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Fortalecer a imunidade antes do inverno: por que a prevenção precisa começar antes do período gripal

Créditos: Freepik

Por Dra. Márcia Varejão, médica especialista em homeopatia pela Boiron

Quando o frio se aproxima, muita gente passa a pensar na saúde só depois que os primeiros sintomas aparecem. Esse movimento é comum, mas pouco eficaz. A prevenção precisa começar antes do período gripal, porque o organismo não se prepara de um dia para o outro. É justamente nas semanas que antecedem o inverno que hábitos, rotina e acompanhamento adequado fazem mais diferença.

Os dados recentes mostram esse cenário com clareza. O Ministério da Saúde reforçou em abril a necessidade de intensificar a vacinação contra a gripe antes do inverno, especialmente entre crianças, gestantes e idosos, diante da antecipação da circulação de casos neste ano. A Fiocruz também vem apontando aumento de influenza e de síndrome respiratória aguda grave em diferentes regiões do país. Segundo o boletim InfoGripe mais recente, o crescimento de casos de SRAG, impulsionado pelo vírus sincicial respiratório (VSR)  tem sido observado principalmente entre crianças menores de dois anos, reforçando o alerta para medidas preventivas antes do pico do inverno.

Quando falo em fortalecer a imunidade, não estou falando de uma solução isolada. Falo de construção. O sistema imunológico responde melhor quando o organismo está em equilíbrio. Sono adequado, alimentação variada, hidratação, atividade física regular, vacinação em dia e controle do estresse fazem parte dessa base. O frio, o ar seco, a maior permanência em ambientes fechados e as mudanças bruscas de temperatura contribuem para o aumento de doenças respiratórias, como lembra o Instituto Butantan.

Mas existe um ponto que considero central e que muitas vezes ainda fica de fora dessa conversa. A prevenção também passa por uma visão mais ampla do cuidado. Na medicina integrativa, o paciente não é observado apenas a partir do sintoma que aparece. Ele é visto como um todo. Isso significa olhar para sono, alimentação, saúde intestinal, histórico de infecções, estado emocional, rotina da casa e frequência com que o organismo entra em desequilíbrio.

Essa abordagem mais global tem ganhado espaço no mundo. Em maio de 2025, a Organização Mundial da Saúde aprovou a nova Estratégia Global para Medicina Tradicional, Complementar e Integrativa 2025–2034, orientando os países a fortalecerem a base de evidências, ampliarem a regulamentação e avançarem na integração dessas práticas aos sistemas de saúde. A OPAS/OMS descreve essas práticas como uma abordagem holística e focada no paciente, que inclui aspectos mentais, emocionais, funcionais, espirituais, sociais e comunitários, e trata a pessoa como um todo. No Brasil, mais de 9 milhões de atendimentos nessa área foram registrados no SUS em 2024, um crescimento de 70% em apenas dois anos, segundo o Ministério da Saúde.

É dentro desse olhar que a homeopatia pode ser considerada como uma ferramenta complementar. Na minha prática, ela entra como parte de um acompanhamento individualizado, sempre respeitando o contexto clínico de cada paciente, sua idade, sua rotina e suas necessidades. Não se trata de substituir vacinação, consulta médica ou condutas já estabelecidas. Trata-se de ampliar o olhar sobre prevenção e cuidado, especialmente em crianças e famílias que enfrentam infecções de repetição, oscilações frequentes de imunidade ou maior sensibilidade nas mudanças de estação.

Na pediatria, isso fica ainda mais evidente. Muitas crianças entram no inverno já cansadas, com sono ruim, rotina intensa e histórico recente de quadros respiratórios. Quando chegamos a esse ponto, o organismo já está mais vulnerável. Por isso, prevenir é agir antes. É ajustar a rotina, observar sinais de sobrecarga e buscar formas de sustentar melhor o equilíbrio do corpo antes do pico de circulação viral.

Dentro desse contexto, algumas famílias já conhecem medicamentos homeopáticos presentes no mercado. Eles aparecem com frequência nas conversas sobre cuidado complementar no inverno, mas o mais importante é entender que qualquer escolha deve ser feita com orientação e dentro de uma avaliação individual. O ponto central não é o produto em si. É a lógica do cuidado precoce, responsável e integrado.

Muita gente ainda associa a prevenção apenas à ausência de doenças. Eu prefiro olhar de outro modo. Prevenir é preparar o organismo para responder melhor. É reduzir vulnerabilidades antes que elas apareçam em forma de febre, tosse, coriza, cansaço ou interrupção da rotina. É preciso cuidar antes do agravamento. É dar ao corpo mais condições de atravessar um período de maior desafio com equilíbrio.

 

Dra. Márcia Liguori Varejão é médica formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, especialista em Pediatria pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, especialista em Homeopatia pela Associação Paulista de Homeopatia e Master em Homeopatia pelo CEDH, da França. Também é pós-graduada em Gastropediatria pela Boston University School of Medicine, possui especialização em Acupuntura e formação em andamento em Psiquiatria Infantil e Adolescência. Atua com puericultura, pediatria e homeopatia, com acompanhamento global e preventivo desde o nascimento até a vida adulta. É parceira da Boiron no Brasil há 8 anos.