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Casos recentes de vazamento de dados reforçam preocupação com cadeia de exposição cibernética no Brasil

Alertas envolvendo fornecedores, credenciais e sistemas públicos ampliam debate sobre monitoramento e resposta a incidentes

Créditos: Divulgação

São Paulo, maio de 2026 – A sequência de alertas e vazamentos registrados em abril de 2026 reacendeu o debate sobre maturidade em segurança digital e resposta a incidentes no Brasil. Um dos principais casos do período foi publicado pelo Centro de Prevenção, Tratamento e Resposta a Incidentes Cibernéticos de Governo (CTIR Gov), que atualizou, em 17 de abril, a Recomendação 05/2026 classificando como crítico o vazamento de dados, códigos-fonte e documentos internos da Dígitro Tecnologia, fornecedora de soluções utilizadas por mais de 150 instituições governamentais e órgãos de segurança pública.

O órgão recomendou medidas emergenciais como aplicação imediata de patches, isolamento de interfaces expostas, auditoria de credenciais e chaves de API, rotação de segredos corporativos e monitoramento contínuo da superfície de ataque. Além desse caso, abril concentrou alertas relacionados a campanhas de phishing, exploração de vulnerabilidades, comprometimento de identidades, possível uso de Cobalt Strike e ataques direcionados a aplicações PHP utilizadas por órgãos públicos. “A sequência de alertas mostra que os vazamentos atuais raramente estão ligados a uma única falha. Normalmente, eles envolvem credenciais comprometidas, fornecedores vulneráveis, repositórios expostos, acessos excessivos e ausência de monitoramento contínuo”, afirma Luiz Claudio, CEO e fundador da LC SEC.
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Segundo o executivo, muitas empresas ainda tratam incidentes como eventos pontuais, focando apenas na contenção inicial ou na repercussão pública do caso. “É comum encontrarmos credenciais corporativas antigas ainda vinculadas a sistemas críticos, usuários desligados com acessos ativos, tokens expostos em repositórios e ambientes sem monitoramento contínuo. O problema não é ausência total de segurança, mas falta de visibilidade completa sobre a própria superfície de exposição”, explica.

A preocupação aumentou também após a repercussão do suposto vazamento conhecido como “MORGUE”, associado a alegações sobre exposição de mais de 251 milhões de registros de CPFs brasileiros. O Ministério da Gestão e da Inovação informou não haver registro de invasão ou vazamento no Gov.br e classificou a informação como não confirmada oficialmente. Para Luiz Claudio, independentemente da confirmação do caso, episódios dessa natureza reforçam a necessidade de monitoramento preventivo e validação rápida de exposição. “As organizações não podem esperar a confirmação oficial de um vazamento para agir. O primeiro passo é validar exposição de credenciais, domínios, sistemas externos, APIs e fornecedores, sempre sem acessar ou compartilhar bases vazadas”, afirma.

O cenário também amplia a pressão regulatória. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) estabelece que incidentes com potencial de risco ou dano relevante aos titulares devem ser comunicados à autoridade e aos afetados em até três dias úteis após o conhecimento do incidente.

Além do impacto regulatório, o custo financeiro segue em alta. Segundo relatório da IBM, o custo médio de uma violação de dados no Brasil chegou a R$ 7,19 milhões em 2025, alta de 6,5% em relação ao ano anterior. Nos setores de saúde, finanças e serviços, os custos médios chegaram a R$ 11,43 milhões, R$ 8,92 milhões e R$ 8,51 milhões, respectivamente. “Depois de um vazamento, muitas empresas ainda focam apenas na troca de senha e na publicação de uma nota pública. Mas o incidente precisa ser tratado como investigação: entender origem, impacto, credenciais expostas, terceiros envolvidos e quais controles falharam. Sem isso, o risco continua existindo mesmo após a contenção inicial”, conclui Luiz Claudio.

Sobre a LC SEC

A LC SEC é uma consultoria especializada em segurança da informação e compliance, com atuação no Brasil e na Europa há mais de 10 anos. A empresa já executou mais de 150 projetos em cibersegurança e adequação a normas internacionais, incluindo ISO 27001, ISO 42001, SOC2, PCI DSS, NIST, LGPD, GDPR e DORA. Em 2025, ampliou seu portfólio com soluções inovadoras de Threat Intelligence baseadas em IA e auditorias internas.