estresse crônico, sedentarismo, alimentação inadequada e alterações hormonais ao longo da vida podem gerar manifestações semelhantes.
Além disso, condições metabólicas, como resistência à insulina, e transtornos de saúde mental, como ansiedade e depressão, também podem estar por trás de sintomas como fadiga e alterações de humor.
“A tendência de atribuir sintomas comuns à tireoide pode gerar uma falsa expectativa de diagnóstico simples. Quando os exames estão normais, é importante ampliar a investigação para outros sistemas que podem estar envolvidos”, afirma a endocrinologista.
De acordo com a SBEM, o diagnóstico de doenças tireoidianas deve ser feito a partir da dosagem de hormônios como TSH e T4 livre, além da avaliação clínica. Em alguns casos, exames de imagem, como a ultrassonografia, também podem ser indicados.
Avaliação integrada evita diagnósticos imprecisos
A interpretação adequada dos sintomas passa por uma abordagem clínica que considere o organismo de forma integrada. Isso inclui analisar hábitos de vida, histórico de saúde e fatores hormonais e metabólicos que podem influenciar o quadro.
“A tireoide é uma peça importante, mas ela não explica tudo. Muitas vezes, o que se observa é um conjunto de fatores que, somados, levam à queda de energia, alterações de peso e impacto no humor”, explica Maria Amélia.
A endocrinologista destaca que a investigação precoce e o acompanhamento médico são fundamentais para evitar tanto o subdiagnóstico quanto o tratamento inadequado. “O mais importante é entender o que o corpo está sinalizando e conduzir a avaliação de forma criteriosa, sem simplificar sintomas que podem ter origens diversas”, conclui.
Diante de sintomas persistentes, a recomendação é buscar orientação médica para uma avaliação individualizada, evitando associações automáticas que podem não refletir a causa real do quadro.
Sobre a Atma SomaLiderada pela endocrinologista Alessandra Rascovski, autora do livro Atmasoma: o equilíbrio entre a ciência e o prazer para viver mais e melhor – a clínica tem foco na prática da medicina de soma, unindo várias especialidades em prol dos pacientes, respeitando a sua individualidade e oferecendo a eles uma vida longa e autônoma.
A clínica conta com um time de médicos e profissionais assistenciais de diversas áreas, como endocrinologia, urologia, ginecologia, nutrição, gastroenterologia, geriatria, dermatologia, estética, medicina oriental e ayurveda, com olhar dedicado à prática do cuidado focado no eixo neurocognitivo, metabólico e hormonal.
