Com treinos que podem durar horas diante das telas, atletas de e-sports estão mais suscetíveis a lesões físicas, fadiga visual e impactos na saúde mental

Competir em e-sports, também conhecidos como esportes eletrônicos, pode significar treinar por várias horas por dia diante de uma tela. Seja em competições de videogame em nível profissional ou amador, os participantes enfrentam demandas físicas e cognitivas. Jane Konidis, M.D., fisiatra e diretora de Medicina para Jogos Eletrônicos e E-sports na Mayo Clinic em Rochester, compartilha orientações para proteger a saúde, seja utilizando console de videogame, computador ou smartphone para atividades de e-sports.
“Os e-sports são extremamente exigentes”, afirma a Dra. Konidis. “Eles exigem movimentos finos sustentados, velocidade de membros superiores, coordenação entre olho e mão, além de função cognitiva apurada, já que alguns jogos são totalmente estratégicos. À medida que a sociedade migra para plataformas cada vez mais digitais, essas condições se tornarão mais prevalentes não apenas entre jogadores de e-sports, mas também entre pessoas que utilizam o computador com frequência e por longos períodos.”
Os atletas de e-sports variam de jogadores amadores a profissionais. A Dra. Konidis e sua equipe atendem competidores de todas as faixas etárias, embora a maioria seja composta por adultos entre 20 e 40 anos. Curiosamente, jogadores iniciantes realizam, em média, 50 ações por minuto, enquanto jogadores avançados podem executar de 500 a 600.
Veja lesões comuns em e-sports:
Fadiga ocular: A fadiga ocular é a condição mais frequentemente relatada entre jogadores de e-sports, com pesquisas publicadas na BMJ Open Sport & Exercise Medicine indicando que afeta até 56% dos jogadores competitivos. A exposição prolongada à tela sem pausas adequadas é o principal fator de risco para sintomas como cansaço e irritação ocular, visão turva, dor de cabeça e dor nos olhos.
Amnésia glútea, também conhecida como síndrome do glúteo inativo: Longas horas sentado podem fazer com que os músculos glúteos se tornem fracos e hipoativos ao longo do tempo, afirma a Dra. Konidis. Como o glúteo máximo é um dos músculos mais fortes do corpo, sua disfunção pode contribuir para uma série de outros problemas, como dor lombar e dor nos joelhos. Exercícios como agachamentos, elevação de quadril (ponte) e rotação lateral externa do quadril (exercício “clamshell”) podem ajudar a manter os glúteos fortes e funcionando adequadamente.
Lesões musculoesqueléticas: Muitos jogadores de e-sports apresentam dor em membros superiores resultante de movimentos finos repetitivos, como digitar, clicar o mouse e manipular controles. Com o tempo, a dor pode evoluir para uma lesão por sobrecarga, como síndrome do túnel do carpo ou tendinopatia do extensor comum, também conhecida como cotovelo do jogador ou cotovelo de tenista.
Dor no pescoço e dor nas costas também são prevalentes devido a posturas estáticas prolongadas. Existem dados comparativos que avaliam se atletas de e-sports apresentam taxas mais elevadas do que outras populações sedentárias, mas ainda não está claro se essas taxas superam as da população geral.
Riscos metabólicos e cardiovasculares: Atletas de e-sports enfrentam riscos metabólicos e cardiovasculares associados ao tempo prolongado sentado, incluindo possíveis impactos na saúde cardiovascular e no peso corporal.
O termo “trombose do gamer” surgiu para descrever casos documentados de tromboembolismo venoso (TEV) em jogadores, o que é extremamente raro, de acordo com pesquisas revisadas no Ochsner Journal.
“Os casos relatados geralmente envolvem pessoas com dependência de videogame que permaneceram sentadas diante do computador por quatro ou cinco dias consecutivos — ou indivíduos com condição médica pré-existente que os colocava em alto risco para TEV”, afirma a Dra. Konidis.
Questões relacionadas ao sono e à saúde mental: A exposição crônica à luz azul proveniente de dispositivos eletrônicos interfere nos ritmos circadianos, afetando a qualidade do sono. O impacto costuma ser maior em atletas de e-sports que participam de eventos internacionais em diferentes fusos horários.
Alguns jogadores também relatam sintomas de depressão e ansiedade, embora não necessariamente em taxas superiores às da população geral.
Jogadores devem receber a mesma avaliação abrangente de saúde que atletas tradicionais, sugere a Dra. Konidis.
“Os fundamentos do que fazemos para outros atletas devem ser aplicados aos atletas de e-sports, mas com um exame personalizado, mais direcionado às necessidades relacionadas aos olhos, aos membros superiores e aos movimentos finos”, acrescenta.
Veja estratégias para ajudar a prevenir lesões em e-sports:
- Realizar aquecimento prévio direcionado aos membros superiores para reduzir dor nas mãos e nos punhos. Fazer pausas regulares para se movimentar durante o jogo para prevenir desconforto no pescoço e nas costas.
- Utilizar a regra 20-20-20 para reduzir a fadiga ocular: a cada 20 minutos, olhar para um ponto a 20 pés (cerca de 6 metros) de distância por 20 segundos.
- Praticar atividade física regularmente.
- Adotar bons hábitos de sono. O sono adequado também é importante para a saúde mental, desempenho ideal e recuperação.
Os atletas podem se beneficiar de uma abordagem multidisciplinar de cuidado. Na Mayo Clinic, a equipe de Medicina para Jogos Eletrônicos e E-sports inclui médicos especialistas em medicina física e reabilitação, além de fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais. Os integrantes da equipe também podem consultar cirurgiões da mão, psicólogos e profissionais de nutrição e estilo de vida para oferecer cuidado adaptado às necessidades dos jogadores de e-sports.
Para mais informações, visite mayoclinic.org/medical-
